domingo, 14 de setembro de 2008

O SIMBOLO DO CINEMA

A programação da ACCPA no Cine Clube Alexandrino Moreira pretende exibir e discutir clássicos do cinema. E para tal nada melhor do que começar com um símbolo dessa artindustria: Carlitos.
O tipo criado por Charles Spencer Chaplin logo foi adotado pelos espectadores de todas as partes do mundo. Quando ir ao cinema era ficar de boca aberta, maravilhado com as imagens em movimento, vendo Carlitos o espanto virava gargalhada. Era irresistível o moto-continuo do ator-escritor-diretor que através de um tipo popular defendia os menos favorecidos no tom de comédia. Era como se as pessoas passassem a rir da desgraça. E rir, em qualquer sentido, é continuar vivendo.
No primeiro programa estão os curtas de 1917 feitos para a empresa Mutual:”O Imigrante”, “O Aventureiro”, “O Balneário” e “Rua da Paz”. No primeiro filme, Chaplin já ironizava a terra que adotou como o pobre diabo que chega a Nova York em um navio onde os passageiros eram tratados como gado. A Estatua da Liberdade ao fundo enfatizava essa ironia (a liberdade em que todos ao chegar eram presos, antes de uma identificação). Em “Rua da Paz” era o herói raquítico a enfrentar o Golias malfeitor, um raro momento de Carlitos virar policial, o personagem que era sempre o vilão de seus filmes.
Ver Chaplin é ver cinema. Na verdadeira expressão de arte das imagens em movimento.
Programa de 2ª,Feira, 15 de setembro de 2008 no IAP.(pv)

"LA LÉON" NO PROJETO MOVIECOM ARTE


O próximo filme do projeto Moviecom Arte, que tem o apoio das Lojas Visão e da ACCPA(Associação dos Críticos de Cinema do Párá) será o polêmico "LA LÉON", uma produção da Argentina/França. O filme terá seu lançamento no próximo dia 19/09 no Moviecom Castanheira, sala 04, em projeção digital com preços especiais: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia).
A seguir, informações sobre o filme:
"LA LÉON" - Sinopse : Álvaro (Jorge Román) é um solitário pescador homossexual que vive numa remota cidade ribeirinha do interior da Argentina, às margens do Rio Paraná. Quando envolve-se com o truculento El Turu (Daniel Valenzuela), dono da embarcação local - único meio de transporte para os habitantes -, passa a viver com ele uma conturbada relação.
Direção : Santiago Otheguy. Com Jorge Román e Juan Carlos Rivas.
Enquanto "La Léon" não chega, não perca esta semana a exibição no Moviecom Arte, do filme brasileiro "SANTIAGO", um dos melhores filmes do ano.
Marco Antonio Moreira

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

IAP E ACCPA EM PARCERIA


Começa nessa segunda-feira, dia 15/09, a parceria entre o Instituto de Artes do Pará (IAP) e a ACCPA (Associação dos Críticos de Cinemas do Pará) que estarão juntos na programação do Cine Clube Alexandrino Moreira/ACCPA que terá exibições mensais de filmes em DVD com o objetivo de formar uma nova platéia de cinema em Belém, exibindo filmes importantes da cinematografia, estimulando debates e procurando criar um espaço de cinema que seja valorizado pelo espectador de Belém. A ACCPA também apoia as exibições do Cine Clube Alexandrino Moreira em parceria com a programadora BRASIL, com exibições mensais de filmes importantes do cinema brasileiro.Inicialmente, no Cine Clube Alexandrino Moreira/ACCPA haverá duas sessões por mês, no auditório do IAP, com as sessões começando às 19:00. Charles Chaplin será o primeiro grande nome a ser exibido com o programa ‘CHAPLIN NO INÍCIO” com a exibição de alguns de seus primeiros filmes :”O Imigrante”/”O Aventureiro”/”Rua da Paz”/”O Balneário”). A seguir maiores detalhes do programa:

