terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"ASAS" NO CINE CLUBE ALEXANDRINO MOREIRA DIA 16/02


"ASAS"(Wings)
EUA-1927
Direção de William A. Wellman
Roteiro de William A. Wellman John Monk Saunders eHope Loring.
Fotografia de Harry Perry
Edição de E.Lloyd Sheldan e Lucien Hubbard.
Elenco:Charles “Buddy”Rogers, Clara Bow, Richard Arlen, Jobyna Ralston eEd Brendel
Argumento: Jack (Charles “Buddy”Rogers) e David(Richard Arlen),rapazes da classe média da mesma cidade, resolvem se alistar na aviação quando eclode a 1ª.Guerra Mundial. Sylvia(Jobyna Ralston) é a namorada de David mas ao preparar um retrato para a carteira deste recebe a visita de Jack que pensa ser para ele a foto. Mary (Clara Bow) gosta de Jack e o ajuda no seu “hobby” que é o automobilismo(ele e ela preparam um carro que chamam de “Estrela Cadente”).De Mary o rapaz leva também uma foto. E David leva da mãe um pequeno urso de pelúcia que foi seu brinquedo de infância. Os dois fazem heróicos combates, mas às proximidades da volta David morre, sendo reconhecido pelo pequeno urso. O regresso de Jack à sua terra natal é extremamente dramático.
Importância histórica: O filme foi o único da fase silenciosa a ganhar um Oscar. O primeiro a ser conferido pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Revela um pouco da carreira do diretor como piloto de guerra. A intriga que engloba velhos amigos em situações perigosas foi novamente abordada por ele em “Beau Geste”(1939). O traço melodramático característico do cinema mudo está presente assim como as expressões teatrais dos intérpretes para suprir a falta de diálogos.Mas as cenas de combate aéreo, utilizando miniaturas e aviões de verdade, chamaram a atenção. Dois anos depois o tema “aviação” serviria a Howard Hughes para o seu “Anjos do Inferno”. Observe-se a curiosidade que este tema despertava nos primeiros anos dos aviões e na estréia desses engenhos como arma de guerra.“Asas”fez grande sucesso de público e de critica em seu tempo.
Horário : 19 h
Entrada Franca
Local : IAP (ao lado da Basília de Nazaré)
Apoio : ACCPA/Instituto de Artes do Pará
PRÓXIMO PROGRAMA:
“No Tempo das Diligencias”(Stagecoach/1939) de John Ford
Pedro Veriano

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"O CARREGADOR DE ALMAS" NO MOVIECOM ARTE DE 06 À 12/09


"O CARREGADOR DE ALMAS"
Em exibição de 06 à 12/02/09
Direção : Conrad Clark
Com Jia Hong
Duração : 88 minutos
Genêro : Drama
Classificação Etária : 12 anos
Sala : Moviecom Castanheira Sala 04 – Projeção Digital
Horário: 17:55 h
Sinopse : Na China contemporânea, um jovem empregado de uma construtora não tem dinheiro para comemorar seu aniversário. Quando pede um empréstimo ao seu chefe, acaba sendo escalado para cuidar do corpo de um funcionário morto em serviço. A partir daí, o jovem carrega o defunto em sua van na tentativa de entregá-lo a família. A estréia do inglês Conrad Clark na direção lhe rendeu um prêmio no Festival de San Sebastian.

