quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"O SILÊNCIO DE LORNA"


"O SILÊNCIO DE LORNA"
Certo cinema segue amarras de uma narrativa propícia a uma trama delineada para a empatia do espectador. Desde que o espetáculo foi criado pelos irmãos Lumiere essa visão de episódios contados trouxe a atração/aproximação com o público. Mas a linguagem evoluiu, incorporaram-se novos conteúdos e hoje a forma de fazer cinema diferencia-se. O chamado “cinemão” já tem a fórmula própria e adequa o gosto do público em imagens com a abordagem tradicional de “contar história”. Isso é mais palatável ao sabor das platéias e mais rentável. E o pior, muito cobrado por esse público.
“O Silêncio de Lorna” (Le Silence de Lorna, - Bélgica, Reino Unido, França, 2008), escrito e dirigido pelos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne foge à regra. No enredo, Lorna (Dobroshi), imigrante albanesa, naturalizada belga devido o casamento com Claudy (Jérémie Renier), um viciado em drogas, se acha às voltas com um esquema de união, agora com um russo, arquitetado por um amigo taxista, cujo plano é eliminar o marido de Lorna com uma overdose e realizar o novo contrato dela com o pretendente. O sonho anterior da jovem de deixar o Kosovo obtendo a nova nacionalidade inclui, agora, montar uma lanchonete com o namorado real, Soko (Alban Ukjai), e para isso terá que conseguir recursos. Com a morte de Claudy, a transação quase fechada e os acordos negociados, Lorna descobre que está grávida e que não quer perder a criança. Uma reviravolta em sua pretensão dá outra tonalidade á racionalidade mantida na atitude anterior.
O processo narrativo do filme controla a forma de exposição dos personagens na trama. Explora o tipo frio de Lorna no relacionamento profissional, em casa com o marido, na transação com o taxista mafioso, observando o ir e vir das atitudes da jovem e quando nas seqüências finais do filme é supostamente definido o caráter da personagem num comportamento esperado, um último elemento consagra o imponderável. O que se supõe estar determinado apresenta mudanças.
Claudy mescla as imagens do tipo do viciado com aquele que tenta fugir das drogas na expectativa de conviver com a mulher que ama. Contudo, depende desta a nova vida (a premência em solicitar favores a Lorna, por exemplo, ou a decisão em isolar-se em casa para fugir aos traficantes que o perseguem), mas o esquema montado pelos mafiosos já decidiu seu destino. Se inicialmente é possível reconhecer a adesão de Lorna ao jogo para chegar a consecução de seu sonho após a união com o namorado, aos poucos vai sendo reprocessada essa atitude, seja como meio de ganhar a confiança de Claudy e conseguir o que quer, seja porque foi seduzida pela dependência dele a ela.
A narrativa é um modelo de economia de planos. Não há nada supérfluo e muitas vezes uma seqüência é interrompida para dar lugar à outra que começa “do meio”, uma das características da singularidade da produção. A exemplo: vê-se um plano aberto de Lorna despedindo-se do marido que compra uma bicicleta e sai pela rua. Ela corre atrás até certo ponto e se despede ciente de que vai encontrá-lo em casa depois do trabalho. O corte é para uma cena no IML quando Lorna reconhece o corpo de Claudy. O semblante fechado compreende o jogo dos mafiosos. E o que se segue é uma lenta ameaça, um processo que se corporifica a partir da reação da jovem albanesa ao novo contrato de casamento. Ainda mais quando sabe que a gravidez está fora do contrato. A opção por não abortar revela a outra Lorna, decidida a manter a lembrança da única pessoa que a amou, inscrita no seu corpo.
O final do filme foi motivo de reclamos tanto de críticos internacionais como de certo público. O fecho reticente seguiu o interesse dos Dardenne em afastar-se do esquema novelesco e ver a sua personagem fugir ou morrer. É esse o plano do imponderável, ou seja, o crédito das possibilidades de mudança na atitude das pessoas quando estas se singularizam por acreditarem na dignidade humana. Só no final Lorna percebeu a afinidade que tinha com Claudy e com indignação repele o novo crime. Embora se surpreenda com a overdose que matou o marido não havia sido tão incisiva contra a premeditação do assassinato. Não é a visão da culpa a pedir remissão a manutenção da gravidez, mas o respeito pelo que significou entre planos de armação comercial e o afeto percebido como fraqueza e instabilidade de um viciado que queria mudar de vida por causa dela. Esse é o mote que os irmãos diretores sempre revelam em seus filmes para tratar da condição humana e denunciar a mercantilização social. Conferir sobre isso a argumentação de seu filme “A Criança” (2005) quando o foco se dá sobre um casal jovem e o padrão “normal” de sentimentos desconectados da condição de serem pais, com uma negociação em jogo. Entre a racioalidade das les sociais e a forma de vivência dos humanos, o caráter anárquico não os despoja do afeto e do desejo.
O filme não seria o mesmo sem o desempenho da Arta Debroshi aqui em seu terceiro filme como intérprete. Ela impressiona a partir de uma máscara que traduz os sentimentos, mesmo que a pessoa em foco, no fim de contas, sinta a ambigüidade e, como referi acima, fique no ângulo do “no trespassing” sobre Lorna. A exemplo: são significativos os planos em um bar onde ela é forçada a dançar com o russo que lhe destinam para segundo marido. Ao se levantar da mesa e sair à pista com ele, ora em close, ora em plano médio, seguindo-se o momento que fala de sua suposta gravidez, tudo se concentra mais nas expressões do que nas palavras. E o filme inteiro é trabalho nas imagens. A câmera se movimenta de uma forma tão singela que o espectador, acompanhando a trama, nem sabe distinguir o perfil das tomadas, sentindo apenas os cortes bruscos.
Cotação: **** (Muito Bom)

