domingo, 19 de março de 2017

Cineclube da ACCPA apresenta:

TERRA EM TRANSE, de Glauber Rocha




As obras cinematográficas podem ter relação direta com o seu contexto histórico. Esse é o caso do filme “Terra em Transe”, de 1967, de Glauber Rocha. Ele traz consigo não só representações de figuras políticas do cenário brasileiro, como da América Latina. Assim, a análise exposta nesse trabalho pretende traçar paralelos entre o filme e o contexto histórico, em que o país se encontrava na época de produção da obra: pós golpe militar, evento histórico com o qual Terra em Transe mais dialoga. Leia mais em http://www.intercom.org.br/PAPERS/REGIONAIS/SUDESTE2012/resumos/R33-0823-1.pdf


Homenagem aos 50 anos de lançamento do filme na programação O Cinema de Glauber Rocha   

Elenco: Glauce Rocha, Hugo Carvana, Jardel Filho, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo

Duração: 100 min. 14 anos. Segunda, 20 de março, às 19h.  Cine Clube Alexandrino, na Casa das Artes.  Entrada franca. Debate após exibição. 

domingo, 5 de março de 2017

Programação Cineclube da ACCPA - Março/2016




Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes) - 19 h* 
Dia 06 - O Cinema de Werner Herzog : "Encontros no Fim do Mundo" (2007) de Werner Herzog



Dia 20 - O Cinema de Glauber Rocha : "Terra em Transe" (1967)(Homenagem aos 50 anos de lançamento do filme)
 Dia 27 - "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (1969)



Cine Líbero Luxardo - Sessão Cult - 15 h* 
Dia 18 - "O Homem Elefante"(1980) de David Lynch
Homenagem ao ator John Hurt



Cine FIBRA (Auditório da faculdade FIBRA) - 18h 
Dia 18 - "Os Brutos também Amam"(1956) de George Stevens

Cineclube da Casa da Linguagem - 18 h* 
Dia 30 - "Gravidade"(2013) de Afonso Cuarón
Parceria com a Academia Paraense de Ciências (APC)

Entrada franca 
*Debate após a exibição

quarta-feira, 1 de março de 2017



Cineclube Alexandrino Moreira apresenta:

Encontros no Fim do Mundo" de Werner Herzog



Em certo momento de Encontros no Fim do Mundo, o mar sob a camada de gelo é comparado, pelos mergulhadores que lá se aventuram, a uma catedral — e as muitas belas e impressionantes imagens que vemos captadas debaixo da água certamente corroboram a ideia, sejam acompanhadas por música sacra ou pela música peculiar das focas, com seus sons totalmente inorgânicos, na expressão de uma das cientistas que as estudam, que chegam a lembrar Pink Floyd. Leia mais em http://multiplotcinema.com.br/2012/05/encontros-no-fim-do-mundo-werner-herzog-2007/
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=MImYM87jOtU
 
Segunda, 06/03, às 7 da noite, na Casa das Artes. Entrada franca. Debate após exibição. Realização: ACCPA. Coordenação do debate: Marco Moreira.   

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Projeto Cine & Música apresenta:

O GABINETE DAS FIGURAS DE CERA, de Paul Leni e Leo Birinsky



Os cenários tridimensionais causam uma terrível estranheza no espectador; as partes internas do palácio são labirínticas, com escadas tortuosas e irreais que mais parecem um formigueiro do que um interior palaciano. As casas, assim como seus interiores, têm uma aparência disforme e claustrofóbica. Leia mais em http://www.sesc.com.br/wps/wcm/connect/9b29a56b-b5f4-4db9-b411-58dc46d234ff/WEB_SombrasQAssombram.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=9b29a56b-b5f4-4db9-b411-58dc46d234ff

Hoje, no Cine Olympia, às 18h30. Execução ao vivo do pianista Paulo José Campos de Melo.

Parceria com a Fundação Carlos Gomes. A entrada é gratuita.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Cineclube Alexandrino Moreira apresenta O Cinema de Werner Herzog
"O Grande Êxtase do Escultor Steiner"(média metragem, 1974) e "Terra do Silêncio e da Escuridão"(1971)


Já no plano de abertura, Werner Herzog não se inibe de denunciar o fascínio com que filma o personagem título de O Grande Êxtase do Escultor Steiner. Quando o corpo do esquiador Walter Steiner decola pela rampa de neve e é suspenso no ar para o salto, o diretor evidencia não apenas a condição de documentarista para a qual foi contratado, mas sobretudo a de um admirador. Neste instante, a opção pelo slow motion dilata a relação entre tempo e ação e transforma o voo de Steiner em um momento de êxtase não só para o personagem ... Leia mais em http://multiplotcinema.com.br/2012/05/o-grande-extase-do-escultor-steiner-werner-herzog-1974/

Nesta segunda, 13, às 7 da noite, na Casa das Artes. Entrada franca com debate após a exibição. Realização ACCPA. Obs. A homenagem ao diretor Werner Herzog será complementada no dia 06/03 com o filme "Encontros do Fim do Mundo"(2007).  

