domingo, 19 de janeiro de 2014
A VIDA DE ADÉLE
Abdellatif Kechiche dirigiu “A Culpa de Voltaire” e “O Segredo do Grão” filmes que eu vi graças a Cinemateca Francesa. Esse tunisiano é quem esteve por trás das câmeras registrando a porfia sexual das meninas Adele Exarchopoulos e Lea Seydoux em “Azul é a Cor Mais Quente”(La Vie D’Adele). Foi Palma de Ouro em Cannes para surpresa de quem apostava na moral de Steven Spielberg presidente do júri. Tudo porque Kechine ficou muitos minutos filmando as moças se esfregarem. Minutos demais. E acabou sendo o defeito de seu filme. Não havia necessidade de tanto. Batava uma sequencia (há umas quatro).
O filme não é só amor de lesbicas. Vai fundo na solidão, no quanto alguém precisa de alguém. E salta aos olhos saber que a bela Adele, nome de personagem e interprete, é quem mais precisa. Ela encontra na amiga de cabelos azuis a pessoa que lhe dá guarida e carinho. Ninguém na escola ou em casa lhe dá tanto- embora possa pedir.
Interpretações magistrais elevam o filme e fazem se ver por 3 horas um romance gay (eu não só homófobo mas não me encanta esse tipo de enlace). Posso crer que o diretor tenha desejado mesmo focar o vazio de uma mulher em contraponto ao que outra quer solidificar. O mundo que as cerca é realmente coadjuvante. Besteira é o titulo brasileiro. Mas isso é lugar comum. (Pedro Veriano)
UMA AVENTURA CONGELADA
O que mudou nas animações ? O mundo pisa no freio da fantasia e hoje a gente pode botar na cabeça do príncipe “encantado” o capacete de vilão. Também se enaltecem o amor fraterno e a capacidade de se modular os feitiços sem precisar matar as bruxas (ou até suprimi-las da historia). É assim que se vê “Frozen”, um parente distante do original escrito por Hans Christian Andersen e ainda mais distante da Cinderella ou da Branca de Neve.
O novo Disney é muito PIXAR, aquele estúdio que a empresa do pai de Mickey comprou (ele não, que de há muito deixou este mundo, mas seus herdeiros comerciais). Isto é bom. Como bom é John Lesseter, um “pixarman” esquecendo seus carros e aviões e adentrando no universo das fadas.
A historia é de duas irmãs, a mais velha rainha depois da morte dos pais, que amargam o poder ganho por uma delas (justamente a eleita majestade) de congelar as coisas com um toque. Surge um príncipe que pode quebrar o encanto, nem que seja através da mana amiga. Mas vai se saber que o mancebo querido é um camponês. E como nos bons contos & desenhos, não humanos cantam e pintam, incluindo um boneco de neve que luta pelo verão mesmo sabendo que pode derreter.
O filme tem muitas canções e usa bem a tecnologia digital embora possa prescindir da 3D. Pena que por aqui apareça em má dublagem (saudades de Aloísio de Oliveira & Braguinha)e em projeção infame. Para mim, saudades de Cinderela o Disney que mais me tocou. Mas até por isso é desenho de exceção. Deve segurar o Oscar do ano. Direção da dupla Chris Buck e Jennifer Lee. Roteiro de Jennifer.(Pedro Veriano)
JAMES DEAN EM BLURAY
A Warner Bros lançou no Brasil os três filmes que marcaram a carreira do ator James Dean (1931-1955), ícone de uma geração: “Vidas Amargas” (East of Eden, EUA, 1955), “Juventude Transviada”(Rebel Without a Cause, EUA, 1955) e “Assim Caminha a Humanidade”(Giant, EUA, 1956). O primeiro, dirigido por Elia Kazan, baseia-se na obra de John Steinbeck e focaliza um jovem que se quer afeiçoado pelo pai que sempre elege o outro filho. O texto faz alusão à Biblia e o rapaz se chama Cal e o irmão Aron (lembrando Abel e Caim). Contracenando com Dean está o já veterano Raymond Massey (1896-1983) que, segundo os observadores, detestava o ator e deixou sequencias em que isso se faz presente. Há um momento, segundo explicações em um dos bônus do disco, que Dean improvisa quando é repelido pelo pai. Essa cena não estava no script, mas foi aproveitada pelo diretor, sendo esse um dos melhores filmes de Kazan e um dos primeiros a aproveitar funcionalmente a estética do cinemascope.
