quinta-feira, 29 de março de 2012

"A SEPARAÇÃO" NO CINE ESTAÇÃO A PARTIR DE 05/04


O Cine Estação das Docas exibe, a partir do dia 5 de abril, o grande vencedor do Oscar 2012 na categoria de melhor filme estrangeiro: ‘A Separação’, do diretor Asghar Farhadi, premiado pela Academia de Hollywood no dia 26 de fevereiro durante 84ª edição da cerimônia do Oscar no tradicional Kodak Theatre, em Los Angeles.
Desde o ano passado, o filme era cotado como o grande candidato da categoria por causa de seu conteúdo crítico às leis do Irã. Discípulo de Jafar Panahi, cineasta iraniano que foi preso em seu país, Farhadi não deixou passar em branco o grande momento no palco do para alfinetar a política islâmica. “Nosso povo já sofreu muito por questões políticas. Por isso, eu ofereço esse prêmio ao povo do meu país e a todos os povos e nações”, disse o diretor iraniano de fala baixa e dificuldade de se comunicar em língua inglesa.
‘A Separação’ conta a história de Simin e seu marido Nader, que estão se preparando para deixar o Irã, com a filha Termeh. Mas Nader,preocupado com seu pai, que sofre de Alzheimer, acaba desistindo da viagem.Decepcionada, Simin entra com pedido de divórcio e decide sair de casa. Nader é obrigado a contratar uma jovem para tomar conta de seu pai. Porém a diarista está grávida, e trabalhando sem o consentimento de seu marido, condições que junto à um terrível incidente, levará as duas famílias a um julgamento de cunho moral e religioso.
Justiça, política, religião, moral, tudo acaba sendo discutido pelo diretor Asghar Farhadi no roteiro que leva o espectador a refletir sob diversos pontos de vista. Orçado em US$ 300 mil e filmado em boa parte com a câmera na mão, o filme foi interrompido em 2010 por seu posicionamento político, mas levou mais de 3 milhões de iranianos ao cinema. Incomodado com o sucesso de público e crítica, o governo do Irã divulgou nota avisando para as pessoas terem discernimento na hora de analisar a obra, que segundo o Ministério das Relações Exteriores, mostraria uma versão distorcida da República Islâmica.Além do Oscar de melhor filme em língua não inglesa, o longa arrebatou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, mais o Prêmio Ecumênico do Júri e o Urso de Prata nas categorias ator (PeymanMoadi) e atriz (Leila Hatami).

Serviço:
A Separação (Irã, 2010)
Direção e roteiro: Asghar Farhadi/12 anos.
123m. Drama
Datas em abril:
5/04 (quinta): 18h e 20h30
6/04 (sexta): 18h e 20h30
7/04 (sábado): 18h e 20h30
8/04 (domingo): 10h, 18h e20h30
12/04 (quinta): 18h e 20h30
13/04 (sexta): 18h e 20h30
14/04 (sábado): 18h e 20h30
15/04 (domingo): 10h, 18h e20h30

