domingo, 17 de julho de 2016

Cineclube da ACCPA apresenta: O Cinema de Roberto Rosselini


EUROPA 51. Com Ingrid Bergman



Como explicar o vazio da vida e a necessidade de fazer algo por outros/nós? É esse o dilema/drama da personagem de Ingrid Bergman.
E Rossellini traduz isso em mais que um filme. Na verdade, “Europa 51” acaba por ser um manifesto humanista sobre os dramas de valores da Europa e das “Europas”, seja em 51 ou qualquer ano anterior ou posterior. Mas mais importante, é que Rossellini faz do filme um autêntico mandamento religioso-social-moral. Leia mais em 

Segunda, 25 de julho, às 7 da noite, no Cineclube Alexandrino Moreira – Casa das Artes. Entrada franca e debate após a exibição
Cine Olympia apresenta

O BOULEVARD DO CRIME, de Marcel Carné

Produzido em circunstâncias difíceis durante a Ocupação, o filme focaliza os infortúnios do amor e a Paris romântica e misteriosa do tempo de Louis-Philippe, mostrando as relações entre a vida e a arte. Por exemplo, no quadro “O namorado da lua”, no meio do qual Baptiste vê nos bastidores Lemaître beijando Garance e ele para repentinamente. 
A realidade se confunde com a representação, o palco com a vida e a vida repete os dramas vividos no palco, segundo o conceito shakespereano (em Como Gostais, ato II, cena VII). Leia mais em www.historiasdecinema.com/2016/06/tributo-a-marcel-carne/
Até 20 de julho, às 18h. 

Entrada franca. Parceria: Aliança Francesa Belém.

domingo, 3 de julho de 2016



Cineclube da ACCPA apresenta:


STROMBOLI, de Roberto Rosselini, Com Ingrid Bergman.




Rossellini filma a vida na remota ilha e, quase como se documentasse em tempo real, mostra-nos momentos marcantes do quotidiano, como a pesca do atum, a erupção vulcânica (que aconteceu de facto durante as filmagens), ou a fuga dos habitantes para os barcos até o vulcão acalmar. Neste contexto Rossellini filma a história de uma mulher, que vem viver para a ilha sem saber o que a espera. Leia mais em
https://ajanelaencantada.wordpress.com/2013/11/22/stromboli-1950/


No Cineclube Alexandrino Moreira. Nesta segunda, às 7 da noite.  
Entrada franca. Debate após a exibição.

sábado, 2 de julho de 2016

O Cinema de Roberto Rosselini




Cineclube da ACCPA apresenta:
Dia 04/07/16
O Cinema de Roberto Rosselini
"Stromboli"(1950)
Com Ingrid Bergman.
Sinopse: Na Itália, após o fim da 2ª Guerra Mundial, Karen (Ingrid Bergman), uma lituana, se casa com um pescador, Antonio (Mario Vitale), para deixar de viver em Farfa, um campo de concentração, pois não conseguiu um visto de emigração para a Argentina. Porém a vida na aldeia de Antonio, que fica numa ilha no Mediterrâneo aos pés do vulcão Stromboli, é bastante dura. Karen não consegue se acostumar a isto, fazendo-a entrar em conflito com o marido e a população local.
Local: Cineclube Alexandrino Moreira
Horário : 19 h
Entrada franca
Debate após a exibição

LEMBRANDO OS CINEMAS 1 E 2



Em 28 de junho de 1979 os cinemas I e II abriam suas portas. Alexandrino Moreira realizava um velho sonho, ele que na juventude foi projecionista do único cinema de sua terra natal, Itaúna(MG),e locutor de radio com programa dedicado a cinema(além de levar atores & cantores ao interior mineiro). Eu o acompanhei e o estimulava, pois na época mantinha um cineclube que atuava simultaneamente no Cine Guajará (Base Naval), Grêmio Literário Português (ambos com películas de 35mm) e auditório do Curso de Odontologia da UFPa(16mm).
A meta era trazer filmes de qualidade artística. Daí a empresa criada para administrar as casas chamar-se Cinema de Arte do Pará Ltda. O sucesso foi tanto que seguiu-se o Cinema 3 em 1989, duas salas no shpping Castanheira(as primeiras de shopping em Belém) e duas no espaço Doca (hoje shopping).
O Cinema 1 inaugurou com “Chuvas de Verão”, drama de Carlos (Cacá) Diegues. O cineasta veio à Belém com om roteirista Lepoldo Serran, tomar parte na festividade de abertura. O Cinema 2 contou com “Dersu Uzala” de Akira Kurosawa.
Eu programei os cinemas por mais de dois anos. Inclusive fazendo a publicidade para jornal. Mas não se podia alimentar aqueles espaços só com os clássicos de cineclube. Fechou-se contrato com a Columbia Pictures que na época saíra do concorrente Severiano Ribeiro. Mesmo assim havia brecha para obras raras de distribuidoras que não atingiam o Pará como a Sul e a Franco-Brasileira.
Os cinemas continuaram com a Cinema de Arte até o final do século quando a forte concorrência e a chegada de empresas nacionais como a Moviecom, forçaram o encerramento das atividades.
Ah sim: ainda existiu a locadora de vídeo Cinema IV, que Marco Antonio Moreira, filho de Alexandrino, passou a dirigir com a sua irmã Sandra.
Hoje a lembrança desse tempo é banhada de saudade. Mas ainda estamos ativos, mesmo com AGM (como Alexandrino se assinava) em outra vida. Cinema, afinal, corre nas veias. De minha parte é a vez do “Monstro” que cito no livro de memorias “O Médico Direito e o Monstro Cinematográfico” a ser lançado em agosto.(Pedro Veriano)