APOIO:
ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

"O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO" NO CINE ESTAÇÃO


Um dos mais importantes exemplares do Cinema Novo estréia neste domingo (8), no Oi Cine Estação, em versão restaurada. Vencedor de vários prêmios internacionais, brasileiro "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", de Glauber Rocha, será exibido neste domingo (8) em duas sessões, às 10h e 18h. O filme volta em cartaz nos dias 15 e 28/2 e 1º/3, sempre no Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas. A programação é uma realização da Organização Pará 2000, Secult e Governo do Estado, com patrocínio da Oi.
"O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", primeiro filme colorido com som direto, é uma obra prima do cineasta Glauber Rocha. O filme conquistou inúmeras premições – dentre elas, se destaca o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 1969, entregue por Michelangelo Antonioni.
Rodado em som direto, "O Dragão..." impôs novos desafios a Glauber, que naquele momento lutava pela ampliação do mercado através da produção de filmes sintonizados com o universo mítico do homem latino-americano. Tamanha foi a repercussão na época que o filme tornou-se capa da prestigiosa revista francesa "Cahiers du Cinema" se tornando o maior sucesso de público da carreira do autor.
Os negativos originais do filme foram destruídos em um incêndio, dia 25 de junho de 1973, no Laboratório GTC em Paris. O restauro digital da imagem foi realizado a partir de uma cópia com versão sonora francesa no Laboratório Prestech, na Inglaterra, com curadoria de João Sócrates Oliveira e Supervisão de Fotografia de Affonso Beato. Por este motivo, as cenas das canções, que não foram dubladas, contêm legendas em francês. Na reconstrução da versão sonora em português feita na Cinemateca Brasileira e no Estúdio JLS, sob curadoria de José Luiz Sasso, foram utilizadas, contudo, cópias de diferentes suportes.
Responsável pelo projeto, a curadoria do Tempo Glauber, pelo valor documental, decidiu preservar o texto introdutório do filme existente na versão francesa que serviu de base para a restauração, traduzindo na íntegra, o seu conteúdo. Os créditos da equipe técnica e do elenco passam a constar nos letreiros finais do filme, devidamente traduzidos e corrigidos.

A história
Glauber transpôs de forma alegórica para o sertão nordestino sua paixão pelo cinema mítico de John Ford dialogando com a narrativa de cordel para refletir o embate entre o arcaico e o moderno, os cangaceiros, jagunços, beatos e o poder oligárquico dos coronéis. "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" (drama, Brasil, 1969) se passa em uma cidadezinha chamada Jardim das Piranhas. Lá, aparece um cangaceiro que se apresenta como a reencarnação de Lampião. Seu nome é Coirana. Anos depois de ter matado Corisco, Antônio das Mortes (personagem de "Deus e o Diabo na Terra do Sol") vai à cidade para ver o cangaceiro. É o encontro dos mitos, o início do duelo entre o dragão da maldade contra o santo guerreiro.
"O Dragão é inicialmente Antonio das Mortes, assim como São Jorge é o cangaceiro. Depois, o verdadeiro dragão é o latifundiário, enquanto o Santo Guerreiro passa a ser o professor quando pega as armas do cangaceiro e de Antonio das Mortes. Em suma, queria dizer que tais papéis sociais não são eternos e imóveis, e que tais componentes de agrupamentos sociais solidamente conservadores, ou reacionários, ou cúmplices do poder, podem mudar e contribuir para mudar. Basta que entendam onde está o verdadeiro dragão", comenta o diretor Glauber Rocha.
Outros personagens vão povoar o mundo de Antônio das Mortes. Entre eles, um professor desiludido e sem esperanças; um coronel com delírios de grandeza, um delegado com ambições políticas; e uma linda mulher, Laura, vivendo uma trágica solidão. O filme traz no elenco Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares e Lorival Pariz. Com duração de 95 minutos, o longa-metragem tem classificação indicativa para 14 anos.
Serviço
"O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" estréia neste domingo (8), às 10h e 18h, no Oi Cine Estação (Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas). O filme será exibido novamente nos dias 15/2, 28/2 e 1/3, sempre às 18h. Realização: Pará 2000, Secult e Governo do Estado. Patrocínio: Oi. Ingressos a R$ 5, com meia-entrada para estudantes. Informações: (91) 3212-5615/ 5660.
APOIO :
ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

MONIZ VIANNA(1924-2009)

