terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"FREUD ALÉM DA ALMA" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA DIA 05/03/12


"FREUD, ALÉM DA ALMA"
Original: Freud- EUA,1962
Direção de John Huston
Roteiro de Charles Kaufman.
Elenco: Montgomery Clift,Susannah York, Larry Parks,
Argumento: História do inicio da carreira de Sigmund Freud(1856-1939) , o criador da psicanálise. O roteiro se detém no primeiro caso clinico que ele tratou: o de uma jovem histérica. O texto foi dramatizado para efeito de uma obra cinematográfica, fazendo uma abordagem dos fatos reais.

Importância Histórica : John Huston(1906-1987) queria filmar a vida de Freud e pediu um roteiro a Jean Paul Sartre(1905-1980). O trabalho entregue pelo famoso filosofo francês era extremamente minucioso com relação aos fatos abordados e considerado prolixo. Huston tentou outras fontes e acabou aceitando o que escreveu Charles Kaufman (1904-1991) autor de 18 trabalhos para cinema. O filme foi candidato aos Oscar de roteiro de musica e Huston competiu no Festival de Berlim.

SESSÃO ACCPA/IAP
CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA
"FREUD ALÉM DA ALMA"
AUDITÓRIO DO IAP (INSTITUTO DE ARTES DO PARÁ)
SEGUNDA DIA 05/03/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO E CRÍTICOS DA ACCPA
APOIO : ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"À MEIA LUZ" NA SESSÃO CULT DIA 03/03/12

"À MEIA LUZ"
Original: Gaslight-EUA,1944.
Direção de George Cukor
Roteiro de John Van Druten, Warren Reisch e John L.Balderston baseado na peça de Patrick Hamilton.
Elenco: Ingrid Bergman, Charles Boyer, Joseph Cotten, Angela Lansbury, Barbara Everest.
Argumento: Depois do assassinato da tia na casa onda morava, a jovem Paula(Ingrid Bergman), casada de novo com Gregory(Boyer) vai morar na residência do marido e a partir daí começa a ver imagens estranhas e sons pelos aposentos sem identificar o que seja.
Importância Histórica : O diretor George Cukor tem vasta filmografia e este é um de seus títulos mais prestigiados pela critica, vencedor dos Oscar de atriz e de direção de arte. Ingrid Bergman ganhou também o Globo de Ouro por seu papel, um lento processo de crise psicológica. Cukor((1899-1983) havia sido um dos diretores não credenciados de “...E O Vento Levou” e deixou cerca de 66 filmes . Importante observar que ele, adaptando um projeto vindo do teatro, conseguiu fazer cinema e não peça filmada. É só observar a iluminação a cargo de Joseph Ruttenberg e os closes dos principais interpretes.Uma curiosidade: a peça original havia sido filmada em 1940 por Thorold Dickinson com Diana Wynyar e Anton Walbrook.
SESSÃO ACCPA/CINE LÍBERO LUXARDO
"À MEIA-LUZ"
CINE LÍBERO LUXARDO
SABÁDO DIA 03/03/12
HORÁRIO: 16 H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS
APÓS A EXIBIÇÃO DO FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO PRESENTE E CRÍTICOS DA ACCPA
APOIO : ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"OSCAR" AO CINEMA MUDO