O AMIGO HINDU


O AMIGO HINDU
Plenamente compreensível o fracasso das exibições locais de “Meu Amigo Hindu”(2015) o filme de Hector Babenco. Só agora tive acesso a ele em cópia dvd. O roteiro é uma espécie de expiação do sofrimento que o cineasta sofreu com sua doença e tratamento. Portador de um linfoma, teve de fazer implante de medula óssea apelando para um irmão doador com quem não mantinha boa relação. E o longo trajeto entre hospital e espaço de convalescência, evidenciando o desnível na relação sexual, além da forte impressão de que caminhava para a morte, ganha a correspondência em imagens apoiando-se especialmente no ator Willem Dafoe, realmente bem colocado no que se exige do tipo.
Mas o filme é excessivamente particular, e as prioridades de lembranças seguem não o quadro clinico, mas o afetivo, tentando expor os sentimentos do enfermo, não oferecem embasamento para uma trama de cinema comercial. Nem chega perto do esboço da incomunicabilidade pintado por Antonioni em seus filmes mais festejados. Até mesmo a inclusão de uma figura que representa um enviado da morte(papel do ator Selton Mello), passa sem profundidade.
“Meu Amigo Hindu”é tão carente que o próprio titulo, com base em um menino que o doente vem a conhecer e que faz de confidente, não ganha a profundidade capaz de justificar a eleição de melhor lembrança.
Babenco é um argentino naturalizado brasileiro que entre nós fez bons filmes. Seu “Carandiru” saiu agora em nova edição dvd. Refeito do câncer, tenta a volta por trás das câmeras com muita pretensão. É compreensível o seu trabalho e sua sinceridade. Mas não comunica. Nem com os críticos que pedem cinema profundo sem exceção. Creio que dito assim compreendo o motivo de poucos espectadores por aqui no “Estação” e mesmo assim abandonando a sala antes do final ou saindo comentando a “chatice”.
Nem sempre apenas o que se sente possa ganhar filme. Há de se notar o que os outros também sintam.(Pedro Veriano)

CINE LÍBERO - 30 ANOS



CINE LÍBERO - 30 ANOS
Eu fui o primeiro programador do cinema Libero Luxardo(Centur). Na época era médico da Secretaria de Saúde e fui emprestado para a Secretaria de Cultura. Lembro de que a sala inaugurou com um documentário sobre Tancredo Neves politico que deu nome ao espaço cultural. O nome da sala para exibição de filmes (e também teatro) veio do então Secretario de Cultura, Acyr Castro. Como nesse tempo(1986) eu ainda mantinha o CineClube APCC que atuava simultaneamente no Cine Guajará da Base Naval, Grêmio Português e auditório do Curso de Odontologia da UFPa, conseguia bons contatos com as distribuidoras de filmes. Não existia dvd, engatinhavam as fitas vhs, e projeção digital era ficção cientifica. Pagava frete de filmes em 35mm . Às vezes o frete aéreo era mais caro do que o aluguel do filme., Mas como eu tinha credito nas filiais de distribuição e ainda mantinha coluna e pagina de cinema, dava para manter sessões cineclubinas que normalmente saiam de meu bolso. Programando o Libero, arrisquei meu prestigio, pois o pagamento das faturas era burocrático, atrasava e ainda tinha de cancelar títulos que entravam na programação de peças teatrais, fato que me fez renunciar a tarefa de programador dois anos depois.
Lembro de muitos filmes exibidos nos primeiros anos. Conseguia copias que as salas comerciais não queriam, como “Crimes e Pecados” de Woody Allen, e conseguia mostras de diversos países, a exemplo de uma da Polônia que contou com a presença do adido cultural da embaixada daquele país chamado Eugeniusz Zadusrski.
Bem, dos meus anos programando o cineminha que levou o nome de uma pessoa que eu conheci de perto, lembro com emoção momentos como um festival da Atlântida que consegui diretamente com Severiano Ribeiro em raras copias de 35mm. A abertura com uma palestra de Olavo Lira Maia, que foi Secretario de Cultura e amigo da família de Oscarito, foi sensacional. Um grupo de teatro armou a cena de um carnaval atirando no publico confete e serpentina.
Exibi raridades como “Berlim Alexanderplatz” de Fassbinder, dividido em partes que cobriam mais de 8 horas. E atendendo a estudantes, programava filmes de livros solicitados no exame vestibular como “Menino de Engenho”e “Capitu”. Era tanta gente que houve um acidente quebrando-se a porta de entrada.
Hoje a sala comemora 30 anos. O programa que recebi não é nem de longe o que se mostrou. Penso que do grupo só estão “Vá e Veja” e “Morte em Veneza”. Mas é certo que se deve passar coisas novas. Vale o esforço mas vale principalmente a programação de rotina que traz o que as nossas salas comerciais desprezam. Agora com projetor digital a locação é mais tranquila embora as distribuidoras, sempre ávidas por lucro, cobrem uma garantia mínima da venda de ingresso que muitas vezes só se paga com dinheiro da casa. Enfim, é o espaço de cinema-cultura que a não chega às salas de shopping, cada vez maiores em numero e sempre lembrando onde estão, ou seja,um detalhe de consumo, ou um parque de diversões.
Luxardo ficaria satisfeito vendo o cinema que leva o seu nome persistindo por 30 anos. Que somem outros tantos e tantos são os meus votos. (Pedro Veriano)

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