“Juventude Transviada”recebeu esse título no Brasil, pois assim era representada uma ala da juventude nos anos 1950 (os “rebeldes sem causa”, do original. Em Portugal recebeu o título de “Fúria de Viver”). O roteiro escrito por Irving Shulman extraido de uma peça de Stewart Stern, tem como protagonista central James Dean e, ao lado dele estão outros nomes marcantes da ala jovem na época: Natalie Wood, Sal Mineo, Dennis Hopper. Coincidentemente os dois primeiros tiveram, fins trágicos: Natalie morreu afogada e até hoje se discute sua morte, se acidental ou criminosa. Sal Mineo foi vitima de overdose. E Dean todos sabem que morreu em consequência de um acidente com seu carro e nem chegou a ver este filme, dirigido por outro nome cultuado, Nicolas Ray (1911-1979), como não viu o seguinte, de George Stevens (1904-1975).
“Assim Caminha a Humanidade” é o “gigante” que o diretor de “Os Brutos Também Amam”, George Stevens, realizou com a estética monumental de “...E o Vento Levou”. Ìdolos da época, Elizabeth Taylor e Rock Hudson protagonizam os emergentes texanos que enfrentam o novo rico do petróleo, interpretado por Dean. Num documentário que se pode ver no mesmo disco ora editado há referências ao fato de que Rock Hudson se indispôs com o jovem colega. Hudson sempre foi um intérprete medíocre e esse pendor é confirmado nesta obra polemica que espelha qualidades de um período da indústria cinematográfica majoritária.
Além da coleção dedicada a James Dean, as novidades em DVD são poucas. Há uma biografia do pintor Pierre Auguste Renoir (“Renoir”, França, 2012) exibida em Cannes. com direção de Gilles Bourdos. O principal intérprete, o veterano Michel Bouquet, apresenta um desempenho que impressiona. Muito interessante é saber do inicio da vida profissional de Jean, filho do pintor e, mais tarde, um cineasta famoso (autor de “As Regras do Jogo”, 1939).
Também há um filme do mais idoso cineasta ativo que se conhece, o português Manoel de Oliveira, 108: “Singularidades de uma Rapariga Loura” (Portugal, 2009). O cineasta completou 105 anos em dezembro passado e seu filme mais novo data de 2012 (“O Gebo e a Sombra”). Neste trabalho que se pode ver em casa, o estilo do cineasta tem a mesma estética dos anteriores (ele quase não move a câmera). O enredo baseia-se num conto de Eça de Queiroz e trata de um homem que narra a uma passageira de um trem o drama de sua vida, como se apaixonou por uma mulher que conheceu da janela de seu escritório e se decepcionou com o relacionamento. Muito interessante apontando as decepções que se acumulam contra a amada e, no final, descobre que ela não tem o porte moral que imagina.(Luzia Álvares)
FROZEN- UMA AVENTURA CONGELANTE
A nova animação dos estúdios Disney procura seguir a tradição dessa companhia baseia-se em um conto de fadas, “A Rainha da Neve”, escrito pelo dinamarques Hans Christian Andersen (1805-1875) a exemplo de outros já tratados pela empresa como Charles Perrault e os irmãos Grimm, entre outros autores, evidenciando princesa(s), príncipe, animais falantes alem de um ou mais malvados. Todos imbuídos de magia suficiente para mudar o cenário nos parâmetros entre o bem e o mal.