Morreu no dia 31 de janeiro o médico e jornalista baiano Antonio Moniz Vianna , um dos mais festejados críticos de cinema no Brasil dos anos 50/60 e 70.
Moniz escrevia no “Correio da Manhã”, matutino carioca fechado depois do golpe de 1964 quando cedo atuou na oposição ao governo instalado no país. Era um critico que procurava ser sempre pessoal, usando de um estilo de fácil acesso ao leitor médio (aquele que não se vê como “entendido em cinema”) para defender posições alicerçadas na sua sensibilidade, no seu modo de ver a arte que tocava a sua sensibilidade.
Pode-se dizer que muitos críticos brasileiros formaram-se no modelo de Vianna. Até no modo apaixonado como ele defendia a sua visão de um filme. Ele era capaz de dizer que detestava o “cinema novo” brasileiro, que aqui “não se fazia filme, mas difilm”(Difilm era o nome da produtora do movimento, empresa de Glauber Rocha, de c Walter Lima Jr, e de outros nomes que saíram da coletânea “5 Vezes Favela”). Elogiava o western, seu gênero preferido, e tinha John Ford como o maior dos diretores. Também elogiava o cinema japonês de Kurosawa, as comédias sociais de Frank Capra, a produção britânica especialmente do Ealing Studio de Michael Balcon, exibia um grupo de cineastas preferidos, não tinha “pudor” em mandar alguns clássicos à vala comum e elogiar o comum que desejava jogar entre os clássicos (e hoje está acontecendo nas locadoras de vídeo).
Vianna não chegava a macular filmes básicos com as “bolas pretas” que alguns colegas tiravam da cartola à guisa de cotação (como Rubem Biáfora e Mauricio Gomes Leite). Nem jogava confeti à toa em cabeças coroadas. Sabia achar virtudes em obras toscas, aparentemente defeituosas.
Há pouco mais de 4 anos algumas de suas criticas foram publicadas em um livro com seleção organizada por Rui Castro: “Um Filme por Dia”(Companhia das Letras/2004) .Realmente Moniz criticava um filme por dia de 1946, quando estreou sua coluna de cinema no “Correio...” a 1973, no fim do jornal. Foi um largo período para analisar praticamente a história de uma arte. Lá esteve comentado o cinema mudo com as suas “escolas”, o falado com as dele, os novos de diversos países, as comunicações às vezes diretas da cinematografia com a política.
A ACCPA rende seu tributo de divida para com a persistência de Moniz Vianna. Pouca gente gostou tanto de ver filmes e de comentar filmes. Este prazer é o que norteia uma associação de cinéfilos, ou cinemaniacos, ou o nome que se dê a quem não sinta remorso, e sim prazer de passar boa parte da vida numa sala escura vendo uma tela iluminada.
PARANOIA AMERICANA

“Queime Depois de Ler”(Burn after reading/EUA,2008) é uma volta dos irmãos Joel e Ethan Coen à comédia de erros, linha que trilharam desde “Arizona Nunca Mais”, um de seus primeiros filmes.
O roteiro é a grande estrela do trabalho. Amarra de forma inspirada elementos que traduzem a mania de perseguição que segue o americano médio desde 11/09/2001. Basta citar a seqüência em que George Clooney pensa que Frances McDormand, com quem tem um caso, está ligada a CIA e por tabela à morte de uma pessoa a quem ele, de alguma forma, acabou ligado. Apavorado, afastando-se dela,ele olha para os lados em um parque de Washington (onde se vê ao longe o Obelisco e o Capitólio), pensa que as pessoas o estão observando, ora fotografando, ora filmando, ora simplesmente direcionando olhar, e sai correndo aos gritos. Frances, por sua vez, ao dirigir seu carro, pensa a mesma coisa e vê até no vôo de rotina de um helicóptero um “espia” de seus movimentos.
Toda a parafernália começa quando um agente da CIA (John Malkovich) resolve se despedir e escrever as suas memórias. No bojo disso, ele que está com um casamento em ruínas, faz um inventário de seus bens pesando no divorcio iminente e coloca os dados num CD. Quando ele perde o disco, quem acha, um garotão que trabalha numa academia de ginástica (Brad Pitt excelente), pensa que se trata de dados ligados a espionagem e passa a dica para a colega Frances, que no momento quer dinheiro para fazer cirurgias plásticas impensadas por seu plano de saúde. Os dois começam a chantagear o ex-agente, e como este sabe do que se trata, fica furioso por ser importunado por besteira. Mas quando a chantagem não dá certo, Brad (ou Chad, o personagem) e Frances (Linda) resolvem entregar o CD para os russos. Um diplomata russo sentencia: “- Vocês não são nada patriotas...”
Como tudo se trata de bobagens, o giro das coisas traz o ridículo mesmo quando alguns tipos passam a morrer. Os Coen brincam com essas mortes (que não chegam a ser detalhadas). A violência não cabe numa comédia de erros. Para rir basta a cupidez de alguns, a paranóia social, a instabilidade afetiva em casais desencontrados ou pares que se buscam.
O filme é muito engraçado, bastante engenhoso, e pela construção impecável, mesmo usando de caricaturas (Francês McDormand exagera, assim como George Clooney) lembra as “screwball” do tempo de Cary Grant & Priscilla Lane & Kate Hepburn & Howard Hawks & Leo McCarey e o hoje esquecido imerecidamente Gregory La Cava.
O cinema sempre precisa de comédias inteligentes. Esta é uma delas, valendo como um remédio nos dias de hoje onde as coisas estão sendo levadas muito a sério.(Pedro Veriano).

