sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ACCPA APOIA OFICIALMENTE OS CINEMAS ALTERNATIVOS DA CIDADE

A ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará) de comum acordo com os programadores dos cinemas, apoia oficialmente a partir de agora a programação dos três espaços de cinema alternativos da cidade: O Espaço Municipal Cine Olympia, o Cine Estação e o Cine Líbero Luxardo. Visando dar maior visibilidade aos importantes filmes exibidos nestas salas de cinema da capital, a ACCPA pretende com este apoio oficial colaborar ainda mais com a programação destas salas usando todos os mecanismos de divulgação que possue como blog, Orkut, colunas de cinema e demais ferramentas de comunicação para que o público paraense prestigie cada vez mais os filmes exibidos, a fim de que tenhamos cada vez mais uma programação de cinema mais qualitativa e que ajude a criar uma nova platéia de cinema.

Marco Antonio Moreira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PARA BOI DORMIR

Perua inglesa segue ao encontro do marido fazendeiro na Austrália e o encontra defunto. Sabe dos inimigos ligados ao comércio de carne bovina e aprende que para salvar o seu rebanho precisa transportá-lo urgentemente para o porto próximo, uma caminhada por deserto e montanhas a exigir esforço de atletas. No caso ela só tem o capataz, conhecido justamente por Capataz. Ele e um garoto aborígine, seguidos por um velho da região, acompanham a madame, ou são acompanhados por ela, numa aventura a lembrar alguns westerns antigos.
“Austrália” de Baz Luhrman é uma frustração de 2,45 h. Tudo quanto é clichê passa na tela. Quem duvidar que Nicole Kidman, Hugh Jackman e Shea Adams vão acabar juntos e felizes vai ganhar o titulo de analfabeto em cinema comercial. Tudo, mas tudo mesmo, é previsível. E ruim. “Miss”Kidman nunca esteve pior. Escapa pela tangente o menino Shea a quem o diretor pede para ser...ele mesmo. Aliás, o que prende o espectador na poltrona é a série de planos abertos da região, um modelo do uso da tela grande, coisa que o nosso Selton Mello abdicou usando o tipo de tela para focar as sobrancelhas e as rugas de Darlene Gloria.(Pedro Veriano)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"A MULHER FAZ O HOMEM" NO CINE CLUBE ALEXANDRINO MOREIRA DIA 02/02


“A MULHER FAZ O HOMEM”
DIA 02/02 ÀS 19 H no IAP (Instituto de Artes do Pará)
Entrada Franca
(Mr. Smith Goes to Washington)/EUA-1939/Direção de Frank Capra/Roteiro de Sidney Buchman/Fotografia de Joseph Walker/Música de Dimitri Tiomkim
Elenco: James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains, Edward Arnold e Thomas Mitchell
Sinopse: Um suplente de senador, Jefferson Smith (Stewart), chefe de um grupo de escoteiros e residente no interior de Washington, é guinado ao posto quando morre o dono da cadeira. Idealista ao extremo, ele defronta-se com senadores corruptos e decide enfrentar o grupo majoritário contando apenas com a sua boa intenção e o apoio dos interioranos como ele. A sua cruzada democrática ganha evidencia quando é obrigado a discursar por 12 horas em favor de seus projetos.
Importância histórica:- A história de Lewis R. Foster foi comprada pela Columbia em 1937 para um filme a ser dirigido pelo mais prestigiado cineasta contratado pelo estúdio, no caso Frank Capra, vencedor dos Oscar por “Aconteceu Naquela Noite”(1934) e “Do Mundo Nada se Leva”(1938). Ao ler um resumo, Capra rejeitou o projeto. O diretor seria, então, Roubem Mamouliam. Mas uma releitura do roteiro fez Capra mudar de idéia. Ele queria Gary Cooper para o papel principal e chamaria o filme de “Mr. Deeds Góes to Washington”, uma continuação do papel que Cooper fez para o seu “O Galante Mr Deeds”(Mr. Deeds Góes to Town). Acontece que Cooper estava trabalhando para o produtor Samuel Goldwyn e não pôde aceitar a oferta. Capra lembrou de seu ator em “Do Mundo Nada Se Leva”: James Stewart. E o filme acabou dando a Stewart uma indicação ao Oscar (foram 12 indicações com 1 vitória:o melhor roteiro.Durante a 2ª,Guerra o filme chegou a ser proibido pelo patriarca da família Kennedy como “anti-americano” devido a critica que fez ao Senado. Hoje está entre os primeiros a serem selecionados pelo Registro da Biblioteca Nacional do Congresso e ainda pelos técnicos em conservação da Biblioteca de Cinema de Dayton em Ohio.
PRÓXIMO PROGRAMA: Dia 16/02 :“Asas”(1929) de William Wellman, com Gary Cooper. O primeiro filme a ganhar o “Oscar”. Após o filme, debate sobre o “Oscar”, o maior prêmio do cinema americano.