O novo filme, “Frozen, Uma Aventura Congelante”(Frozen, 2013), tem direção de Chris Buck e Jennifer Lee com roteiro da última. Seguindo a moda é produzido em 3D com a técnica de geração do traço por computadores. Essa é a primeira “vestimenta” que difere a produção das congêneres antigas como dos clássicos “Branca de Neve” e “Cinderela”. Outra vestimenta é a mudança muitas vezes radical da postura das personagens. Se existe uma rima entre o feitiço caído sobre uma princesa e o “tratamento” dado pelo beijo de amor de um príncipe, a fórmula é subvertida na acepção de que um beijo de amor não quer dizer obrigatoriamente entre gêneros. Também não se afirma que o galã seja sempre o nobre cavalheiro como o que dança com a Gata Borralheira até meia-noite. Saindo do original, ”Frozen” mostra que o amor não segue uma fórmula e o “herói” pode muito bem ser a fantasia de um vilão. Ainda mais: ele ratifica a amizade fraterna a ponto de uma irmã arriscar a vida por outra e nenhuma carregar a imagem de malévola sucumbindo a feitiços.
As qualidades expostas pela nova história ganham uma construção exemplar sob o ponto de vista técnico. Não é tanto o efeito tridimensional, e o filme pode muito bem ser visto em 2D sem perder seu encanto. O que salta adiante de exemplares atuais do gênero produzidos por diversas empresas (e hoje todos os estúdios de Hollywood possuem departamentos de animação) é a conjunção de elementos clássicos, da cenografia à cinegrafia, ou seja, da construção de interiores à iluminação que abrigam muito bem a trama e o que as personagens devam exprimir.
A tradição Disney é, contudo, cumprida na intercessão musical. Desde os primeiros exemplares da animação em longa-metragem, por interposição direta do fundador Walt Disney, os filmes assemelham-se às chamadas operetas, com muitas canções pontuando cenas. “Frozen” está repleto de músicas novas. Os personagens da fantasia – os Troll (pedras falantes) o boneco de neve Olaf (que ama ser abraçado porque fica “quentinho” e Sven, o alce, harmonizam sequencias com a trilha de Christophe Beck. Há canções interessantes como "Quer brincar na neve?", "Vejo uma porta abrir", "Uma vez na eternidade" e "Livre estou" ("Let it go") que traduzida leva à canção conhecida : "É hora de experimentar / Os meus limites vou testar / A liberdade veio, enfim, para mim".
O problema, nas cópias dubladas, é que elas não só ganham reprodução não tão boas como as letras deixam longe a criatividade imposta por antigos colaboradores brasileiros no setor como Aloysio de Oliveira e Braguinha (as crianças de sessenta anos atrás sabiam de cor as letras das músicas cantadas pelas personagens como Branca de Neve, Cinderela e/ou coadjuvantes) como nas gravações deficientes as tornam inaudíveis. Lembro que o público deixava a sala de projeção onde era exibido um dos desenhos, cantando as canções que ouvia no filme. Presentemente não é possível repetir a façanha, e paradoxalmente com o maior apuro técnico que é usado.