CHAPLIN, NO INICIO
Charles Spencer Chaplin (1889-1977) é considerado “o símbolo do cinema’. E se justifica a partir da definição dessa arte, nome herdado da “cinemática”(do grego “kinema”, ramo da física que estuda o movimento independente da causa que o propiciou). Vindo do “vaudeville”, irmanado ao circo, ele desde cedo aprendeu a “fazer graça” com a expressão corporal. Menino ainda, caia no palco e provocava gargalhadas da assistência. Chaplin, inglês de nascimento e nunca naturalizado americano apesar de passar a maior parte de sua vida nos EUA, foi para a Califórnia com o circo de Fred Karno nos primeiros anos do século XX. Lá descobriu o cinema através de Mac Sennett, o prolífico produtor de comédias mudas. A sua inventividade levou-o cedo a papel principal no gênero quando resolveu usar uma roupa surrada, um chapéu-coco e um sapato rasgado no filme “Kid Auto Races at Venice”(1917) dirigido por Henry Lehrman para a produtora de Sennett. Nascia o vagabundo Carlitios (Charlie),logo conhecido e amado mundo afora.
Quando passou a escrever e dirigir seus filmes, consideração ganha pelo êxito do tipo que criou, Chaplin abriu espaço na história de uma arte. E justamente os mais aplaudidos filmes dessa fase pioneira são os realizados pela a empresa Mutual e que serão vistos ou revistos agora: ”O Aventureiro”(The Adventurer/1917),”Rua da Paz”(Easy Street/1917), “O Imigrante”(The Immigrant/1917) e “O Balneário”(The Cure/1917). Por serem todos realizados no mesmo ano dão a idéia de como o artista produzia com freqüência e como deixava a sua marca sem obrigatoriamente repetir as tramas. Nessa amostragem dos primeiros tempos de Chaplin há o bastante para se avaliar o seu papel como diretor escritor e intérprete, no caso dando chance a que se conheça como Carlitos conquistou as platéias de um cinema que ainda não tinha aprendido a falar e nem mesmo descobrira todo o seu potencial narrativo.

PROGRAMA “CHAPLIN NO INICIO” – Cine Clube Alexandrino Moreira/ACCPA – Segunda-feira, Dia 15/09, às 19 h. Entrada Franca.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Antes que o Diabo Saiba...

Uma leitora do banco de dados IMDB escreveu bem que não viu nenhum filme ruim assinado por Sidney Lumet.O diretor de 84 anos pode-se gabar de ter assinado obras de sempre como “A Colina dos Homens Perdidos”(The Hill), “O Homem do Preho”(The Pawnbroker), “12 Homens e Uma Sentença”(Twelve Angry Men), “Rede de Intrigas”(Network), “Um Dia de Cão”(Dog Day Afternoon),e até brilhantes exemplos de teatro-filmado como “Quando o Espetáculo Termina”(Stage Struck), “Vidas dem Fuga”(The Figitive Kind) e “Um Longo Dia Dentro da Noite”(Long Days Journey into the Night).
Pois é este “velhinho” genial que assina “Antes que o Diabo Diga que Você Está Morto”(Before Devil Knows You’re Dead), instigante drama de dois irmãos em dificuldades financeiras que tentam roubar a joalheria da família sem saber que no dia planejado a mãe deles estará atendendo aos clientes. A mulher é assassinada, os filhos entram em crise, o pai, desesperado, promete achar e matar os assassinos.
Ethan Hawke e Philip Seymour Hoffman fazem os irmãos. Albert Finney o pai. Marisa Tomei a namorada de um dos irmãos.
Lumet começa chocando com uma cena de sexo incomum no cinema americano. Depois, através de Philip Seymour Hoffman, vasculha os demônios da ambição, este o irmão mais aquinhoado, mesmo assim o que incita o outro a praticar o assalto(arranjando um intermediário para entrar na loja).
Não é um simples “thriller” ou uma aventura policial de trágicas coincidências. É um drama familiar ousado, um quadro cruel de uma classe que tenta se manter a todo custo, passando por cima de vínculos afetivos e senso de moral.
Um filme impressionante. É cartaz do programa “Moviecom arte”, apoio da ACCPa e Lojas Visão, cartaz da sala 4 do circuito Moviecom no shopping Castanheira. Esse horário especial (16 h diariamente) tem ainda um beneplácito: custa barato (4 reais a inteira e 2 reais a meia). É de recomendar aos amigos com o entusiasmo que uma raridade requer.