Luzia Miranda Álvares

"QUEIME DEPOIS DE LER"


"QUEIME DEPOIS DE LER"
Os irmãos Ethan e Joel Coen não se furtam a demonstrações de humor, mesmo quando os seus roteiros implicam em cenas de violência. É certo que se tornou um pouco difícil rir de algum momento no premiado “Onde os Fracos Não Tem Vez”. Mas o filme manteve a ironia ao extravasar as nervuras de uma sociedade numa radiografia inversa do país. A comédia foi principal objeto do filme seguinte desses criativos irmãos cineastas: “Queime Depois de Ler”(Burn after reading/EUA, 2008).
O argumento trás para a cena o odisséia do agente da CIA Osborne Cox (John Malkovich) que é convidado a sair do setor de inteligência acusado de alcoolismo. Ele deixa o emprego e decide escrever suas memórias. A esposa Katie/Tilda Swinton está em vias de pedir o divorcio, sendo aconselhada pelo advogado a organizar o inventário dos bens do marido. Casualmente o disquete com a relação dos pertences de Cox é perdida e achada por Chad (Brad Pitt), funcionário de uma academia de ginástica e, junto com a colega Linda (Frances McDormand) decidem chantagear o ex-agente pensando que se trata de grandes planos de espionagem. Como há relutância do objetivado, o dois vão à embaixada russa tentar vender o disquete. Linda quer dinheiro para fazer várias cirurgias plásticas. Entrementes, Harry Pfarrer (George Clooney), amante de Katie, mantém uma relação virtual com Linda e entra na história ao invadir o apartamento da amante e, deparar, surpreso, com Chad dentro de um armário. Um tiro mata o funcionário da academia e começa uma ronda violenta que envolve toda a cúpula da CIA e as demais figuras que se fazem tanto de chantagistas quanto de espiões.
A trama de “esconde-esconde” satiriza a famosa agência de espionagem, os resquícios de guerra fria, a cupidez de algumas pessoas, a volubilidade de outras, os desencontros dramáticos que por serem coincidentes geram o riso.
Tratar de um “imbróglio” desse jeito precisa ter um bom roteiro enxuto e conciso para não se perder a ação em vertentes inúteis (e desviar o ritmo). E, naturalmente, uma boa direção onde se inclui não só o processo narrativo como a condução do elenco. Nada disso falta aos Coen. Pode-se achar que Francês McDormand e George Clooney resvalam para a caricatura, mas não se pode pedir outra postura quando o objetivo é uma comédia de erros.
O filme deve ser visto com atenção para não se perder detalhes, e são muitos a costurar uma intriga volumosa em apenas 90 e poucos minutos de projeção. O elenco “all star” em um projeto basicamente modesto é uma prova do prestigio dos Coen. E só quando eles estavam filmando “Queime Depois de Ler” é que souberam da premiação ao imediatamente anterior “Onde os Fracos...”. Vale dizer que os irmãos gozam de grande consideração na indústria e pode-se esperar muito mais a enriquecer uma filmografia que abriga títulos marcantes como “Gosto de Sangue”, “Arizona Nunca Mais”, “Barton Fink”, “Fargo”.
Programa imperdível.
Cotação: ****(Muito Bom).