O novo produto Disney é dos melhores dos últimos anos. Pena que a sala onde assisti quebrou a luminosidade do projetor. A dublagem também impõe outro resultado. Mas felizmente o filme consegue superá-las a ponto de poder ser apreciado. (Luzia Álvares)
domingo, 1 de dezembro de 2013
"BLUE JASMINE" MOSTRA WOODY ALLEN EM GRANDE FASE COMO DIRETOR E ROTEIRISTA
Woody Allen sabe o que quer dizer e como dizer quando faz um filme. Afinal, com a experiência de quem trabalha a mais de 40 anos no cinema como roteirista e diretor, ele já adquiriu um estilo próprio e uma incrível segurança no escrever e filmar que ainda me impressiona e revela novas reflexões. Seu novo filme, "Blue Jasmine", traz uma galeria de personagens típicas da sua obra que mostram os erros, acertos, decepções e o instinto de sobrevivência de ser humano. E o que pode parecer uma simples comédia dramática, se transforma numa obra complexa, repleta de leituras. É fantástico o poder de síntese de Allen ao apresentar tantos assuntos interessantes em poucos personagens, tornando seus filmes sempre tão atuais, especialmente quando trata da busca de identidade de seus personagens. A personagem principal, Jasmine, interpretada magistralmente por Cate Blanchett numa atuação antológica, é uma mulher que vê seu rico mundo financeiro se quebrar quando seu marido é descoberto em uma série de irregularidades financeiras (personagem provavelmente inspirado na recente crise econômica que viveu os EUA) e a partir disso é obrigada a se reconstruir buscando ajuda na irmã que é muito diferente do seu jeito de ser e ver o mundo e que nunca deu muita atenção. E essa reconstrução vai se transformando numa odisseia de dor, graça, mentiras e fantasias que acaba deixando o espectador como uma impotente testemunha diante de tanta ingenuidade/loucura/insegurança desta frágil e ao mesmo tempo forte personagem. Afinal, Jasmine tem que mudar mas continua a mesma sonhando os mesmos sonhos, mantendo as mesmas esperanças e mentiras ao ponto de querer ter um novo relacionamento no mesmo modelo de seu casamento que fracassou pela mentira e fantasia que ela mesma criou em torno de si. Jasmine é uma personagem em busca de algo mais desde pequena (como todos nós) mas não sabe exatamente o que. É uma personagem extremamente humana que revela o tempo todo sua insegurança e vai se acostumando com as coisas/pessoas mesmo quando confrontada pela realidade. E mesmo quanto tem que se reconstruir, repete suas fragilidades e erros. Mas Jasmine aprenderá ? Seu relacionamento com a irmã tão diferente e tão distante poderá causar alguma mudança? Um novo emprego ajudará? Estudar, aprender, compartilhar? Afinal, ser alguém pela primeira vez, é possível? "Blue Jasmine" é um filme sobre como recomeçar mas um recomeçar com uma amargura necessária, não deixando de lado o passado, as dores, os sofrimentos vividos. Afinal, tem que se aprender com os riscos/erros/desastres da caminhada. Mas no final, não sabemos se Jasmine aprendeu. Nunca saberemos e acredito que é exatamente esta dúvida que Woody Allen quer deixar com os espectadores. Ao lado de outros personagens criados por Allen, Jasmine nos acompanhará para sempre por ter muito de nós assim como Cecília em “A Rosa Púrpura do Cairo” e seu eterno sonho de ser feliz. Somos um pouco Cecília, Jasmine. Woody Allen nos lembra disso e como é bom ver no cinema um trabalho tão honesto e emotivo onde podemos ver na tela do cinema muito de nós e de outros. Afinal, como Jasmine já sabe, ser humano é difícil. Para Jasmine, cito aqui a letra de uma bela canção, em forma de pergunta: a lição já sabemos de cor. Só nos resta aprender? Ave Woody Allen.(Marco Antonio Moreira)
"BLUE JASMINE" É UM DOS MELHORES FILMES EXIBIDOS EM BELÉM
"Blue Jasmine" é um dos melhores filmes exibidos em Belém este ano. Prova de que Woody Allen, aos 78(fará dia 1 de dezembro) está em plena forma como escritor-diretor. Com narrativa ágil e inventiva ele constrói um de seus tipos mais densos, devendo o sucesso à sua atriz, Cate Blanchet.