Dois Enfoques da Violência

DOIS ENFOQUES DA VIOLÊNCIA

O bom senso afirma que em cinema toda exposição explicita e gratuita da violência deve ser evitada. Hoje dois filmes em exibição exemplificam a afirmativa : “Procurado” e “Reino Proibido”.
“Procurado”(Wanted/EUA,2008) é tudo o que se deve abominar como amostragem do ato violento. O tema chega a ser sórdido: uma confraria milenar que se especializa em matar pessoas como uma espécie de filtragem do que se tenha por um bom caráter. Nada mais especifico de teoria nazista, ou, mais atrás no tempo, da espartana (em Esparta, as crianças deficientes eram sacrificadas) e da esquimó (primogênitos do sexo feminino eram entregues aos ursos). No caso, um rapaz americano é seqüestrado por representantes dessa facção criminosa pelo fato dele ser filho de um desertor do grupo. E como este personagem era considerado corajoso e bom de briga, o jovem é guinado a ser um digno sucessor, passando a matar quem fosse assim designado pelos chefes.
O original é uma história em quadrinho de Michael Brandt e Derek Hassm também autores do roteiro. A direção é do russo Timur Bekmambetov, o mesmo de “Anjos da Noite”(2004) e uma seqüência (2006). Do cineasta espera-se e chega um artesanato nervoso, seqüências com uma infinidade de tomadas, angulação bizarra e enquadramento que aproveita detalhes do quadro anamórfico. Também se espera o uso da cor de acordo com o assunto desde que se considere certos tons aberrantes como estímulos. Mas o que prevalece é o registro do ato violento. São corpos dilacerados, sangue derramado em abundancia, tiros e facadas em grande escala, e tudo isso sem nenhum pudor, sem nenhum senso de humanismo.
É claro que o mocinho se rebela contra a confraria e fica sabendo da verdade sobre o pai (nada a ver com a versão dos bandidos) Mas a posição do personagem não quer dizer que haja um detalhe moral resumindo a história. Matar por matar, ou por bem ou por mal, é a fotogenia procurada (e alcançada) numa trama absurda inteiramente.
O filme é um absurdo em nome do bom senso. Perdida na guerra da má qualidade está Angelina Jolie, muito magra (antes de engravidar dos gêmeos) e Morgan Freeman, antes de “Batman, o Cavaleiro das Trevas” e do desastre que quase custa a sua vida.
“Reino Proibido”(Forbidden Kingdom/EUA,2008), dirigido por Rob Minkoff de uma história de John Fusco é um conto de fadas sem fadas. Na China de tempos remotos um imperador valente é dominado e transformado em estatua. Quem domina é um homem cruel, que além de sua administração despótica ainda toma de um poção que lhe dá a imortalidade. Nos EUA de hoje um rapaz aficcionado de kung fu encontra no brechó que freqüenta, em Chinatown, um bastão que o dono da casa diz pertencer ao imperador hoje encantado. Uma invasão da loja por marginais leva o jovem a seguirar op bastão e com isso ser transportado no tempo e no espaço para o lugar da China onde está o imperador-estátua e reina o substituto cruel.No caminho, o moço encontra um mestre de artes marciais que só vive bêbado e um monge também especialista em defesa pessoal. Esses personagens vão ajudar na luta pela volta da normalidade na corte chinesa.
O filme conta com a presença de dois “monstros sagrados” do kung-fu: Jackie Chan e Jet Li. Eles vão se enfrentar mais uma vez em duelo, mas como são estrelas de artes marciais não assumem liderança (a luta sempre dá em empate). Mesmo porque nem Chan nem Jet-Li são vilões. O vilão é vivido por Colin Chu. E ainda tem o concurso de mulheres, uma do lado dos mocinhos, outra do lado dos bandidos. É neste gênero que se dão as baixas:morrem tanto a vilã como a heroína. E não se diga que os outros não corram perigo. O personagem do sempre engraçado Jackie Chan chega a ficar semi-morto e é salvo por pendores mágicos.
O interessante é que o filme apresenta muitas brigas, muitas lutas com armas brancas, mas não exibe derrame de sangue nem deformações físicas. A violência chega a ser coreografada, transformando a ação em um “musical sem música”. Por isso, o filme é inócuo, valendo como um espetáculo de ação puro e simples, com hábeis especialistas em um gênero de luta que mostram as suas qualidades como ginastas, nunca como guerreiros.
Os dois filmes estão em cartaz em salas próximas;.O espectador pode averiguar a diferença de tratamento de um determinado tema vendo os dois títulos. Enquanto em “Procurado” o que pesa é a explicitude do ato violento, a amostragem das conseqüências da ação, propondo um tipo de realismo que na verdade é uma composição bizarra do que se vê como sadismo (termo que vai além do que escreveu o Marquês de Sade), em “Reino Proibido” é um tipo de manifestação artística de raiz cultural muito antiga. Eu escrevi que é “um conto de fadas sem fada” e também “um musical sem musica”. As comparações procedem numa visão elegante da defesa pessoal, na fantasia dos vôos dos lutadores e na maestria dos que movem os músculos para derrubar adversário (sem a intenção de matar alguém).
O filme com Jet Li e Jackie Chan nada tem de excelente, mas diverte sem macular o sentido critico natural de um cinéfilo. O interpretado por Angelina Jolie e Morgan Freeman é um visual caprichado de um mau tema com um desenvolvimento que não reduz esse mal.(Luzia Álvares)
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Nevoeiro Apocaliptico

