quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"HANNAH SOBE AS ESCADAS" NO MOVIECOM ARTE DE 22 À 29/01


De 23/01 à 29/01/09
"HANNAH SOBE AS ESCADAS “
Com Greta Gerwing
Direção : Joe Swanberg
Duração : 83 minutos
Horário : 14:05 h
Local : Moviecom Castanheira Sala 04 - Projeção Digital
Genêro : Drama
Classificação Etária : 14 anosSinopse : Recém formada, Hannah vai trabalhar numa produtora, mas se apaixona pelos dois roteiristas que trabalham com ela. Enquanto se afasta do seu namorado, questiona se um possível envolvimento com os colegas poderá quebrar a harmonia profissional do trio.
Apoio : ACCPA

Marco Antonio Moreira

"NOSFERATU" DE MURNAU NO CINE CLUBE ALEXANDRINO MOREIRA DIA 26/01


Dentro da programação feita pela ACCPA no Cine Clube Alexandrino Moreira localizado no IAP, será exibido nesta segunda-feira, dia 26/01, às 19 h, com entrada franca, o clássico "Nosferatu: O Vampiro da Noite".
Vejam informações do boletim da ACCPA sobre o filme :
"NOSFERATU: O VAMPIRO DA NOITE"
Original: Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens
Alemanha, 1922
Direção de F. W. Murnau.
Roteiro de Henrik Galeen inspirado na obra de Bram Stoker (sem autorização)
Elenco: Max Schreck, Gustav Von Wangenheim, Greta Schröder.
Resumo- O corretor Thomas Hutler visita o conde Orlov sem saber que se trata de um vampiro. Este se apaixona pela mulher de Thomas, a jovem Ellen e quer transformá-la em vampiro como ele.
Importância histórica- O filme é um dos mais importantes do movimento expressionista no cinema alemão, seguindo “O Gabinete do Dr Caligari” de Robert Wiene feito três anos antes. Baseia-se no livro de Bram Stoker mas a abordagem deu em processo movido pela viúva do escritor. O sucesso mundial levou o cineasta a projetos mais ambiciosos culminando com “A Ùltima Gargalhada”(Der Letze Mann), trabalho sem qualquer dialogo em legenda (trata-se ainda de filme mudo), o seu passaporte para Hollywood onde faria “Aurora” e “Tabu”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"GESTO OBSCENO" NO MOVIECOM ARTE


"GESTO OBSCENO" NO MOVIECOM ARTE DE 16 À 22/01
Direção: Tzahi Grad
Produção : Israel
Genêro : Drama
Sinopse : Michael Klienhouse é o típico homem comum, casado e pai de um filho. Um dia, conduzindo sua família de carro, ele fecha o seu vizinho Dreyfus no trânsito. Sua esposa Tamar faz um gesto obsceno para Dreyfus, que revida jogando deliberadamente seu carro contra o de Michael, quase acertando Tamar. Michael acredita que pode resolver o mal-entendido chamando as autoridades, sem saber que Dreyfus é um violento veterano de guerra com altas conexões. Recusando-se a capitular diante do poder, Michael enfrenta um verdadeiro pesadelo. Prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinbema de Haifa
Apoio : LOJAS VISÃO E ACCPA
Marco Antonio Moreira

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

AINDA "A TROCA"


