Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

"O HOMEM QUE CAIU NA TERRA" NA SESSÃO CINEMATECA DOMINGO DIA 19/07/09 NO CINE OLYMPIA


"O HOMEM QUE CAIU NA TERRA"
Original: The Man who Fall in Earth – Inglaterra,1976
Direção de Nicolas Roeg
Roteiro de Paul Meyersberg baseado no livro de Walter Tevis
Fotografia de Anthony Richmond
Música de John Phillps
Elenco: David Bowie, Rip Torn, Candy Clark, Buck Henry.
Argumento: Um alienígena chega à Terra em busca de água para seu planeta que está se transformando num deserto. Mas na chegada perde-se de seus familiares. Adotando a personalidade do terráqueo Thomas Jerome Newton, usa diamantes que trouxe consigo e passa a comprar meios para se comunicar com os parentes (mulher e filhos menores). Ele também pensa em comprar tecnologia para fazer a sua viagem de volta, mas desconhece a ganância e crueldade dos homens.
Importância: Com um esplêndido visual e uma interpretação marcante do cantor David Bowie o filme inova no gênero “science-fiction” apresentando não o estereotipo do “alien invasor” mas deixando ao homem da Terra o papel de vilão. Além disso o filme capta a sociedade e cultura ocidental dos anos 70 e a incompreensão e preconceito gerado em uma falange que não aceita mudanças.
É um dos melhores filmes do diretor australiano que também realizou “A Longa Caminhada” e “Inverno de Sangue em Veneza”.

SESSÃO CINEMATECA
"O HOMEM QUE CAIU NA TERRA"
Domingo dia 19/07/09
Horário : 16:00
Entrada Franca
Programação:ACCPA

"SIMPLESMENTE FELIZ" DE MIKE LEIGH NO CINE ESTAÇÃO


"SIMPLESMENTE FELIZ"
Título Original: Happy-Go-Lucky
Duração:118 minutos
Direção: Mike Leigh
Roteiro: Mike Leigh
ElencoSally Hawkins
Sinopse:Poppy é uma professora primária, que sempre se veste com roupas coloridas e tenta ver a vida pelo lado positivo. Isto faz com que ela seja em vários momentos irresponsável, por levar na brincadeira situações sérias. Uma das pessoas que a vêem deste modo é Scott (Eddie Marsan), seu professor da auto-escola, que não suporta os desvios de atenção que ela tem na direção.
Premiações :
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia/Musical (Sally Hawkins), além de ser indicado na categoria de Melhor Filme - Comédia/Musical.
- Recebeu 2 indicações ao European Film Awards, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz (Sally Hawkins).
- Ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz (Sally Hawkins), no Festival de Berlim.

"SIMPLESMENTE FELIZ"
Cine Estação
Dias 15 de julho, às 18h e 20h
16 de julho , às 18h e 20h
22 de julho: às 18h e 20h
23 de julho: às 18h e 20h


Apoio : ACCPA

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

"NINOTCHKA" COM GRETA GARBO NO CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA DIA 13/07/09 ÀS 19 H