quarta-feira, 28 de março de 2012

LANÇAMENTOS EM DVD

Diminui cada vez mais a janela das exibições dos filmes em cinema para o DVD. Já se encontram nas locadoras: “O Preço do Amanhã”, ”O Palhaço”, ”A Pele que Habito”, “Contágio”e “O Retorno de John English”.
“A Pele que Habito” (La Piel que Habito/Espanha, 2011) foi um dos meus melhores filmes do ano passado. Escrito e dirigido por Pedro Almodóvar. Antonio Banderas, que volta a filmar com o cineasta que o descobriu, protagoniza um cirurgião plástico marcado pela tragédia quando sua esposa sofre um acidente de carro e fica bastante queimada. Em busca da pele ideal para transplante ele usa cobaias humanas. A saga de Frankenstein é lembrada e as imagens extrapolam os esquemas conhecidos de filmes de terror. Pedro Almodóvar aborda a dimensão da sexualidade e a identidade criada a partir de mudanças físicas, apontando o outro lado da questão. A potencialização de formas de poder para “modelar” pessoas, revelada no filme, entra nas discussões atuais que aderem à perspectiva dos estudos de gênero apontando para, inicialmente, as definições culturais do “ser homem” e do “ser mulher” a partir da socialização do ser humano pelo único entendimento que teria a ciência e a cultura – a biologia - e trata das discussões sobre o corpo sexuado, da diferença entre os sexos, mostrando que o ser homem e o ser mulher são relações culturalmente construídas. Recentemente o filme ganhou os prêmios Bafta (Inglaterra), Gota(Espanha) e de Washington(EUA).
“O Preço do Amanhã”(In Time/EUA, 2011) é mais uma história criativa de Andrew Niccol autor de “O Show de Truman”, “Gattaca” e “Simone”. Aqui ele imagina um mundo em que a vida passa a custar dinheiro literalmente. Compram-se anos de vida e, nesse meio, os milionários estão destinados a viver séculos. A situação leva a um romance entre um jovem que recebe uma quantia/anos de um suicida, e uma garota filha de um homem rico e, naturalmente, longevo. A ideia podia gerar mais, caminhando para um suspense de filme de aventura comum, mas não deixa de interessar e tem bons momentos como o momento em que o protagonista tenta dar mais tempo para a sua mãe e ela morre em seus braços.
“O Palhaço”(Brasil/2011) é o segundo filme dirigido por Selton Mello. Ele protagoniza o palhaço Benjamin, atuante num modesto circo com seu pai, Valdemar (Paulo José). Quando resolve reconstruir sua vida e deixa o circo, defronta-se com um mundo injusto que desconhecia. O filme é muito criativo, com um bom argumento, e os dois atores principais Sellton Mello com Paulo José estão excelentes. Vale a pena ver ou rever.
“Contágio” (Contage/EUA 2011) trata de uma epidemia produzida por um vírus desconhecido e que se mostra resistente a todos os medicamentos ao alcance. Com direção de Steven Soderbergh e um elenco all-star (Gwynett Paltrow, Matt Damon, Jude Law, Marion Cottilard (a Edith Piaf do filme “Piaf”), Kate Winslet, Laurence Fishburme e Brayn Cranston, o roteiro critica a indústria farmacêutica mostrando como ela chega a vender placebo como viável para a cura da nova doença.
“Os Muppets”(The Muppets/EUA,2011) ganhou o Oscar de canção (Man or Muppet). Dirigido por James Bodin trata da odisseia de Walter, o maior fã dos Muppets, que viaja a Los Angeles, ao lado dos amigos Gary e Mary, e descobre que Tex Richman quer destruir o Muppet Theatre para explorar petróleo no local. Surge um mutirão de ajuda a Caco para obter, através de programa de TV, US$10 milhões que salvará o espaço dos bonecos. Mais uma animação na técnica stop-motion creditada na popularidade que os heróis da televisão nos anos 60/70 ainda possuem.
O excelente “Divorcio à Italiana”(Divorzio Allá Italiana/Itália 1961) mostra Marcello Mastroianni tentando assassinar a esposa que ele preprarou para ser infiel e, com isso, dar-lhe campo para namorar a prima (Stefania Sandrelli). O tipo vivido por Daniella Rocca é hilariante. O filme fez tanto sucesso que mereceu uma sequencia: “Seduzida e Abandonada”(Sedotta i abbandonata/1964). Direção de Pietro Germi. (Luzia Álvares)

A IMPORTÂNCIA DE ESTAR DE ACORDO

Numa única relação à infidelidade deve ser exercitado: entre o cinema e a literatura. Nem sempre bons livros rederam bons filmes. Na adaptação de Hossein Amini para o livro de James Salliso que resulta no roteiro de “Drive”, existe uma fidelidade de ação, porém a o resto é livre para o que vemos na tela. O filme é estiloso e a direção é do mais novo queridinho cineasta europeu cooptado por Hollywood, o dinamarquês Nicolas Winding Refn. Dele conhecemos “Pusher”, um filme violento e caústico. Em “Drive” a ação conta a história de um piloto de carros que é dublê de Hollywood, também presta serviços como motorista para criminosos de Los Angeles. mas entra uma mulher na história e as coisas mudam. A violência tem doses exatas, a um clima retrô que ronda o cenário de Los Angeles, o som synthpop e o techno estranhamente combinaram com o ambiente solitário que por outro lado, deixaram o clima mais vintage do que o esperado. Há uma melancolia no ato de violência. Não existem barulhos, tiros, explosões em profusão, um detalhe que remete a uma melancólica atmosfera. A atuação de Ryan Gosling ( “Diário de uma Paixão”, “Tudo pelo Poder”) é concisa, subliminar e angustiante. Cartaz do Cinepolis. Corra ! (Ismaelino Pinto)