O monologo dessa interprete no final do filme, é de arrepiar. Nesta temporada local só rivaliza com a Emanuelle Riva de "Amor". E eu que já vi tantos filmes ponho as duas entre as melhores interpretações de toda a historia do cinema. Mesmo pensando na Falconetti de "A Paixão de Joana D'Arc". (Pedro Veriano)
"BLUE JASMINE"
Jennifer teve o nome mudado por sua mãe adotiva para Jasmine (Cate Blanchet) porque esta achava mais condizente com o tipo físico da filha, na versão desta (e confirmação da irmã), com vistas a ostentar uma outra condição social. Pretendente ao casamento com o milionário Hal (Alec Baldwin) abandona o curso de antropologia que estava para completar e divide o tempo entre promoções sociais e o deleite em suas propriedades onde o tom elegante e clássico define o tipo de classe social dos moradores de uma parte de Manhattan. Quando esta figura grã-burguesa não tem como continuar imaginando que desconhece as traições do marido, ela que convive com a corrupção alimentada por ele em seus negócios vê-se de uma hora para outra perdida pelas contingências que o levam à prisão e o confisco dos bens do casal. Como último recurso só tem um caminho: solicitar hospedagem à irmã Ginger (Sally Hawkins) que mora modestamente em S. Francisco, separada do marido e com dois filhos para criar. Este é o enredo, em síntese, de “Blue Jasmine” (EUA, 2013) o novo filme que Woody Allen escreveu e dirigiu sem atuar. E demonstra o quanto o veterano realizador mantém a criatividade e o apuro estético além do desempenho na direção (Allen fará 78 anos no próximo dia 1° de dezembro e já está na fase de pós-produção de seu 49° filme,”Magic in the Moonlight”). A narrativa começa com a viagem de Jasmine de Nova York para São Francisco, para a casa da irmã. Um plano de avião que denuncia miniatura passa para um close da principal personagem (Cate Blanchet) numa poltrona conversando com uma senhora que está ao lado. Depois, quando se focaliza o desembarque e a despedida das duas mulheres, um rápido dialogo da passageira idosa com o também idoso que lhe espera conta o que está acontecendo com Jasmine: “ela estava falando sozinha e eu perguntei o que era e ela começou a falar de sua vida sem parar...” Na casa da irmã, Jasmine custa a se acomodar em um plano social diverso do que usufruiu (para ela um meio “miserável”) e a narrativa passa a abrir espaço para cenas do passado da personagem. Daí em diante vê-se uma invasão de “flashbacks” sem que se pontue as intercessões com as velhas cortinas escuras, desfoques ou mesmo seguindo a fala de alguém em off. O filme inteiro é pontuado por viagens no tempo, montando um quebra-cabeças que vai definindo não só Jasmine/Jennifer como a irmã e os homens que aparecem em suas vidas. Embora se possa ler a narrativa de 98 minutos de um só fôlego, vê-se que Allen não explora uma pontuação linear visto as rupturas através dos flashbacks tornarem dinâmica essa configuração. Em cada momento é notório um fato novo despertando o espectador para a construção do tipo de Jasmine. Se em dado momento ela que está aprendendo a conviver com as regras de uma classe social inferior à sua assumindo um novo tipo de vida desmontando a sua filosofia de vida de prática de luxo e tendo que habituar-se ao comportamento prosaico da rotina da irmã, em outro momento se compraz em dar lições de coisas para esta & circunstantes extraídas de um tempo passado de riqueza e luxo. O contraditório aí é que nessa marcha há contramarchas impactantes. E nesse caso os níveis de insanidade parece tomar conta dela. Entre a força e a fragilidade há o ímpeto de viver. O ponto alto da historia é dividido entre o reencontro de Jasmine com o enteado que abandonou o lar quando descobriu as tramoias paternas e o namoro com um jovem viúvo que pretende ingressar na política candidatando-se a deputado. No primeiro caso, o rapaz, já casado, nega-se a se entender com a madrasta, pedindo-lhe que se afaste da vida dele. É nesse momento que a síntese de toda a situação que gerou o colapso do esquema comandando pelo marido se torna evidente e mostra a face desconhecida que gerou o problema. Quanto ao pretendente ela escondeu dele a vida anterior de falcatruas do marido que vem à tona em uma nova incidência confrontando o seu silêncio e as aspirações políticas do noivo. Todos os meios de reconstituir de forma rápida a sua vida fogem do horizonte e resta à ex-milionária ficar num banco de praça falando sozinha sobre o que viveu e vive (um monólogo que enaltece de modo extraordinário o desempenho de Cate Blachett. (Luzia Álvares)
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