"NINOTCHKA"
Origem; EUA, 1939.
Direção de Ernst Lubitsch
Roteiro de Charles Brackett, Billy Wilder, Walter Reisch de um livro de Melchior Lengyel.
Fotografia de William H. Daniels
Música de Werner R. Heymann
Elenco: Greta Garbo, Melvyn Douglas, Ina Claire, Bela Lugosi,Sig Ruman.
Resumo do argumento: Três russos vão a Paris vender as jóias da Duquesa Swana. Mas os seus superiores na União Soviética mandam um emissário saber dos negócios e trazer de volta os vendedores. O emissário é a oficial Ninotchka (Garbo), comunista convicta que pretende resistir aos encantos da cidade capitalista, mas sucumbe aos galanteios de um garboso francês (Douglas). Importância histórica: O filme foi anunciado com a frase “Garbo ri”. Explica-se: a atriz sueca, uma das estrelas mais fulgurantes do cinema desde a fase muda, havia feito mais de duas dezenas de filmes dramáticos. O seu perfil de seriedade parecia imune à comédia. Mas assim, como a personagem do filme de Lubitsch, ela deixou-se seduzir pelo tema e, numa seqüência, dá uma prolongada gargalhada (quando Melvyn Douglas cai de uma cadeira num restaurante).
Lubitsch dizia que “ao menos duas vezes ao dia até mesmo o mais digno dos seres humanos banca o ridículo”. Desta forma defendia o que se conhecia como “Lubitsch touch” ou o seu modo de dirigir comédia. Ele, afinal, foi o professor de Billy Wilder, diretor de jóias do gênero como “Quanto Mais Quente Melhor”.Em 1957 a MGM refez o argumento em um musical chamado “Meias de Seda”(Silk Stockins) com música de Cole Porter e interpretações de Fred Astaire e Cyd Charisse. Foi o último filme do consagrado diretor de dramas Rubem Mamouliam.

SESSÃO ACCPA
"NINOTCHKA"
CINE CLUBE ALEXANDRINO MOREIRA
AUDITÓRIO DO IAP (ao lado da Basílica de Nazaré)
SEGUNDA DIA 13/07/09
HORÁRIO : 19 H
ENTRADA FRANCA
*Após a exibição do filme, debate entre o público e os críticos da ACCPA

"OS BOAS VIDAS" DE FELLINI NA SESSÃO CULT SABÁDO DIA 11/07/09 ÀS 16:30 H


"OS BOAS VIDAS"
Original: I Vitelloni- Itália, 1953.
Direção de Federico Fellini
Roteiro de Fellini, Ennio Flaiano e Tullio Pinelli.
Fotografia de Carlo Carlini, Otello Martelli e Luciano Trasatti.
Música de Nino Rota.
Elenco: Franco Interlenghi(Moraldo),Alberto Sordi(Alberto),Leopoldo Trieste(Leopoldo), Ricardo Fellini (Ricardo) , Franco Fabrizzi(Fausto),Leonora Ruffo (Sandra).
Resumo: Moraldo, Alberto, Fausto,Leopoldo e Ricardo são rapazes da classe média de Rimini, cidade do sul da Itália. Desocupados, eles passam o dia no bar jogando conversa fora e varando a madrugada nas ruas desertas. A história de cada um deles e a resolução de Moraldo em ir embora para Roma é a base do filme que muitos viram como biográfico do mestre Fellini.
Importância Histórica: Segundo longa metragem inteiramente dirigido por Fellini (o primeiro foi “Abismo de um Sonho”/Il Siecco Bianco, contando-se em separado a associação com Alberto Lattuada em “Mulheres e Luzes”/Lucci del Varietá).É um dos mais sinceros e simples que o cineasta realizou. Ele contaria fatos de sua época de jovem em sua cidade natal, e para isso usou os nomes dos interpretes para as personagens, exceto o Fausto de Franco Fabrizzi que surge como a “ovelha negra” do grupo.A narrativa começa na festa de “Miss Sereia” quando a eleita, Sandra Rubini, irmã de Moraldo, desmaia e se sabe que ela está grávida. O pai da criança é Fausto, que se aproveita da confusão para arrumar as malas e fugir da cidade. Mas é obstado pelos amigos e pelo pai. Acaba casando com Sandra e indo para a cidade grande passar a lua de mel. Na volta o pai lhe arranja emprego numa loja. Mas nada consegue transformar o “vitelloni”(bezerrão, boa-vida) em gente séria. Por outro lado, Alberto não impede que sua irmã fuja com um homem casado, Leopoldo tente vender uma peça de teatro sem sucesso e Ricardo se limite a ser cantor no coro da igreja. Só Moraldo pensa mais longe e acaba deixando o grupo. A música de Nino Rota ajuda na construção de um clima nostálgico, banhando de poesia o filme que ainda é considerado um dos melhores do diretor.