terça-feira, 27 de março de 2012

"DRIVE"

Jornada acelerada
Um sujeito alto, loiro, trajando uma jaqueta perolada com um imenso escorpião amarelo às costas. Ele guarda um palito de dente entre os lábios, coloca suas luvas de couro e entra num carro que não tem nada de especial. Sim, nesta história, não são os carros os protagonistas – como na lamentável série Velozes e furiosos ou no bobo 60 Segundos – e sim, o homem. Aquele que tem um talento fora de série ao volante, que cruza as estradas e ruas em velocidade, fazendo peripécias e manobras arriscadas, numa cidade que não dá trégua aos perdedores.
Com roteiro adaptado da obra de James Sallis, Drive é sobre um motorista profissional (Ryan Gosling), que arrisca sua pele trabalhando como dublê em filmes de ação. E, quando ele sai dos sets, arrisca a pele novamente, participando de roubos e operações ilegais. A vida dele não tem muitas perspectivas e ele parece não se importar com nada e com ninguém, inabalável e indiferente como uma pedra de gelo. Até que começa a travar contato com a vizinhança, no ‘cafofo’ aonde mora: conhece a meiga Irene (Carey Mulligan) e seu filho, benício.
“Eu só dirijo”
E sim, ele passa e se importar, amar os dois e ter motivos para esboçar um sorriso. Nas poucas vezes em que abre a boca e emite algum som, Ryan Gosling repete essa frase. Ela serve para ilustrar aquilo que, além de fazer melhor, é a única coisa que o preenche. Vemos a cara de satisfação quando ele acelera, despista a polícia ou bandidos, e olha pelo retrovisor os algozes comendo poeira. Ou quando se vinga colocando toda a fúria no motor e capô do carro, que termina ensanguentado.
Seus planos de vida feliz são frustrados pelo aparecimento do marido dela, que saiu da prisão. Mas quando o motora aceita a proposta do seu ‘rival’ romântico, e dirigir para ele num último trabalho, o tiro sai pela culatra e ele se vê envolto numa grande confusão. E isso implica muito derrame de sangue e abala a relação com o seu chefe manco, da oficina mecânica onde trabalha, que começa a correr risco. Entre muitas cores neons e tons enfumaçados, a Los Angeles de Drive é uma cidade perigosa, e suas ruas são promessas de conflitos para o nosso motorista anti-heroi, que destila sua fúria para salvar aqueles que ama.
Desde o principio, Nicolas Winding Refn impõe uma atmosfera oitentista para homenagear os filmes americanos de ação da época. O letreiro lilás, com uma fonte semelhante a de Dirty Dancing e Gigolô americano, a ambientação composta por roupas e atitudes que são resquícios de Velocidade Máxima, Chuva Negra, Matador de aluguel e Um tira da pesada, pipocam na tela. Mas a inocência ou falta de, estilo visual e narrativo mais, digamos, apurado, desses filmes, ficou para trás.
Drive é um sopro de criatividade, por conta do talento de Winding para expressar visualmente a angustia e a malicia do seu personagem título, em ângulos inusitados, narrativa cadenciada e muita convicção de que está, antes de tudo, lidando com uma história de um homem que se vê numa encruzilhada e tem a sua rotina permeada pela ação. Ele, minuciosamente interpretado por Gosling, é a razão das críticas empolgadas e do sucesso de bilheteria, e é por conta da sua conduta que as perseguições e a violência se tornam mais verdadeiras e autenticas.(Lorenna Montenegro)