Cinema é a imagem projetada que se apóia numa ilusão de ótica. O filme falado foi uma conquista técnica que acabou inaugurando a verborragia e o barulho. “O Artista” veio lembrar as origens dessa arte que eu, desde criança, admiro ao nível da paixão. Só esta premiação correta da Academia de Hollywood (perdôo a marginalização de “A Árvore da Vida” porque não é filme industrial) fez-me dormir às 1,30 de 2ª.Feira (quando dormiria normalmente às 22,00 de domingo).Cheguei a temer que “Os Descendentes” ganhassem a estatueta majoritária. George Clooney, na platéia, era sorrisos. Felizmente os eleitores do Oscar esqueceram a homenagear os cornos(tema do filme). Foram vasculhar os deuses em seu crepúsculo como a Gloria Swanson do filme de Billy Wilder. Por sinal que o tipo vivido pelo ótimo Jenan Dujardin é bem o John Gilbert, galã que Greta Garbo quis manter convidando-o para ser o seu par em “Rainha Cristina” mas um prejuízo para a Metro porque os fãs do Gilbert mudo não concebiam a sua voz de falsete.
“O Artista” lembra “Cantando na Chuva”. Até por virar musical. É um tipo de cinema que encanta dizendo como foi em criança. Por isso seu diretor,Michel Hazanavicius, dedicou o prêmio a Chaplin. E não é à toa que Chaplin é símbolo do cinema.
Também foi gol do Oscar o “Separação”iraniano e o “Rango” de animação. Idem o velho Chris Plummer embora se maldiga (“fui um canastrão”) pelo Barão Von Trapp de “A Noviça Rebelde”. Triste é que Max Von Sidow vai sobrar sempre. E Glenn Close periga nesse sentido. Enfim, Maryl Streep foi o ferro que faltou no filme sobre Maggie Thatcher. E como a festa foi da França, até Woody Allen na sua declaração de amor por Paris ganhou a sua fatia. Não foi receber, pois nunca deu bola ao Oscar. Quando a entrega era na 2ª,Feira ele alegava que era seu dia no clarinete num bar. E o Cirque Du Soleil brilhou mais do aqueles números musicais soporíferos que ajudavam a aumentar o horário da festa no tempo em que Edwaldo Martins ligava para minha casa dando a sua impressão. Por sinal que o Didi sonhava em ver de perto a entrega dos Oscar.Atendendo a ele escrevi em uma ocasião para Frank Capra. O diretor de “A Felicidade Não se Compra” me respondeu dando o seu aval para viagem . Mas tinha de pedir licença ao Harry Stone,embaixador da Motion Picture no Brasil. Apesar de casado com uma paraense o homem botou tantos obstáculos que cancelei a pretensão. Capra não gostou, mas não teve jeito. Eu dificilmente iria, pois sou comodista nato. Mas eu penso no Edwaldo vendo estrelas na terra. Afinal só as viu no céu.(Pedro Veriano)

CINEMA DE MESTRE

A cinemagia é mais que um fator estético, é um estado de sentimento que reluz de uma tela branca. Scorcese, mestre ativo do cinema , sabe disso e faz sua mais completa tradução. Em “A invenção de Hugo Cabret”, vai a Mélies, ao cinema mudo, ao mágico, a literatura pra falar sobre amor a sétima arte. Nele há os plots de gênio deste que é o maior cineasta de sua geração, que inventa e reinventa. No filme, os olhos do menino-personagem são os olhos do diretor que nos faz ver com nossa retina que cinema é combustão para o mundo dos sonhos, sem que nele possamos nos perder do real. Nunca o 3D esteve tão magistral a serviço do cinema. Genial e para sempre! (Ismaelino Pinto)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