Pedro Veriano

"WHITE PALMS" NO MOVIECOM ARTE DE 29/01 À 05/02


PALMAS BRANCAS (WHITE PALMS)
Direção: Szabolcs Hajdu
Duração: 97 minutos
Genêro: Drama
Horário: 15:40 h (Moviecom Castanheira Sala 04)
Classificação Etária: 12 anos
Sinopse: Ginasta húngaro tem sua carreira interrompida por uma lesão. Muda-se para o Canadá para refazer sua vida como treinador. Ao se deparar com um promissor ginasta, passa a treiná-lo sob rígidas normas para domar sua rebeldia e desatenção
APOIO:
ACCPA (Associação dos Críticos de Cinema do Pará)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

OS MELHORES FILMES DOS LEITORES DE "PANORAMA"

Há cerca de 30 anos (dos 36 de Panorama) este espaço promove a manifestação de seus leitores na escolha anual dos melhores filmes. Este ano não poderia ser diferente. Doze listas foram recebidas, alguns leitores já participam há mais de vinte anos, outros são ?leitores novos?. Os que contribuíram nesta seleção demonstraram não só certa afinidade com a escolha da ACCPA, como se identificaram com o bom cinema que tem sido exibido em meio aos lançamentos do ?cinemão?. Abaixo a lista geral dos leitores e suas listas individuais.

RELAÇÃO GERAL DE FILME DOS LEITORES:
1º - Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson -----------------------76 pts.
2º Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan---------45 pts.
Wall-E, de Andrew Stanton) -----------------------------------------45 pts.
3º Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen--------------41 pts.
4º O Sonho de Cassandra, de Woody Allen------------- ---------------37 pts.
5º O Escafandro e a Borboleta. de Julian Schnabel------------------- 33 pts.
6º Piaf,um hino ao amor, de Oliver Dahan------------------------------28 pts.
7º Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen) ----------------------- 27 pts.
8º º Desejo e Reparação, de John Wright ---------- --------------------26 pts.
9º Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles -------------------23 pts.
10º Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, de. Sidney Lumet) ---21 pts.

RELAÇÃO INDIVIDUAL DOS LEITORES:

Margarida Xerfan
1. Vicky Cristina Barcelona2. Um Beijo Roubado3. Sangue Negro4 . Batman - O Cavaleiro das Trevas5. Medos Privados em Lugares Públicos6. Wall-E7. O Sonho de Cassandra8. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto9. Longe Dela10. Na Natureza Selvagem

Edyr José Pereira Falcão Junior
1.O Escafandro e a Borboleta2.A Idade da Inocência3.Angel4. Desejo e Reparação5. Sangue Negro6.Fim dos Tempos7. Juno8. Beijo Roubado9. O Sonho de Cassandra10. O Império dos Sonhos

Nelson Alexandre Johnston
1. Sangue Negro2. Wall-E3. Piaf, Um Hino Ao Amor4. Desejo E Reparação5. O Assassinato De Jesse James Pelo Covarde Robert Ford6. Across The Universe7. Mamma Mia!8. O Sonho De Cassandra9. Vicky Cristina Barcelona10. Batman - O Cavaleiro Das Trevas

Cybelle Miranda
1. Conversas com meu jardineiro *2. O Sonho de Cassandra3. Piaf, um hino ao amor4. Ensaio sobre a Cegueira5. A Sombra de Goya6. Antes de Partir7. Across the Universe8. Medos privados em lugares públicos9. Jogo de Cena10. Desejo e Reparação

Paulo Thiago P. Carneiro
1- 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias2- Onde os Fracos Não Tem Vez3- Medos Privados em Lugares Públicos4- Sangue Negro5- Na Natureza Selvagem6- O Escafandro e a Borboleta7- Longe Dela8- Linha de Passe9- Batman - O Cavaleiro das Trevas10- Não Estou Lá