domingo, 25 de março de 2012

"PINA" MOSTRA A BELEZA DA VIDA ATRAVÉS DA DANÇA

Há tempos não via um filme tão bom do diretor Win Wenders. Sou fã do seu trabalho desde que vi “O Amigo Americano” no final dos anos setenta. Wenders sabe como poucos diretores trabalhar a imagem, o som, a narrativa e desenvolver boas histórias em seus filmes. Mas seus últimos trabalhos não alcançaram o nível da primeira fase da sua carreira. Em “Pina”, ele teve uma chance de ouro na intenção de mostrar a magnífica obra da coreógrafa Pina Baush que revolucionou a dança nas últimas décadas com seu trabalho na companhia de dança Tanztheater Wuppertal. E o desafio aumentou quando durante a elaboração do projeto, Pina faleceu aos 68 anos. Dessa forma, Wenders direcionou seu filme como uma ode ao trabalho de Pina, evidenciando sua coreografia, dentro e fora dos palcos, mostrando os dançarinos completamente envolvidos com a dança seja diante do público, seja diante da selva de pedra da cidade grande.
Wenders foi extremamente feliz em colocar a dança de Pina nas ruas. Assim, ele dimensionou o trabalho da coreógrafa, entrando em contato com o dia a dia das pessoas, coisas, lugares sem vida que cercam nossa rotina. A dança, aqui, dá vida as coisas, lugares. A simplicidade e complexidade das coreografias emocionam. Assim como emociona os depoimentos dos parceiros/dançarinos de Pina no decorrer de todo o documentário. Wenders, cineasta experiente no gênero documentário, mostra os depoimentos com a câmera captando a imagem das pessoas e deixando uma narração em “off” destas pessoas expressar seus sentimentos por Pina. Assim, nós espectadores começamos a entender o que Pina era, é e sempre será. Uma artista inspiradora que procurava tirar o melhor de cada um de forma que esse melhor explodisse com toda a força na hora da dança. “Dancem, dancem, do contrário estamos perdidos”. É isso. A dança é vida. E Pina fazia todos acreditar nisso.
Trabalhando à exaustão as cores, movimentos, cenários e enquadramentos para captar a essência do trabalho de Pina, Wenders foi realmente feliz em usar a tecnologia 3D de forma técnica mais acima de tudo, sensível, funcional, poética, exploratória, inspirando-se na imagem captada e não mentindo/forjando um efeito visual do nada para lugar nenhum como normalmente os filmes fazem com este nova tecnologia. Aqui, a força da tecnologia 3D nasce, nos inspira e nos faz acreditar que é muito mais do que simplesmente forma. O 3D pode ser parte do conteúdo, da construção estética de um filme e usado como foi em “Pina”, só podemos esperar o melhor dos futuros projetos e diretores que vejam este recurso com uma visão menos comercial e mais interativa dentro da narrativa. Ao final, o filme nos conquista ao ponto de nos sentirmos como um dos dançarinos e parceiros de Pina com uma imensa saudade e sentimento de perda desta artista inspiradora mas principalmente com uma enorme vontade de viver, compreender e aceitar o mundo através da beleza da dança. (Marco Antonio Moreira)

sábado, 24 de março de 2012

"O ABRIGO"