Dando continuidade ao enfoque sobre o filme "A Troca"(Changeling/EUA, 2008) espero avaliar sua afinidade com o chamado "film noir", titulo dado aos exemplares que geralmente tratavam de enredos policiais e se caracterizavam pela imagem escura, com os detetives trajando capas longas e chapéus de feltro, envolvidos em uma trama rocambolesca que se dirigia para a descoberta de um criminoso ou das causas que envolviam um crime. Os "noir", que nos livros de história do cinema tem o nome ligado ao produtor Jack L. Warner, que assim teria chamado as produções de baixo orçamento de sua própria firma (Warner Bros) ligadas ao gênero (policial/suspense), devem, também, o título aos críticos franceses (daí o termo "noir"/negro), estes culpando a Warner de economizar luz (spots) nas filmagens. Tantas "desculpas" acabaram por deixar marcas indeléveis na indústria cinematográfica, e, pode-se dizer que muito se deve ao cineasta John Huston, inicialmente como roteirista depois dirigindo exemplares marcantes do gênero como "Relíquia Macabra" (The Maltese Falcon/1949) e "O Segredo das Jóias"(The Aspohalt Jungle/1950).
"A Troca" é ambientado na Los Angeles do final dos anos 20 e a recriação do ambiente é um dos pontos altos da produção, também assinada (assim como a música) por Clint Eastwood, com direção de arte (cenografia) a cargo de Patrick M. Sullivan Jr. Esta ambientação já promove o filme à "noir", auxiliada que é pela introdução em preto e branco (em negativo colorido) com a logomarca da Universal Pictures da época (as letras girando em torno do globo). Mas a iluminação, a cargo de Tom Stern é capital para o desenvolvimento da trama e se alia aos requisitos dos "noir" típicos. Os enquadramentos, especialmente na casa de Christine Collins (Angelina Jolie) jogam a luz, em tom vermelho ou negro, para o lado e trabalham a economia de cores na construção de um ambiente que induz ou prediz a angústia que cerca a personagem. Pode-se perguntar por que o recurso não chega à fazenda onde se dá o crime hediondo que marca o filme. Mas, apesar da seqüência escura das crianças tentando fugir de um espaço cercado por alambrados, o quadro não é presenciado pela mãe do menino desaparecido. Ela é o centro das atenções da câmera e em torno dela corre todo o processo narrativo, com as exceções cenográficas endossando o conjunto.
É possível observar que a mis-en-scène de "A Troca" é fundamental na exposição da argumentação narrativa conduzida por um roteiro bem escrito.
Assisti ao filme de Clint Eastwood depois de ver o também importante "Lanchonete Olímpia" (Chocking Man/2006) fazendo o programa Moviecom Arte (sessão de 14 horas na mesma sala que exibe, a partir das 15h45, a obra de Eastwood). Apresso-me em recomendar aos leitores este filme porque o mesmo sairá de cartaz nesta quinta-feira, dia 15.
Aproveito o espaço para tratar de um filme que foi exibido e não mais estará à disposição do nosso público em tela grande (quem não viu no Cine Estação) deve esperar o DVD. Trata-se de "Mandela" (Goodbye Bafana/EUA, África do Sul, 2007) de Bille August. O roteiro de Gregg Later com base nos livros de Bob Graham e do próprio personagem James Gregory, aborda os anos de prisão do líder sul-africano Nelson Mandela, período em que os ingleses tiraram de cena uma figura popular deixando, no entanto, um movimento de violência nas ruas que acabaria por encerrar o famigerado "appartheid", sistema que tirava o poder do país das mãos da maioria negra, não só libertando Mandela como guinando-o à presidência que exerceria por algum tempo.
A narrativa linear procura dinamizar os fatos históricos como se o texto literário (a forma de uma novela) estivesse sendo lido através de imagens. Isto, aliás, é uma especialidade, digo assim, do diretor que realizou, entre outros títulos, "Pelle O Conqusitador" e "A Casa dos Espíritos".
O ator Joseph Fiennes protagoniza o sargento James Gregory nomeado para um cargo da Inteligência política do governo, numa prisão, onde fiscaliza as correspondências dos prisioneiros entre os quais se acha Nelson Mandela. Por seu desempenho, pode ser promovido a tenente se continuar denunciando as "partes proibidas" escritas nas cartas recebidas ou enviadas. Ele vai cumprindo a sua missão, mas a consciência dos fatos que presencia sendo também responsável pelos excessos quando uma denuncia que faz ao comando maior leva à morte o filho mais velho de Mandela em um suposto desastre de carro. Em seguida o militar começa a se questionar vendo os atos bárbaros de seus conterrâneos para com os prisioneiros. Seus dois filhos ainda criança sentem-se constrangidos com o que vêem e a ele cabe decidir atitudes que minam a sua carreira e chegam a preocupar a esposa, que sempre deseja melhoria de condições de vida (ela exerce a função de cabeleireira).
Fiennes está muito bem, e não se pode criticar igualmente a Dennis Haysbert, com boa caracterização do tipo que encarna, Nelson Mandela. Da mesma forma a narrativa procede como um documento para os que desconhecem o "appartheid" e como se deu a mudança política na África do Sul. Deixa na lembrança do espectador o papel de Gandhi na Índia. Uma peça histórica que o cinema estampa com sobriedade, merecendo atenção.
SITE
No dia 14, quarta feira, foi inaugurado o site do Espaço Municipal Cinema Olympia, no próprio recinto. Produzido pela Sol Informática, o espaço na Internet tem links para várias informações, como a história do mais antigo cinema do Brasil e curiosidades em torno de sua longa e produtiva presença como espaço cultural. Também focaliza a programação diária. Uma página bem construída que estava sendo pedida pelos que entendem que o Olympia faz parte da história de Belém. Afinal um presente para o aniversário da cidade.

Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"BERLIN ALEXANDERPLATZ" NO CINE LÍBERO LUXARDO


Maratona "Berlin Alexanderplatz" de Rainer Werner Fassbinder.
Cine Líbero Luxardo (CENTUR) - ENTRADA FRANCA
De 14 a 18 de Janeiro (quarta a domingo) a partir das 17:00h
Direção: Rainer WernerFassbinder,
Elenco: Günter Lamprecht, Hanna Schygulla, Barbara Sukowa, ElisabethTrissenaar e Gottfried John.
SINOPSE : Franz Biberkopf é um homem calmo, doce, delicado, mas também rude,violento e brutal, que vive na Berlim do final dos anos 1920. Ele anda pela cidade sem perspectivas, objetivos ou trabalho. A única coisa queo mantém em pé é a crença de que os seres humanos são bons,independentemente do quanto possam ser nocivos. A história começa quando Franz Biberkopf deixa a cadeia de Tegel, após cumprir quatro anos de prisão por homicídio. Andando sem rumo pelas ruas de Berlim,decide começar uma nova vida. Ele tem poucas pessoas com quem pode contar: sua ex-namorada Eva, agora uma prostituta de luxo, e o práticodono da hospedaria e sua esposa. Mas ninguém consegue trabalho paraele. Sentindo-se inútil, indesejado e desprezado, entrega-se à bebida.Com uma duração aproximada de 15 horas, "Berlin Alexanderplatz" é considerado a grande obra-prima de Fassbinder que morreu em 1982, deixando uma filmografia de mais de 40 filmes.