Nirothon Pereira
1. Batman, o cavaleiro das trevas2. Os donos da noite3. Ponto de vista4. Longe dela5. Sangue negro6. Desejo e reparação7. Na natureza selvagem8. O nevoeiro9. Antes de partir10. O caçador de pipas

Jeison Texican C. Guimarães
1. Wall-E2. Piaf, Um Hino Ao Amor3. Across The Universe4. Beijo Roubado5. O Sonho De Cassandra6. Vicky Cristina Barcelona7. Sangue Negro8. Mamma Mia!9. Desejo E Reparação10. Batman - O Cavaleiro Das Trevas

Michel Miranda
1º Batman ? O Cavaleiro Das Trevas2º Sangue Negro3º Wall-E4º Ensaio Sobre A Cegueira5º O Escafandro E A Borboleta6º Na Natureza Selvagem7º Vicky Cristina Barcelona8º Antes Que O Diabo Saiba Que Você Está Morto9º Onde Os Fracos Não Tem Vez10º O Sonho De Cassandra

Maurício Borba
1. Onde os Fracos Não têm Vez2. Sangue negro3. Fim dos Tempos4. O Sonho de Cassandra5. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto6. Wall-E7. Desejo e Reparação8. Piaf9. O Escafandro e a Borboleta10. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Gordon

Laércio Barbosa
1. Batman - O Cavaleiro das Trevas2. Ensaio Sobre a Cegueira3. Wall-E4. Desejo e Reparação5. Juno6. Onde os Fracos Não tem Vez7. Vicky Cristina Barcelona8. REC9. 007 - Quantum of Solace10. Cloverfield

Maurício Borba Filho
1. Sangue Negro2.Onde os Fracos Não Têm Vez3. Kill Baby Kill, de Mario Bava4. Uma Mulher Sob Influência5. Império dos Sonhos6. Fim dos Tempos7. Sonho de Cassandra8. Vicky Cristina Barcelona9. Faces10. Batman, o Cavaleiro das Trevas

Orlando S. Falcão de Campos
1. O Escafandro e a Borboleta2. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto3. Irina Palm4. Sangue Negro5. Onde os Fracos Não Tem Vez6. Longe Dela7. Em Busca da Vida8. Batman, O Cavaleiro das Trevas9. Em Paris10. Na Natureza Selvagem

A lista geral dos leitores recebeu 11 indicações em 10 lugares, visto que Batman e WALL-E tiveram o mesmo número de pontos, empatados no 2º lugar.Comparando a relação geral dos leitores e a da ACCPA, vê-se que estas se afinaram no 1º lugar, com a indicação de Sangue Negro. Outros três filmes (Batman, Onde os Fracos não têm Vez e O Sonho de Cassandra) também comparecem nas duas relações. Woody Allen registrou sua popularidade com os dois filmes lançados em Belém constando na lista geral. Fernando Meirelles (Ensaio sobre a Cegueira) também confirmou essa a popularidade. Quanto a WALL-E foi votado sem especificação da categoria animação (como feito entre os críticos), ficando em 2º lugar. Muito significativo dessa lista é que dos onze filmes escolhidos, cinco foram exibidos no circuito alternativo (Moviecom Arte, Cine Líbero Luxardo e Cine Estação) o que referenda esses espaços com a responsabilidade de estimular a formação de platéias para o cinema de qualidade.
Agradeço aos leitores a participação nesta promoção anual de Panorama.

Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com

A OFENSA E A FÚRIA

O mundo vê estarrecido as flagrantes cenas de guerra entre israelenses e palestinos. Acirram-se os ódios a cada dia, no oriente médio tendo como pano de fundo quer seja a definição de terras ou a dimensão religiosa. Em outros lugares a escalada da violência se estabelece desde as questões sociais onde a quebra de valores incita a banalização da agressão pontuada seja por um ato de discriminação ou acusações infundadas em nome de uma suposta ética. O coletivo bestializado surpreende porque aproveita a ocasião e acusa ainda mais. E essa incitação não tem mais fim. Introjeta-se nas mentes o senso do racional e este passa a servir de explicação e se torna o grande trunfo para os supostos vencedores.
Ao assistir a “Gesto Obsceno” (Foul Gesture/Israel, 2006) dirigido por Tzahi Grad senti que naquele microcosmo onde se passa a ação do filme, os autores não estavam referindo apenas um caso isolado, mas traduziam as situações agressivas em construção extravasando para além fronteiras de um cotidiano doméstico.
O roteiro original de Ya'ackov Ayali e Gal Zaid trata de Michael Klienhouse (Gal Zaid), um escritor em fase de pouca inspiração para escrever um novo livro, que ao conduzir no carro da família a esposa, Tâmara (Keren Mor) e o filho menor, David (Tal Grushka) e parar por insistência dela em lugar onde outro carro está transitando, se vê diante de uma cena aparentemente comum: o carro que se acha impedido de transitar passa a buzinar ininterruptamente, a esposa pede calma ao condutor ansioso, mas quando este não atende ela revida com um gesto obsceno. Dreyfuss (Asher Tzarfati), o condutor impaciente avança de qualquer jeito e o carro dele “tira um fino” do outro, arrancando a porta do veículo do casal.
Esse é o inicio de uma ciranda de violência que o diretor Tzahi Grad trabalha em estilo minucioso, sem pressa, definindo a mudança que se opera no aparentemente pacato personagem. Michael vai à delegacia de policia relatar o acontecimento, em seguida procura a companhia de seguro que exige documentação do carro agressor. Neste caso, ele procura Dreyffus e descobre ser ele um policial com horárias, mas agressivo e que amedronta qualquer um. Mesmo assim, Michael procura-o, insiste no pedido dos documentos do seguro, tudo em vão, forçando o escritor a tomar uma atitude, arranhando o automóvel da pessoa que lhe deu prejuízo. Com isso passa a ser alvo do grupo de policiais que acompanha Dreyfuss, também um “chefão” que comanda um bar conhecido no local.
O filme centraliza a ação em Israel dos dias de hoje. E numa semana cheia de comemorações como o Dia do Holocausto, O Dia do Soldado Israelense e o Dia do Culto Pela Paz. Em cada dia e em determinada hora a sirena anuncia o momento do reconhecimento dessas datas e todos guardam um minuto de silêncio onde estiverem, numa reverência ao fato comemorado. Em meio a isso, observam-se nuanças da violência que ocorre na fronteira. Tamara é chamada ao hospital onde trabalha quando um carro-bomba atinge algumas pessoas. Michael já foi combatente, atuando na artilharia, e o seu conhecimento de armas leva-o a procurar o mercado negro para comprar o que acha ser a sua defesa contra Dreyfuss. Em suma: enquanto ocorre a guerra permanente com os palestinos, dentro do país cidadãos comuns entram em choque, partindo de desaforos morais ao desforço físico.
O último plano do filme faz analogia entre um carro-bomba dos muitos usados pelos palestinos com um artefato semelhante usado por um até então respeitado cidadão comum israelense.
“Um Gesto Obsceno” arma toda a arquitetura da violência. Não é uma “violência gratuita” como mostrou Michael Haneke no seu filme recentemente exibido por aqui. É uma violência que se corporifica a partir do silêncio das instituições e da necessidade que um homem sente em demonstrar para si e para os seus familiares (especialmente para a esposa que o desqualifica sistematicamente e ao filho pequeno) a sua necessidade de revidar a um insulto.
O trabalho de Tzahi Grad dá muito que pensar. O seu estilo seco, usando bem o elenco, retira toda a esquematização do drama. Quando o filme foi anunciado e o resumo de seu argumento chegou à imprensa, supus que ele tivesse afinidade com a produção norte-americana “Enquanto Ela Está Fora”(While She Was Out, EUA, 2008 e só em DVD) também um gesto desaforado (nem tanto obsceno) que serve de estopim a uma explosão de atos violentos. Mas há muita diferença entre os dois títulos. Na obra israelense o fato que estaria restrito a uma área particular ganha uma dimensão muito maior, chega ao âmbito da critica sobre a condição humana e avança para tratar da crítica política, embora com o cuidado em ressaltar que a violência se constrói de forma banalizada e a absorção desses atos assume um ponto crucial no status quo. Vê-se, a exemplo, a máscara do ator Gal Zaid que protagoniza Michael. A seqüência inicial apresenta-o como um homem ingênuo, dócil, assumindo o papel de conciliador quando a esposa quer que ele siga o carro que derrubou a porta do seu e quase a atropela. Ele simplesmente diz que anotou a placa. O processo narrativo mostra as mudanças graduais em suas atitudes e expressão. No final resta o close de outro homem poderoso, de um combatente que antes fizera a guerra no deserto e hoje assume a mesma posição na área urbana. E mais: contra outro tipo de inimigo.
Como eu disse acima, o desacato sistemático que certas pessoas se acostumam a aplicar nos seus semelhantes é aceito pela maioria e explicado como sem importância. É a banalidade da violência.
Há outros detalhes que servirão para um novo enfoque sobre o filme. Mas por ora deve-se registrar sua boa realização capaz de suscitar debates interessantes sobre um tema muito atual. Procurem ver. Mais um bom título do programa Moviecom Arte patrocinado pela ACCPA.
Cotação: **** (Muito Bom)