SESSÃO CULT
"OS BOAS VIDAS"
SABÁDO DIA 11/07/09
CINE LÍBERO LUXARDO
HORÁRIO : 16:30 H
ENTRADA FRANCA
PROGRAMAÇÃO : ACCPA
*Após a exibição do filme, debate entre o público presente e críticos da ACCPA

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

"O CASAMENTO DE RAQUEL"

O roteiro polifônico quebra todas as regras corretas dos engessados manuais de roteiro ainda vigentes em muitos cursos relâmpago que acontecem na cidade.
Polifônico pela liberdade e excesso narrativo (no melhor sentido estético) que pode movimentar dezenas de personagens, marcação com vários ângulos à disposição de corte documental que valoriza cada ponto recortado pela câmera, plots que se encontram e se distendem, tensões pontuais, algo meio epidérmico, e graças ao que se pode também denominar de roteiro de re-invenção, um certo desconforto emocional que remete à Bergman.
Não se trata de muitas tomadas destinadas a cartilha do cinema contemporâneo e seu abuso de corte (editite), que se torna um cacoete tanto em policiais televisivos, dramas, os filmes de gênero ou do circuito alternativo. Poucos cineastas entenderam tão bem o valor do corte como pedra fundamental da linguagem como Eisenstein, Griffith, Kubrick, De Palma, e Altman (a quem “ O Casamento de Rachel” presta tributo).
Se em “Cerimônia de Casamento” o roteiro polifônico de Jenny Lumet se desenvolve a partir de vários personagens cruelmente destratados pela mise-en-scène genial de Altman, “O Casamento de Rachel”, de Jonathan Demme, não deixa pontas soltas num roteiro que poderia muito bem se perder nas armadilhas fáceis e tentadoras que assolam dramas com tons de comédia.
No ponto alto do filme, a festa de casamento, a narrativa polifônica e visual (cinema em estado puro) utiliza a captação documental (como a câmera do irmão do noivo) para potencializar ainda mais o sentido de ficção que celebra a pluralidade de sons e imagens. É a vitória, pelo menos no cinema, da possibilidade multiétnica, multicultural das várias e infinitas formas e linguagens. Super 8, vídeo, película, digital, câmara na mão, samba, rap, folk, jazz, rock e o que vier, que seja bem vindo para expressar a possibilidade estética.
A festa também funciona como a coreografia do descontentamento, do estranhamento, da disfuncionalidade da estrutura familiar e o papel assumido por cada membro. Papéis como cargos em família, em que o sol que brilha nos vastos quintais dos subúrbios tranqüilos, definitivamente, não é para todos.