domingo, 1 de fevereiro de 2009

'PATATIVA DO ASSARÉ" NO CINE OLYMPIA DE 03 À 15/02


"PATATIVA DO ASSARÉ : AVE POESIA"
Um filme de Rosemberg Cariry
Vencedor do prêmio de melhor Longa Metragem do 5º Festival de Belém do Cinema Brasileiro
O filme “Patativa do Assaré – Ave Poesia” aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, destacando a relevência de seus poemas, o significado político dos seus atos e sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus o saber erudito.Este documentário é uma obra importante sobre aspectos fundamentais da vida e obra desse poeta popular que se transformou num patrimônio cultural e afetivo do povo brasileiro.
Local : Espaço Municipal Cine Olympia - de 03 à 15/02/09
Horário: 18:30 h
Exibição em DVD
Apoio :
ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)
FIM DE UM TEMPO

Havia uma foto no escritório do Cinema 1 em que apareciam pessoas ligadas ao projeto de 2 salas de exibições e que naquele instante assistiam a cerimônia de colocação da pedra fundamental dessas salas. Podem-se ver o dono do espaço, Alexandrino Moreira, sua esposa Lourdes Moreira Carvalho, os jornalistas Edwaldo Martins, “Mano”Flores, e Rafael Costa, o advogado José Augusto Affonso II (seria juiz do trabalho anos depois), o engenheiro Gelson Silva, o pai dele, Ofir, o cineasta Januário Guedes, e os amigos dos Moreira e críticos de cinema Luzia Miranda Álvares e Pedro Veriano. Do grupo, só restam os três últimos. A maioria está vendo as estrelas mais de perto. Como os cinemas que nasciam.
Não é só nos discursos de presidentes que se diz que “o mundo mudou”. Ontem, cinema era disposto em filas de poltronas quase na horizontal, com os espectadores rezando para que nenhum “gigante” sentasse na sua frente. Hoje o modelo “stadium” põe uma fila em cada degrau de escada. Ontem, o som era mono ou estéreo, percebendo-se mais os agudos na medida em que os operadores que faziam tudo mecanicamente. O “dolby” com suas vertentes para saída de som em caixas laterais exigiu mais dos técnicos e esses culparam a flutuação de energia para dissonâncias como o aumento do som grave a difícil percepção de detalhes. Ontem se podia entrar numa sala pelo meio de um filme e ficar para ver a outra sessão. Hoje os “borderôs” (relatórios do movimento financeiro das casas) são feitos pela Internet, a aferição de ingressos através de códigos de barras, não se podendo dividir público de uma sessão para outra. Ontem era possível ir a uma sessão tarde da noite e sair fagueiro para casa a pé, de ônibus ou de carro particular. Hoje o medo de assalto impede muita gente de fazer programas noturnos de longo alcance. Ontem as distribuidoras de filmes acatavam os exibidores que programavam títulos, datas e horários. Hoje, se um filme está fazendo uma bilheteria compatível com a média estipulada pelo distribuidor ele não pode ser retirado do cartaz. E vice-versa: se um bom filme obteve fraca receptividade na primeira semana de exibições não se tenta uma segunda mesmo sabendo que pode ser descoberto pelo público.
O mundo realmente mudou. A própria industria hoje elimina certos limites entre o que se chamava “comercial” e “artístico”. O nome “cinema de arte” acabou na prática (só os exibidores ainda o consideram). Quem fazia cinema experimental, como, por exemplo, o alemão Werner Herzog, hoje faz trabalhos versáteis como “ O Sobrevivente”. E filmes antes considerados herméticos, hoje são considerados ingênuos.
Belém dos anos 1970 abrigava 4 empresas exibidoras: Severiano Ribeiro, Livio Bruni (que adquiriu a Cardoso & Lopes), Ópera e Cinema de Arte do Pará Ltda. Em 2009 só existem Ópera e Moviecom, este último com sede no sudeste do país.
E o gosto do público é que não mudou tanto. Comédias românticas e aventuras de grande porte de produção ainda atraem. Temas densos são preteridos. A idéia de “diversão” permanece. Com o velho argumento de que “já basta a vida ser difícil para se pensar nisso no escurinho de um cinema”.Argumento que muda um pouco com a juventude mas não desvia gêneros: importa o que seja “legal” (cool). Tendo por isso qualquer ritmo (a música influi) que “badale”, que empolgue.
E amanhã? Bem, amanhã é outro dia...(Pedro Veriano)

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