Luzia Miranda Álvares
luziamiranda@gmail.com

domingo, 25 de janeiro de 2009

O MENTIROSO, O FALSO E O HEMATÓFAGO

“Fellini, O Grande Mentiroso” é um documentário muito interessante sobre o mestre italiano. Ele mesmo conta o que pensa e o que dele pensam. Chega a dizer que contou tanta mentira sobre a sua vida que já nem sabe (sabia, pois o grande cineasta se foi há mais de 15 anos) o que é verdade. Certo ou errado de suas lorotas ou de suaslembranças alimentou-se uma geração de cinéfilos. Um de meus filmes preferidos é “Os Boas Vidas”(I Vitteloni) , aparentemente pessoal a seguir Moraldo (Franco Interlenghi),o mais evidente dos “bezerrões” que faziam a noite de Rimini antes de se mandar para Roma . Era, em 1953, um Fellini puro, ingênuo, poético, mais perto da gente do que a sua fase alegórica, as suas concepções surreais com vôos que chegaram a amarrar a lua com barbante (uma corruptela do que Jimmy Stewart disse a Dona Reed em “A Felicidade Não Se Compra”, quando ele lhe oferece a lua e ela a engoliria e sairia luz pelas pontas de seus dedos). Refiro-me a “Vozes da Lua”, o último filme do diretor, um titulo amaldiçoado desde que se exibiu para gatos pingados nos cinemas italianos. Sei não, mas uma volta, agora, era mais do que oportuna. Eu gostaria de (re)ver.
O documentário que esteve no Cine Libero Luxardo pode ser encontrado como bônus no DVD de “Os Palhaços” há muito nas locadoras (ou só na Fox da Dr. Moraes). É preciosidade. Vejam.
Falso é “O Dia em que a Terra Parou 2008”. Ganharia corpo por aqui, agora, com o Forum Social, se Klaatu (Keannu Reves), na cartilha de Michael Rennie sem lhe chegar aos pés (Rennie estrelou a primeira versão da história, dirigida por Bob Wise), não omitisse o discurso que encerra o filme de 1951, um sermão para menino malcriado que revela a missão dos ets: “-Vocês deste planeta aprenderam a usar a energia nuclear e nós os conhecemos e temos medo que vocês levem a destruição em massa para o nosso mundo. Portanto, se não aprenderem a conviver nós vamos intervir”. Isso, dito no auge da “guerra fria”, era um balde de água morna. Dissolvia gabolices de sectários. Agora, fiel a Al Gore, o visitante do espaço pede equilíbrio ecológico. E a gente pergunta: “-Que diabos os seres de outra galáxia tem a ver com a nossa poluição ?”
Ah sim: Klaatu troca o disco voador por uma esfera monumental confundida com um asteróide gigante. Tudo para fomentar efeito especial. O tamanho da babaquice.
E para terminar, o jovem vampiro que namora uma garotinha legal e não pode sequer lhe dar um cheiro no pescoço sob pena dela entrar para o seu clube. A idéia é da escritora Stephenie Meyer, americana de 37 anos que descobriu a pólvora bolando um romance sem sexo por conta de uma forma de castidade profilática, ou seja, uma forma de reedição da maçã edênica. Refiro-me a “Crepúsculo”(Twlight), o titulo preferido da moçada que se conforma em não transar com o namorado nem com a camisinha do Homem de Ferro.
O cinema vive de sonhos. E os sonhos variam na razão direta do intelecto de quem sonha. Um empresário de Hollywood sonha com uma adaptação estilo blockbuster de seu talão de cheques.
(Pedro Veriano)

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