A TROCA DESUMANA


Clinton Eastwood Jr. fará 79 anos no próximo dia 31 de maio. Nascido em S. Francisco, Califórnia (USA), tem registrado seu perfil como Clint Eastwood desde os anos cinqüenta do século XX, como ator, diretor, produtor, roteirista, compositor e tantas outras dimensões que são parte da criação cinematográfica. Não só para o cinema em si, mas para a TV. Sua primeira aparição nas telas foi em “Revenge of the Creature (A Revanche do Monstro, 1955) dirigido por Jack Arnold, no papel não creditado de um técnico de laboratório. Nesse mesmo ano foi levado à TV por Dick McDonough em “Allen in Movieland”, com Steve Allen apresentando a banda de Benny Goodman num programa da Universal Studio. Clint teve o seu primeiro contrato assinado nessa empresa. Mas o que deu maior visibilidade ao então ator Eastwood foi sua presença em três filmes de Sergio Leone: “Per un pugno di dollari” (Por Um Punhado de Dólares 1964), “Per qualche dollaro in più” (Por Uns Dólares a Mais1965) e “Il Buono, il brutto, il cattivo”(3 Homens em Conflito 1966).
Estas referências curtíssimas querem apenas iniciar o texto sobre o mais recente trabalho do diretor Eastwood que desde os anos setenta está “por trás das câmeras” (Play Misty for Me, Perversa Paixão, 1971; The Beguiled: The Storyteller, 1971, curta metragem) e hoje circula entre nós com um dos filmes possivelmente já na lista de melhores filmes deste ano: “A Troca” (Changeling, USA, 2008). Com roteiro de J. Michael Straczynski o filme inspirou-se no drama de Christine Collins (Angelina Jolie), moradora no subúrbio de Los Angeles que em 10 de março de 1928, ao retornar à sua casa depois de um dia de trabalho extra como telefonista, percebe o desaparecimento de seu filho Walter, de oito anos. Depois de procurar intensamente nos arredores, telefona ao Departamento de Polícia (LAPD), mas em vão, eles dizem só receber esse tipo de denúncia depois de 24 horas. Daí em diante a busca inicia, seguem-se meses de investigação quando, certo dia, a mãe recebe a noticia de que seu filho fora encontrado. Mas ao olhar a criança Christine percebe não ser Walter, sendo, entretanto, obrigada pela polícia a confirmar que é o filho até acostumar-se com as mudanças que eles dizem ter ocorrido com o garoto se tornando estranho para o reconhecimento imediato. Daí em diante inicia-se a via crucis dessa mulher tentando provar que o menino não é seu filho, com o delegado encarregado do caso (Jeffrey Donovan) impondo suas declarações numa outra lógica e deixando de lado as afirmações da mãe. Da prisão em um hospital psiquiátrico aos choques para referenciar a “verdade policial”, contudo, Christine consegue aliados através de um ativista local, o Reverendo Briegleb (John Malkovich) e passa a outra seqüência de buscas e declarações públicas do fato até chegar a episódios fatais e a ocorrências de tortura e morte que demonstram a corrupção no LAPD.
“A Troca” envolve três eixos principais do texto narrativo. No primeiro, a construção dos tipos; no segundo a exposição do fato principal e exploração das personagens criando vértices para outros dramas; e no terceiro, a sublinearidade dos dois primeiros, apontando a dimensão crítica das instituições.
Estão, nos referentes do primeiro eixo, o tipo vivido por Angelina Jolie, o filho Walter e todos os demais, num demonstrativo de que, a cada momento essas figuras se relacionarão através do evento principal e serão refeitas conforme as ocorrências. A seqüência do instante em que a mãe sai para o trabalho extra e a câmera explora dois planos dela e do filho que observa de dentro de casa, por trás da janela, reflete duas situações não só a suposta visão antecipada da perda entre os dois. Isto é dado pelo diálogo anterior a esse momento – sobre o pai que não conhece o filho e jamais soube de seu nascimento; e sobre o agendamento de um novo programa de lazer em outro dia – reduzindo o impacto de uma estereotipia que poderia ser sentida na narrativa. A câmera em dois ângulos ao tomar a distancia o filho, deixa pensar na amargura dele pelo lazer desfeito. Além do mais, o roteiro não evidencia que a criança fica fora de casa quando a mãe sai. Isto é suposto, já no segundo estágio da ocorrência, quando Christine busca o filho pelos arredores da casa e questiona os colegas vizinhos sobre terem visto seu filho por lá.
No segundo aspecto, os vértices que se abrem apontam para o drama da mãe exposto no trabalho, no relacionamento com os policiais, com a Igreja, com a imprensa, com as pessoas que convivem em Los Angeles, com a justiça e, destas, com outras revelações que se tornam proeminentes e assinalam facetas não esperadas quer seja da polícia (que deixa de ser vista como um bloco unânime quando outro policial deixa de seguir ordens superiores com indícios do caso), da igreja (na pessoa do reverendo que quer usar o caso de Christine como causa contra a milícia de L.A.), da medicina (a serviço da polícia), e da justiça (não convertendo o fato em político, mas deixando que o júri estabeleça os contornos necessários para a condenação do réu ou, melhor, dos réus).
Quanto à crítica às instituições que o filme explora não atinge somente o comportamento dos policiais da LAPD, mas da política que subverte as intenções daqueles em acabar com a violência em LA. A denúncia à corrupção e ao “fazer crer” da milícia em supostas histórias de triunfalismos para “mostrar serviço”, é compactuado com o governo local onde arbitrariedades são consumadas “em nome da lei”. Sobre o motivo que levou Clint Eastwood a evidenciar um caso ocorrido no final dos anos vinte para os dias atuais li comentários que fazem a ligação com a reação do governo Bush sobre a situação do Iraque, forjando provas para daí extrair uma guerra. Minha opinião é de que a preocupação do diretor visa as instituições de um modo geral que açambarcam insensatez contra os direitos humanos.
Cotação – ( *****) Excelente

Luzia Miranda Álvares

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

TRÊS FILMES


Este fim de semana, vi três filmes que merecem serem comentados. "O Dia em que a Terra Parou" é uma refilmagem ruim e é aquilo que se esperava de uma produção hollywoodiana que custou tanto dinheiro para ser realizado e que tem seus compromissos comerciais acima de tudo. Com um roteiro fraco, que não explora as questões filosóficas do clássico de Robert Wise produzido em 1951, o filme tem poucos momentos interessantes que quando surgem, são rápidos e mal explorados. Com cenas desnecessárias e fracas atuações, o filme não consegue ser mais do que apenas uma superprodução bem feita, nos moldes do cinema americano de hoje. É uma pena. Já "Lanchonete Olympia" de Steve Barron é justamente ao contrário. É uma produção independente, livre, que explora as possibilidades de uma filmagem digital para contar a história de um imigrante timído que trabalha numa lanchonete de Nova York e é testemunha de várias situações e que tem que enfrentar suas dificuldades de se adaptar e se relacionar com as pessoas. Brilhante em vários momentos, o filme impressiona e revela que existe sim vida inteligente no cinema. Veja sem falta. Para terminar, vi "A Troca", mais um grande filme do veterano Clint Eastwood, que maravilhosamente dirige uma história emocionante sobre uma mãe que tem seu filho sequestrado. Sem exageros, Eastwood conta o drama de uma forma envolvente, séria e reveladora. Desde já, "A Troca" é um dos melhores filmes deste ano.

Marco Antonio Moreira

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