Augusto Pachêco

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

GARBO RI


Greta Garbo tinha realmente garbo (perdão: devia ter tudo). Mas não ria. Seu nome de batismo era Greta Gustavsson e desde criança passou a trabalhar, primeiro numa loja de confecções na Suécia posto que seu pai morrera cedo e a família não tinha como viver de herança.Ali foi descoberta pelo cinema, e o cineasta Mauritz Stiller, famoso em sua terra por filmes como “A Saga de Gosta Berling”(passou aqui no Cine Clube “Os Espectadores” em 1955), levou-a para Hollywood. Quando Stiller morreu, contam que a conterrânea e amiga desesperou-se. Foi o homem de sua vida, embora não o amante. No caso, o candidato a amante seria Johnn Gilbert, galã do cinema mudo que ela fez questão de botar para falar em “Rainha Cristina”, um fracasso para ele. Mas a paixão era mais de Gilbert por ela, sem correspondência. Garbo achava o seu papel em “A Dama das Camélias”(Camille), de George Cukor, o melhor de sua carreira. Mas apreciava em especial o talento do diretor alemão Ernst Lubitsch. Por isso aceitou fazer “Ninotchka” sob a sua direção. Uma comédia, gênero que ela nunca experimentara.
No filme de Lubitsch a então enigmática atriz (posto que não havia quem escrevesse nos jornais sobre a sua vida, um segredo que ela guardava sempre, até por não freqüentar encontros sociais) fazia uma soviética que vinha à capitalista Paris buscar conterrâneos corruptos. Representava a confiança dos bolchevistas. Mas na capital francesa acabava por se apaixonar por um executivo, reapresentado por Melvyn Douglas. Nessa porfia por um romance ela chegava a....rir. E o filme foi propagado como aquele em que “Greta Garbo ri”.
O riso foi o principio do fim. Embora “Ninotchka” fosse um sucesso, o filme seguinte dirigido por George Cukor, “Duas Vezes Meu”(Two Faced Woman), foi um total fracasso. Nessa altura a atriz repetiu a frase que deixou gravada em “Grande Hotel” um de seus sucessos: “I want to be alone”(Eu quero ficar só). E ficou, até morrer de causas naturais em 1990.
Rever Garbo rindo é hoje mergulhar na história do cinema. O mesmo roteiro serviria para um belo musical com Fred Astaire e Cyd Charisse (“Meias de Seda”) em 1957 com canções de Cole Porter. É de minha predileção. Mas “Ninotchka” tem o sabor de matriz. E é um pouco da história de Garbo, a sueca sisuda, a mulher que parecia sempre triste como a sua Camille de Dumas ou a sua Ana Karenina, de Tolstoi(dirigida no cinema por Clarence Brown), a que se atira nos trilhos do trem. O riso de Garbo deu até uma peça de teatro. O filme tem o “Lubitsch touch”, ou seja, o jeito sarcástico do grande cineasta alemão que fez também carreira no cinema americano.

Pedro Veriano

"O CASAMENTO DE RAQUEL"


“O CASAMENTO DE RAQUEL” de Jonathan Demme. Com Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather ZickDel e Bill Irwin. Depois de um periodo numa clínica de reabilitação, a jovem Kim retorna à sua casa para participar do casamento de sua irmã Raquel. Ainda fragilizada depois da reabilitação, Kim acaba provocando na família uma série de conflitos que estavam “esquecidos” e que são revelados através dos preparativos da festa de casamento que está sendo organizada. A relação protetora com o pai, o julgamento de todos ao seu comportamento, a lembrança inevitável de um acidente que acabou ocasionando a morte de seu irmão mais novo, a hipocrisia de sua relação com a sua mãe, enfim, tudo vem à tona de forma avassaladora e marcante. Dirigido com maestria por Jonathan Demme, cineasta do já clássico “O Silêncio dos Inocentes” com Anthony Hopkins e Jodie Foster, “O Casamento de Raquel” é um filme rico de diálogos e situações consistentes que ganharam força com a direção do filme e atuação brilhante de todos os atores do elenco. Com o roteiro de Jenny Lumet (filha do grande diretor americano Sidney Lumet), o filme mergulha fundo nos conflitos familiares revelando a fragilidade das relações, as mágoas, as carências, o amor e a indiferença de uma família aparentemente feliz e que inicialmente coloca a jovem Kim como grande vilã dentro da estrutura familiar mais que aos poucos se revela desestruturada e vulnerável à todos as contradições de seus membros. Não é fácil construir um bom roteiro sobre um assunto tão complexo e Jenny Lumet teve o talento de fazer um filme atual sobre um tema atemporal. Numa mistura de influências de Ingmar Bergman (Face a Face) e Robert Altman (Cenas de um Casamento), Jenny Lumet e Jonathan Demme conseguem evidenciar com sensibilidade um tema difícil. Além do roteiro extremamente inteligente e da direção magnífica de Demme, volto a evidenciar o elenco do filme como um todo, que provoca cenas fantásticas de atuação com diálogos expressivos e tocantes. Felizmente, mesmo que com um certo atraso, o filme está chegando aos cinemas locais. É, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano. Veja sem falta.
Marco Antonio Moreira

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