Jeff Nichols em seu segundo filme levanta o espectador da poltrona. “O Abrigo”(Take Shelter) é tudo o que Lars Von Triers quis fazer com o seu “Melancolia” e acabou num melancólico atestado de pobreza criadora. Aqui, num filme modesto, uma família composta do casal e uma filha surda-muda, passa a viver maus momentos quando o homem é acossado por pesadelos de diversas formas. Em crise emotiva, ele é despedido do emprego numa pesquisadora de petróleo, mal tem dinheiro para o seguro-saúde (incluindo uma cirurgia na filha para que possa falar/ouvir) e ele próprio sente necessidade de se consultar com um bom psiquiatra (que cobra caro). A mulher desespera-se porque as atitudes do marido nem sempre lhes são consultada antes de tomadas. E o pouco de dinheiro que ele tem investe num abrigo dizendo que vai chegar uma tempestade apocalíptica.
O roteiro cobre a metáfora de fim de mundo com a esquizofrenia que um clinico diz presente no personagem posto que a mãe dele fora esquizofrênica(como se a doença passasse para o filho). A mulher segura a barra, tentando dar o conforto de um carinho estremecido (ou salvar o casamento) e um dia ela acorda com uma tempestade e chama a atenção dele (que a leva, com a filha, para o abrigo construído a duras penas). A chuva passa, o sol aparece, mas isto não quer dizer que o mundo do desempregado brilhe. Há um plano para o final da narrativa extremamente coesa (nada de flashback, nada de efeitos especiais gigantescos- só nuvens carregadas e vôos de pássaros como nada de acordes para marcar suspense).
Uma dupla de grandes interpretes, Michael Shannon e Jessica Chastain, brilha forte. Ele trabalhou com Sidney Lumet(“Antes que o diabo saiba que você está morto”) e Werner Herzog(“Risco Frenético”). Ela foi a mulher de Brad Pitt em “A Árvore da Vida”. Estrelas que ajudam “O Abrigo” a ser um dos melhores filmes do ano passado nos EUA. E mesmo assim um titulo esquecido do Oscar(ganhou 27 prêmios doutras fontes, incluindo Cannes). Se os distribuidores brasileiros se lembrassem dele e as nossas salas de shopping ou especiais o exibissem seria, sem duvida alguma, um dos melhores títulos do ano.
Uma obra-prima.(Pedro Veriano)

CINDERELAS SEM SAPATOS

Eu ouvia e lia, nos anos que dobraram a esquina, interpretações digna dos manos Grimm sobre o romance do rei inglês Edward VIII com a norte-americana casada Wallis Simpson. O monarca chegou a renunciar o trono pela donzela que na época ainda era esposa de um militar, Ernst Aldrich Simpson, por sinal o segundo marido dela (o primeiro foi Earln Winfield Spencer Jr, ex-capitão do regimento Coldstream Guards). Entre os dois maridos Wallis conheceu Edward em Londres. Na época a censura vinda do palácio de Buckinham adestrada pela igreja condenava tudo. Mas o jovem monarca inglês parece que tinha visto o titulo em portugues daquele filme com Errol Flynn,”Meu Reino por um Amor”. E despachou Ernst que não podia reclamar uma vontade nobre. Nesse tempo dizia-se também que o casal casado contra a maré foi feliz como Branca de Neve e/ou Cinderela.
Chega “W.E.”, o filme de Madonna, e mostra que nem tudo foi florido ou colorido no “affair” real. Diz até que os amantes estavam com os pés no divorcio quando, em 1972,ele se foi. Contando isso numa ótica feminista Madonna faz contraponto com uma Wallis de Nova York século XXI e neste caso uma esposa de médico saco de porrada e guinada a um leão de chacara russo. Em montagem paralela vê-se as duas mulheres nas suas crises que passam da alcova para as salas reais.
Há muita coisa boa no filme. O travelling para cima de uma arvore quando Edward (que na intimidade era chamado David) conta à amada a sua decisão de deixar a coroa, passando dos galhos altos para o teto decorado de uma dependencia do palácio real onde se fala mal dele, é muito curioso. E há um leilão dos bens do chamado Duque de Windsor onde a montagem abre espaço no tempo e se vê os donos das reliquias expostas. Tudo no compasso dinâmico de permanencia da imagem em foco. Compensando há uma caminhada da moça moderna por ruas alagadas que ficariam melhor na sala de corte. E tantas e tantas filiogranas inuteis que aumentam o tempo de projeção aom limite da paciência.
Mesmo com seus tropeços “W.E.” vale o ingresso. A mim valeu ate o taxi para o cinema ja que meu fusca não anda dia de semana posto que o transito é impróprio para menores. Melhor mesmo do que vi antes, perto de casa, fiando-me na ficção cientifica que desejava conhecer de Edard Rice Burroughs e no talento do diretor Andrew Stanton desmonstrado em “Wall E”: “John Carter”. Ali tanbém se toca em princesa entre amor e casamento forçado. Mas que saco! Mais de duas horas de CGI e mesmices. Ali o caso foi impróprio para maiores...(Pedro Veriano)

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