HUGO CABRET

O cinema nasceu pelas mãos dos irmãos Lumiére em 1895 quando eles criaram o cinematographo, equipamento que podia registrar o mundo como ele é. Mas foi com artistas como Georges Mélies, que esta nova invenção tomou outros rumos ao filmar o mundo como ele poderia ser. Com isso, o cinema mudou o mundo, as pessoas e o sentido da vida. Relembrar e dimensionar este momento histórico em forma de poesia é o objetivo do cineasta Martin Scorsese em “A Invenção de Hugo Cabret”, através do genial roteiro de John Logan baseado em um livro de Brian Selznick..
No filme, a áurea poética deste mundo dos sonhos que o cinema pode e deve criar, surge a partir da história de um menino chamado Hugo que vive na estação de trem de Paris, em busca de uma mensagem que seu pai teria lhe enviado antes de morrer. Esta busca humana, necessária e inevitável do personagem Hugo pelo amor de seu pai acaba se cruzando com outra busca perdida de um personagem chamado George que é dono de uma loja de brinquedos e que tem um passado misterioso. Estes dois personagens têm suas histórias parecidas e ao mesmo tempo diferentes. Ambos buscam algo perdido, mas este velho senhor, dono de uma simples loja de brinquedos, é descrente, amargo, triste pelo que deixou de fazer. Já Hugo é persistente, intuitivo, esperto e aprendeu cedo a lidar com as dificuldades. Acompanhando a odisséia destes dois personagens, vivenciamos seu mundo de buscas, alegrias, tristezas e sonhos.
Hugo, através de um boneco mecânico que seu pai tinha achado e desde então tentava consertar até falecer num incêndio, tenta encontrar uma mensagem de seu pai. Já o velho senhor George, acaba encontrando em Hugo, um elo com seu sonho de vida. Pois ele é o grande George Mélies, cineasta e produtor esquecido numa velha estação de trem depois de ter quebrado financeiramente e perdido todo o seu legado de mais de 500 filmes que encantaram e fizeram milhares de pessoas sonhar. A vida é mais difícil que a arte e Mélies vive agora um presente amargo. Mas ao reencontrar Hugo, ele resgata o seu passado, relembra sua antiga paixão e percebe, de uma forma que somente o cinema pode criar, seus sonhos cruzarem com os sonhos de um menino que ressuscita sua importância, sua finalidade, a finalidade do cinema : sonhar.
Recuperando a memória do grande George Mélies dentro de uma história de sonhos que envolve o amor paterno, ilusões, desilusões, amor, realidae, sonhos e esperança, Martin Scorsese realizou uma das mais belas homenagens ao cinema que já vi até hoje. Afinal, o encontro de Mélies com Hugo, é uma ode a importância da sétima arte dentro da vida de cada um de nós que amamos o cinema e nele, procuramos nosso caminho de sonhos e realidade. E para mostrar que o cinema pode e deve nos emocionar, Scorsese utiliza com sensibilidade a tecnologia do 3D, criando sequências fantásticas que mais do que mostrar a evolução dos efeitos visuais, mostra a poesia que estas imagens revelam para todos os espectadores que ficam basicamente encantados pela forma como a Scorsese trabalha tantos sentimentos e emoções próximos de todos nós.
“A Invenção de Hugo Cabret” é um raro exemplo de emoção, tecnologia e poesia no cinema moderno. Além disso, homenageando o cinema, Scorsese resgatou a importância de George Mélies, um artista que desde cedo viu na sétima arte a força do sonho e da felicidade, provando que a tecnologia pode e deve estar a serviço da criatividade, sensibilidade e emoção. Quem ama o cinema, certamente vai se apaixonar por “A Invenção de Hugo”. Ainda envolvido emocionalmente com o filme, imagino a emoção que meu pai Alexandrino Moreira teria ao ver este filme. Ele que era um homem apaixonado pelo cinema e que me ensinou a amar esta arte da mesma forma intensa e verdadeira, para sempre. Ele teria adorado “A Invenção de Hugo Cabret”. Por isso, dedico esta crítica ao meu pai, lembrando de todos nós que amamos o cinema (como meus queridos amigos Pedro Veriano e Luzia Álvares que também se emocionaram com o filme) e citando um trecho de uma canção composta pelo grande Egberto Gismonti (música) em parceria como João Carlos Pádua (letra) chamada “Mais que a Paixão”. Aqui, a referência da letra é com a música mais certamente, usando uma certa liberdade poética, digo que a mensagem serve perfeitamente para toda arte, em especial, o cinema.
“Não espere encontrar numa canção, nada além de um sonho. Nada além de uma ilusão. Talvez quem sabe a verdade, a infinita vontade de arrancar de dentro da noite a barra clara do dia”
(Marco Antonio Moreira)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MEU CINEMA FAVORITO

Quando eu comecei a escrever comentários de filmes, isto por volta de 1947 num jornalzinho que eu datilografava para circular em casa, fazia questão de frisar que era opinião de um espectador, era um comentário de um fã não de um critico. E quando passei a manter coluna sobre cinema em jornal (1953/1966) dizia-me simplesmente colunista. Mesmo assim, assumi a herança de amigos que fundaram a Associação Paraense de Críticos Cinematográficos(APCC). Nunca dei muita bola para adjetivos que implicavam numa sensibilidade gélida, o avesso do meu modo de ver cinema. Se não suportava os melodramas mexicanos com os boleros que eu gostava de ouvir (e gosto) e se detestava filme-cabeça como o que começou a surgir com a “nouvelle vague” de Godard (não de Truffaut, que era um fã como eu), nem por isso deixava de observar o que me parecia bom cinema (e mau cinema). Li e fiz bastante na área. Mas nunca separei o coração da mente.
“Inquietos”(Restless/EUA,2011) de Gun Van Sant me tocou embora eu saiba que não é um bom filme. Mesma coisa “Menino de Ouro”, “A Invenção de Hugo Cabret”, “O Artista”, e alguns titulos que tenho visto recentemente em casa ou na rua. Filmes que podem ganhar prêmios e loas dos colegas jornalistas. Ou resenhas furiosas, como no caso do filme de Van Sant onde se achou mel, embora em favo de aço.
Martin Scorsese acha no seu “Hugo” –e nas entrevistas que deu- o cinema dos sonhos que lhe fez seguir a carreira de diretor na área (e preservacionista de películas). O lembrado Georges Méliès também achava. No filme 3D de Scorsese a construção de um sonho ganha forma que exalta o animo de quem vê cinema como, minha mãe já dizia:“válvula de escape”. OK não se deve fugir deste mundo. Mas igualmente não se deve mergulhar numa piscina poluída por prazer. O distanciamento é uma forma de evitar o estresse e de continuar de bem com a vida enquanto se sente vivo. Permaneço médico quando me receito isso. E prossigo comentando cinema do meu jeito. “Hugo” é o cinema que eu aprendi a gostar visto numa forma de cinema que hoje admiro (sem achar que a tecnologia é tudo – ou, ao contrário, que todos os bons filmes já foram feitos como disse Peter Bogdanovich). Imaginação é a arma da criação. Numa frase de uma sci-fi B dos anos 50: “Os desejos dos homens são suas preces, o que está ao alcance da imaginação está ao alcance da realidade”.O filme: “Caminhos das Estrelas”(Riders to the Stars/1954) de Richard Carlson & Ivan Tors(produção).(Pedro Veriano)