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Programação ACCPA - Fevereiro/2017



Cineclube Alexandrino Moreira (Casa das Artes) - 19 h
"O Cinema de Werner Herzog"
Dia 13 - "O Grande Êxtase do Escultor Steiner"(média metragem, 1974)/"Terra do Silêncio e da Escuridão"(1971)
Obs. A homenagem ao diretor Werner Herzog será complementada no dia 06/03 com o filme "Encontros do Fim do Mundo"(2007) 


Sessão Cult (Cine Líbero Luxardo) - 14h30m 
Dia 04 - "Nashville"(1975) de Robert Altman 


Cineclube da Casa da Linguagem (Oficinas Curro Velho) - 18 h
Dia 23 - "Farenheit 451"(1966) de François Truffaut 



Cine FIBRA - 18 h
Dia 18 - "Sinfonia de Paris"(1951) com Gene Kelly

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

 Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni




Por Augusto Pachêco



Como falar sobre a obra máxima de Michelangelo Antonioni, escolher um filme a considerar obra-prima entre os vários títulos importantes da carreira do cineasta italiano que, se não inventou, praticamente marcou seu trabalho com o legado da estética da incomunicabilidade na sétima arte?

“Zabriskie Point”, concluído em 1970, depois de quatro anos de produção e filmagens, foi realizado no momento de gozo de suas qualidades de cineasta (“Blow up” foi um sucesso inesperado no mercado americano). A produção de Carlo Ponti permitiu um olhar autoral sobre a América, um filme de estrada que usa planos abertos para captar o clima de rebelião ao estado das coisas e que reflete a virada de uma década de utopias para outra em que as dúvidas sobrepuseram certezas revolucionárias.

Antonioni sempre foi cineasta de seu tempo. Contemporâneo dos neorrealistas, não se agrupou esteticamente ao movimento de renovação do cinema italiano pós-Segunda Guerra. Para ele, a janela do cinema estaria mais próxima de uma sensação de deslocamento. A perplexidade da câmera tendo como foco a indiferença e coisificação da condição humana, tão bem exposta na tetralogia formada por “A Aventura”, “O Eclipse”, “A Noite” e “Deserto Vermelho”.

Em “Blow Up - Depois daquele Beijo”, “Zabriskie Point” e “O Passageiro – Profissão Repórter”, Antonioni dá asas à imaginação e corre pelo mundo, reinventa o cinema e questiona o que assistimos como realidade. Refaz ficção e documentário como artista inquieto, incita a dúvida e põe em xeque o poder das imagens.

Na odisseia pelas estradas da América, propõe um balanço das utopias no calor das discussões dos movimentos estudantis, em cortes rápidos, cabelos, cigarros, palavras de ordem e confronto de ideias. No embate, o equilíbrio distante entre teoria e prática, o confronto com a força policial, a dispersão inevitável com perdas e derramamento de sangue, com direito a participação de Katherine Cleaver, dos Panteras Negras, e radicais desqualificando militantes na sempre agônica guerra de ideias e ideais. 

Do outro lado, a especulação imobiliária em negócios faraônicos, a publicidade das coisas (os bonecos como representação dos humanos), o investimento em segurança e outdoors com ilustrações de porcos e vacas ao som de ruídos que acompanham o movimento de Mark, que compra armas de fogo com a facilidade legalista que “naturaliza” o comércio armamentista em vários estados americanos.

Na oposição entre o ideal revolucionário e o hedonismo da cultura hippie, Antonioni promove o encontro de Mark e Daria no Ponto Zabriskie, localizado no Vale da Morte, na Califórnia. É nesta sequência que Antonioni oferece um dos momentos mais belos da história do cinema moderno, abrindo espaço para a digressão dos personagens, numa pausa para a celebração de paz e amor sobre pequenas nuvens de gesso que cobrem os corpos em jogos sensuais. É a revolução do amor livre, dos corpos em movimento no ideal de revolucionar sem violência, no delírio que alcança o sublime na fotografia de Alfio Contini e o grupo de atores do Open Theatre. 

Assim como Bernardo Bertolucci (em “O Céu que nos Protege”) e Anthony Minghella (em “O Paciente Inglês”), o deserto para Antonioni é a possibilidade de ir além da propaganda enganosa dos produtos desnecessários e do soterramento de imagens que pouco ou nada dizem quando o assunto é cinema. Aqui, o deserto aparece como a possibilidade de novas motivações, sejam cromáticas ou existenciais.     

O final antológico ao som de “Come in Number 51 (Your Time Is Up)”, da banda Pink Floyd, traz para a tela o som poderoso de uma das melhores bandas do rock psicodélico e progressivo. No resort construído sobre grandes pedras, onde os burocratas da especulação tramam novas agressões ao meio ambiente em favor do capital pelo capital, o cinema de Antonioni provoca o espectador com a mesma verve da inquietude e um certo ceticismo antes anunciado em “O Estrangeiro”, de Luchino Visconti; e “Sem Destino”, de Dennis Hopper. 

“Zabriskie Point” é um filme para assistir pela primeira vez ou rever sempre, pois o que fica é a capacidade da obra de arte em continuar contemporânea, para deleite dos cinéfilos e novas correlações para os dias de hoje.

O filme será exibido nesta segunda, 30 de janeiro, às 7 da noite, no Cine Clube Alexandrino Moreira (Casa das Artes), numa realização da ACCPA. A entrada é franca, com debate após a exibição do filme.







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