Luzia Miranda Álvares

"OPERAÇÃO VALQUÍRIA"


"OPERAÇÃO VALQUÍRIA"
Em 20 de julho de 1944 oficiais alemães executaram um atentado contra o ditador Adolf Hitler, chefiados pelo coronel Claus Von Stauffenberg, uma vitima da guerra (perdera um olho e uma das mãos em um bombardeio aliado) e um avaliador das ações bélicas negativas tomadas pelo “fueher” em nome do povo alemão. O plano apossava-se da Operação Valquiria ordenada pelo próprio Hitler para usar tropas alternativas quando fosse necessário. Na versão dos oficiais rebeldes, aproveitando ordens assinadas pelo “fueher”, seria um modo de imediatamente após o atentado mudar radicalmente as rédeas do governo.
A organização do atentado previa a elaboração de uma bomba acondicionada em uma maleta e levada pelo coronel Stauffenberg para o local de uma reunião ampliada onde Hitler e auxiliares discutiriam o fracasso das tropas nazistas na frente russa. Numa encenação inicial, houve instabilidade no mando entre os “cabeças” do atentado. A ação visava deixar a bomba sob a mesa, bem próxima do objetivo – Hitler – seguindo-se a saída de Stauffenberg alegando que precisava telefonar. No segundo momento, o plano deu certo e, da cabine telefônica, o coronel presenciou a explosão. A magnitude dava margem a pensar no sucesso do plano e imediatamente foram acionados os militares que aguardavam impacientes o resultado. Mas Hitler não morreu. Nem ficou gravemente ferido. Com a roupa rasgada e ligeiras escoriações partiu, imediatamente, para a revanche. O corte da linha de comunicação com todos os líderes no comando identificou o informante de sua “morte”. Além do que, os autores já montavam o novo governo em Berlim e as tropas já estavam divididas, dados que levaram aos oficiais suspeitos do golpe, com a prisão e execução de todos.
O fato histórico já foi alvo do cinema em pelo menos um filme marcante: “Aconteceu em 20 de Julho” ( Es Geshachah am 20 Juli/Alemanha, 1955) de G. W. Pabst. A dispendiosa produção atual, bancada pelo ator Tom Cruise com poucas inclusões para um acabamento comercial recebeu a direção de Ryan Singer (de “X-Men”) e o roteiro preso ao assunto, de Christophe McQuarrier.
“Operação Valquiria” (o nome vem de uma ópera de Wagner e há uma citação da preferência de Hitler pelo compositor) é uma obra de indústria, bem administrada, com o cuidado de não fugir dos fatos históricos. Essa perspectiva, não deixa de ser um elogio posto que não houve outra pretensão além da evidenciada. E as criticas, no caso, caberiam ao “mais”, que foi omitido, como o fenômeno do nazismo em si, aos motivos que levaram o povo alemão a seguir de forma apaixonada um ditador paranóico, ao balanço dos atentados que Hitler sofreu na sua carreira política, apenas um deles, dentre os conhecidos (o filme cita 15 embora outras fontes só mencionem 4 importantes) cometido por um civil: um carpinteiro de nome Georg Elser que em 1939 planejou explodir uma cervejaria freqüentada pelo já chanceler alemão (o plano falhou porque um discurso de Hitler, esperado para terminar às 22 horas, acabou mais cedo). Também não foram especulados os motivos que levaram a oficialidade a tentar o golpe antes do previsível fim da guerra (que ocorreu dez meses mais tarde). Em julho de 1944, os aliados já haviam invadido o front de guerra pela Normandia, fato ocorrido em junho, e os exércitos nazistas estavam em retirada em várias frentes. Precipitar o fim das coisas seria uma forma de salvar Berlim de um desastre total, o que aconteceria com a entrada das tropas russas ou norte-americanas na capital do país. Mas as falas do filme deixam reticências, preferindo jogar a idéia para o coronel mutilado, a seu ver o herói (elogiado pelo “fueher”) que já cumprira a sua missão de soldado e passara a achar tudo aquilo um sacrifício em vão.
O roteiro prefere, como o filme de Pabst, concentrar-se no atentado de 20 de julho. E a condução narrativa não furta o espectador de um suspense, mesmo que saiba como a história terminou. Pode-se dizer que Tom Cruise fez um grande esforço no papel, embora o seu tipo físico não se enquadre com Stauffenberg que era alto e sem o porte de galã do ator de “Missão Impossível”.
Curioso é que “Operação Valquíria” não fez uma boa carreira comercial nos EUA. Lançado no final do ano passado ocupou na primeira semana o 4º lugar nas bilheterias e logo caiu vertiginosamente. O prejuízo foi evitado no mercado externo, com boas rendas, inclusive na Alemanha. Cruise veio ao Brasil ajudar na divulgação de seu trabalho. E deve ter conseguido alcançar seus objetivos, a julgar pela procura de ingresso nos cinemas lançadores.
Quanto ás filmagens, foram feitas na cidade de Brandemburgo, na Alemanha, com alguns planos em estúdio. O governo alemão colaborou na cessão de “extras”, mas, mesmo assim, o projeto saiu por US$ 60 milhões, quase um orçamento de “blockbuster”.
Sem que haja evidente referência nos pôsteres e material de divulgação do filme, observa-se o ator-cineasta Kenneth Branagh (“Henrique V”, “Hamlet”, ”Frankenstein e Mary Shelley”) no papel do Major General Henning Von Treskow. Também está no elenco um bom ator inglês que tem demonstrado a sua versatilidade em dramas (“Sonho de Cassandra”), romances (“Razão e Sensibilidade”) e comédias (“A Importância de Ser Ernesto”): Tom Wilkinson (interpreta o Major Friedrich Fromm).Um programa interessante, especialmente para os que gostam de filmes de guerra.
Cotação: *** (Bom).

Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com
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"O CARREGADOR DE ALMAS"


"O CARREGADOR DE ALMAS"
Filme muito interessante e de temática reflexiva é este "O Carregador de Almas" (Soul Carriage/Inglaterra,China,2006) assinado por um diretor inglês estreante, Conrad Clark, 30 anos, além de roteirista de uma história de Saleh Karama., tendo no currículo a fotografia e produção de "Love Struck", de 2005.
A trama capta o dia a dia de uma construção civil na Kangai dos dias de hoje, onde circulam os operários das várias áreas. Um destes, Jaio (Yiung Chen), pede ao patrão uma pequena quantia para comemorar o seu aniversário. O patrão nega. A única forma de ganhar algum "extra" é conduzir o corpo de um colega fatalmente acidentado até a casa deste, numa província do interior. Dirigindo uma caminhonete, o rapaz passa mais de um dia para chegar ao endereço estipulado, mas encontra uma festa de casamento. O morto seria filho do dono da casa. Levado para reconhecer o cadáver, o pai acaba negando o parentesco ou mesmo o conhecimento de quem seja. A alternativa seria encontrar uma provável namorada do morto, que é cantora num bar próximo. Não é muito fácil achar esta figura, mas, ao encontrá-la, surge outra negativa. Embora amiga do morto reconhece não ter havido um relacionamento intimo entre eles. Mas informa que a namorada seria outra cantora, procurada e encontrada a qual indica a aldeia onde morariam os familiares do jovem. O próximo passo seria deixar o corpo com a mãe do rapaz, na região de montanha. O cansaço de um íngreme percurso de dois dias leva o carregador a uma estrada intransitável com máquinas obstruindo o espaço.
Tal como em "Em Busca da Vida" (Sanxia Haoren/China,2006) de Zhang Ke Jia, o país é um quintal de obras. Restaria abandonar a "encomenda" numa rua. Segue-se uma cena altamente dramática: bebendo "sakê" até se embriagar, o carregador conversa com o cadáver incitando-o a beber com ele. Resta um monologo que evidencia a solidão de quem fala. Está chovendo e a câmera, em plano médio, denuncia o sentimento de exclusão porque passa o homem que se julga um "morto em vida". No plano seguinte vê-se a caminhonete em movimento levando o morto, mas sem o motorista. Este fica observando, molhado. Daí segue-se uma comemoração chinesa em um edifício, com a objetiva descendo do alto ao térreo desse prédio.
Conrad Clark estréia com este filme que em nada revela a sua origem. A narrativa compassada, os enquadramentos e cortes econômicos (observem a seqüência inicial quando o operário pede dinheiro ao patrão, desdobrada em dois planos fixos: ele na sala do patrão, que é visto de costas, e uma tomada do lado de fora com o ângulo tomando os personagens numa extremidade do quadro) são recursos de linguagem que lembram a produção oriental. Percebe-se que o cineasta procurou valorizar a cultura da região onde se passa a história, privilegiando sempre os moradores das comunidades, focalizando com primazia o seu herói.
"Soul Carriage" é uma observação sutil de um solitário que adentra pelo terreno de "road movie" numa forma nada convencional. Há dois enfoques: o do transportador de cadáver e dos tipos que encontra por onde viaja, estes contornando o perfil do morto. No fim da jornada, que na realidade não chega a ser um fim, o carregador pensa em deixar a missão abandonando o corpo na estrada. Mas retrocede e acaba criando uma cerimônia exclusiva para si próprio e para o morto a quem oferece bebida numa cena pungente. O plano dos dois homens na chuva, o vivo e o morto, com o primeiro tentando uma comunicação com o segundo, é um dos mais pungentes do cinema moderno. Jaio quer que o colega beba com ele, forçando-o a sorver os goles da bebida. Possíveis lágrimas diluem-se na chuva.
A vida carregando a morte e conscientizando que o limite entre as duas partes se atenua na ciência de que nem uma nem outra, ou especificamente nem um nem outro personagem, gozam de estima de alguém, podem estar mortos sem que isso faça alguma diferença. Se todos procuraram esquecer o acidentado, o colega que passa com ele mais de dois dias sente-se também esquecido. Afinal, a festa de aniversário se transformou num longo e estranho funeral.
Conrad Clark foi premiado no Festival de San Sebastian. Mas seu filme foi pouco visto mundo afora. Ou pouco comentado. É uma dessas produções independentes que chegam aos festivais fora da órbita dos maiores do gênero existentes no calendário especifico. Em Belém ganhou uma exibição que seria pouco provável não existisse um programa como o recente MoviecomArte (e não houvesse o recurso da projeção digital, que dilui as despesas). Mesmo assim, mesmo com o nosso público sendo alvo de um régio presente, observei um fato curioso na sessão em que estive. Cerca de 12 pessoas deixaram a sala antes do final do filme. Exatamente seis casais. E uma platéia incomum, em numero, esteve presente. Talvez pensasse, pelo titulo, que se tratava de algum filme de terror onde um herói qualquer conduzia mortos-vivos na esteira dos de George Romero, ou, bem atrás no tempo, de Boris Karloff no clássico "Túmulo Vazio". Deparando com um filme lento, escuro, falado em chinês, com atores desconhecidos e ação minimizada pela observação psicológica dos tipos, o espectador achou que havia se enganado de sala. Os que ficaram até a fim saíram reclamando. Infelizmente cinema denso ainda é produto cultural endereçado à platéia restrita. O outro lado da medalha está em coisas como "Noivas em Guerra" , já comentado aqui.
Cotação - **** (Muito Bom).

Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"O SEGREDO DO GRÃO" NO CINE ESTAÇÃO


O SEGREDO DO GRÃO
(La Graine et le Mulet - Drama, França, 2007)
Dirigido por: Abdelattif Kechiche
Elenco: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache, Abdelhamid Aktouche
Duração: 151 min.
Classificação Indicativa: 14 anos
Sessões:15/02 (domingo), às 10h e 20h28/02 (sábado), às 20h01/03 (domingo), às 10h e 20h
Sinopse:Slimane Beiji (Boufares) tem 60 anos e enfrenta um divórcio após anos de casamento. Sem emprego nem salário, ele é obrigado seguir dependente de sua família, transformando-o num homem inútil para a sociedade e fracassado. Até que decide mudar esta situação e vai atrás de seu maior sonho: abrir um restaurante. Premiações: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor roteiro original e Melhor revelação feminina (Hafsia Herzi) do 33º César.
Apoio : ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

"LUGARES DO AFETO" NO CINE OLYMPIA DE 17/02 À 01/03


"LUGARES DO AFETO"
Roteiro e Direção: Jorane Castro
Produção:Cabocla Produções / TV Cultura do Pará
Genêro: Documentário
Duração: 72 minutos
Sinopse: A fotografia de Luiz Braga constituiu-se pela busca incessante de uma linguagem que traduza o imaginário profundo da vida amazônica. Ele captura a cultura de sua região, com um olhar de conhecedor, não de um visitante. Ele registra a realidade contemporânea, não o exótico, retratando a sutil sensualidade do amazônida. “Lugares de Afeto” acompanha o seu processo criativo, desvenda a construção de seu olhar, encontra seus personagens, em seus lugares, no mesmo horário crepuscular de sua predileção, no seu universo e com a sua luz.
Local : Espaço Municipal Cine Olympia - De 17/02 à 01/03/09
Horário : 18:30 h
Entrada Franca

APOIO : ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

"O SILÊNCIO DE LORNA" NO MOVIECOM ARTE DE 13 À 19/02/09


"O SILÊNCIO DE LORNA"
Direção: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Duração: 105 minutos
Genêro: Drama
Classificação: 16 anos
Sala: Castanheira Sala 04 - Projeção Digital
Horário: 17:00 h
Sinopse: Uma mulher se casa com o capanga de um mafioso para adquirir a nacionalidade belga. Tempos depois ela precisa se casar novamente, mas para tanto precisará eliminar seu atual marido.
Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes 2008.

APOIO:
ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

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