O CINEMA SOBRE CINEMA

George Mèliés morreu em 1938 como morrem muitos gênios: na merda. A magia do cinema que ele levou ao pé da letra fazendo filmes de truques, ou mágicos (ele era mágico e empresário de mágico) simplesmente o esqueceu. Penso melhor: nos seus primórdios o cinema não era levado a sério. O público suspirava por uma Pola Negri ou ria de Chaplin mas pouco se dava que David Griffith mexia a câmera, aproximava-a dos olhares das estrelas e/ou Eisenstein fazia da propaganda encomendada uma obra de arte. Nunca se cultuava um filme como um quadro ou um livro. E nem precisa ir muito longe: nas diversas modalidades artísticas nem sempre se chegou a louvar seus autores quando ainda transitavam neste mundo.
O filme “A Invenção de Hugo Cabret” coloca Mèliés no trono a que fazia jus e jamais sentou. Mas a ficção o tira do ostracismo e leva-o a esse trono. Tudo através da idéia de um Selznick, membro da família do produtor de cinema que fez “...E O Vento Levou”(e o bando de gente que dirigiu o filme foi sob ordens rigorosas dele) e patrocinou “Rebeca”,trazendo Hitchcock de sua Londres para Hollywood, e mandou na RKO por algum tempo. Este roteirista de agora, Brian Selznick, deu chance a Martin Scorsese de fazer cinema sobre cinema em grande estilo. Scorsese, quem é cinéfilo sabe, é doido por esta arte de fabricar sonhos (se bem que tenha feito filmes de pretensão realista com excesso de violência). É o grande restaurador de peliculas nos dias de hoje. E quando leu o livro de Selznick não hesitou em pagar para ver na tela grande. E pensou certo: Mèliés adoraria filmar em 3D, realçando seus truques. Fez “A Invenção de Hugo Cabret”(Hugo)nessa técnica que exumou uma das muitas investidas da industria cinematográfica contra a televisão nos idos de 1950. Convocou seus auxiliares doutros carnavais, Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo para desenhar a Paris “belle époque” que serviria de palco às aventuras do garoto órfão o Hugo do titulo, não percorrendo salões litero-musicais como fez Woody Allen na sua meia noite parisiense, mas no ponto em que poderia encontrar o autor de “Voyage dans la lune”(1902) e acabasse por conseguir que se desse a ele em vida a homenagem que fazia jus.
O filme é uma beleza para a vista e o coração. Emocionou-me. Até porque eu vejo cinema assim, como o fabricante de sonhos, a arte de se decolar desse mundo e se correr por espaços totalmente irreais, um coquetel de idéias/imagens onde a gente se sinta (bem ou nem tanto).
Curioso é que “Hugo”(nome original) chega no ano de “O Artista” outro filme sobre a infância da industria cinematográfica. Os dois são candidatos a Oscar: “Hugo” a onze, “Artista” a dez. Se perderem para coisas como “Descendente” eu sinceramente, vou deixar de ver essa festa pela TV daqui em diante. Mesmo que se tratem os prêmios de Hollywood como peças de indústria para indústria os primórdios dessa mesma indústria em obras excelentes merecem o reconhecimento e jamais venham a ser preteridas por melodramas que abençoem os cornos com a cara de George Clooney.(Pedro Veriano)

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