Cercados por uma névoa inexplicada, pessoas de índoles diversas escondem-se em um supermercado até que o tempo melhore. Um pai com o filho de 9 anos chorando a falta da mãe usa a pose de líder. Ele percebe que o gerador da loja está com defeito, que ao chegar a noite o pânico se instalará de forma incontrolável. Para piorar a situação, uma religiosa fanática prega que aquilo é o fim do mundo, que o nevoeiro é um sinal divino, que resta as pessoas entregarem sem resistência as suas almas ao Criador.
A prédica da beata gera uma confraria que aumenta na medida em que as tentativas de deixar o mercado se tornam infrutíferas (quem tenta morre) e o tempo de espera passa de 24 horas.
“O Nevoeiro”(The Mist) saiu da cabeça de Stephen King. No cinema foi dirigido por Frank Darabont, especializado em filmar King desde algum tempo (“A Espera de um Milagre”, é o melhor exemplo). Podia ser um simples “thriller” onde a tônica é o medo crescente que se apodera das pessoas confinadas por uma causa que não explicam. Mas há outras leituras, como a fácil proliferação de idéias em um microcosmo de limites frágeis, a influência malsã de preceitos religiosos traduzidos ao pé da letra, a “anatomia” e “fisiologia” do próprio medo, e a ciência trabalhada em clima experimental sem pesar efeitos colaterais danosos. Isto e mais o militarismo, a pugna pela criação de novas armas como defesa e ataque.
O filme fica na metade do caminho dessas vertentes curiosas. Mas não deixa de incitá-las, e com isso prender o espectador por duas horas e cinco minutos. É um dos mais instigantes King já filmados, mesmo com alguns atores não conseguindo disfarçar os seus limites.(Pedro Veriano)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

CINEMAS 1, 2 E 3 FOREVER

Infelizmente, as três salas da São Pedro fecharam semana passada. Sem dúvida, ficaram na história, nas lembranças e nas emoções de cada cinemaníaco que ali esteve nestes 30 anos de exibição e que nunca deixarão de lembrar a sua existência e sua importância nestas três decádas. Em nome de todos que fizeram estes cinemas funcionarem em todos estes anos, agradeço de coração ao público de Belém. Que o sonho que se terminou aqui, faça gerar novos sonhos na área de cinema. Afinal, a vida segue mais leve e com a sensação de missão cumprida.
Espero que alguém conte um dia a sua história vivida nestes cinemas. Tenho certeza que estas histórias dariam ótimos filmes que certamente seriam exibidos pelos Cinemas 1, 2 e 3.
Obrigado Belém ! Cinemas 1,2 e 3 forever !

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