segunda-feira, 5 de março de 2012

MÉNAGE À TROIS

Diz que a vida imita a arte, em parte isto pode ser verdade. O certo é que o cinema tem a capacidade de fazer o imaginário coletivo se fundir numa só dimensão. Em “Triangulo Amoroso”, o mais recente filme do alemão Tom Tykwer, diretor do consagrado “Corra Lola, Corra” e elegante na síntese. A história de amor entre dois homens e uma mulher, surpreende, não pela diversidade sexual alinhada , mas digamos pela multiplicidade. A mim parece que diversidade estar em fazer, e multiplicidade em querer, entre pos dois há uma linha tênue porem essencial. Na primeira parte o filme parece desconexo, gerando o certo desconforto, como se feito pra ninguém entender. Depois deslancha com sutilezas de interpretação com diálogos conciso e acima de tudo de um requinte ao tratar o tema pouco visto no cinema.(Ismaelino Pinto)

CENA MUDA

Não fosse o Oscar, um filme como “O Artista” estive quase incógnito, relegado aos circuitos de arte. Não por falta de méritos, que são muitos, mas pela inusitada forma de fazer cinema em plena revolução técnica da arte chamada sétima, como dizia o Edwaldo Martins. Desde 1929 o cinema fala e os mudos viraram acervos. Mais aí surge Michel Hazanavicius e resolve reverter o transito. A história é risível, como em todos os filmes da época e tem arroubos de dramalhão. Cabe a Jean Dujardin, carregar o filme com o mise-en-scéne caricato e grotesco, como também é comum para a época. Não há nada de genial, mas são as superficialidades que constroem nosso inconsciente coletivo. È como uma máquina do tempo ou saudade de um eterno retorno daquilo que não vimos, mas podemos imitar e sentir. Diversão segura e de uma insustentável leveza pra quem quer porque quer sentir saudade daquilo que não presenciou.(Ismaelino Pinto)

NO LIMIAR DA SÉTIMA ARTE

Agora que o filme francês mais badalado dos últimos anos recebeu cinco Oscars no último domingo, carimbou credenciais para que a sua distribuidora a Paris Filmes, disponibilizasse diversas cópias pelo Brasil, muitos terão a oportunidade de conferir a obra, que presta um grande tributo ao antigo cinema e também olha para o futuro.

O diretor Michael Hazanavicius nos transporta para a Hollywood no ano de 1927, período no qual astros do quilate de Charles Chaplin, Mary Pickford, Dougas Fairbanks, Clara Bow e Rodolfo Valentino arrastavam milhares de pessoas à monumentais salas para vê-los na tela. George Valentim (Jean Dujardin), faz parte desse ‘star system’ e é o astro maior dos estúdios Kinograph, de Al Zimmer (John Goodman).

No primeiro minuto do filme, um cinema mostra Valentim sendo torturado por seus algozes e escapando da morte graças as peripécias do cãozinho Huggie. Por trás da tela, o ator saboreia seu sucesso e aguarda os aplausos. Mas a arte cinematográfica atravessa um momento de mudança profunda, quando o som, que não ouvimos mas sentimos quando a orquestra executa a trilha ao vivo na sala, passa a ser parte imprescindível da equação.

E se os atores, invés de mimetizar cada gesto e ter uma boa parte da ação resumida a uma cartela com poucas palavras, pudessem falar e ser ouvidos pela platéia? Isso começa a passar pela cabeça de Zimmer, que apresenta a possibilidade a Valentim. ‘As pessoas vão ao cinema para me ver. Eu sou um artista e não preciso me sujeitar as mudanças e tecnologia para fazer a minha arte’, decreta o ator ao chefão do estúdio. Sua derrocada, como uma gangorra, eleva o status da corista Peppy Miller, que entra em sua vida acidentalmente e, impulsionada pelos conselhos dele e uma charmosa pinta, torna-se a queridinha da América.

Berenice Bejo empresta muita graça e uma atitude ‘coquete’ para sua Peppy Miller, que diverte e emociona, além de ter uma química irresistível com o Valentim de Dujardin. Ele, vai ficando para trás com o desinteresse pelos filmes mudos. Quando a Bolsa de Nova York quebra, Dujardin vai a falência, perde a mulher, a riqueza e aposta suas fichas no cinema ao escrever, dirigir e estrelar um filme.

Dujardin mereceu ser laureado com o premio de melhor ator, por uma atuação que não exigiu grandes desafios de composição fisionômica ou psicológica, mas é sutil e delicada. Em cenas como a do incêndio, ou mesmo durante o sonho no qual tudo ao seu redor emite sons, menos o próprio, ele nos fisga, quase leva as lágrimas, como as que brotam dos olhos de Peppy Miller quando o vê sendo engolido pelo progresso tecnológico. Quando Valentim finalmente fala, seu “Oui” transmite muito sobre o recomeço de um ser humano que parecia estar desacreditado. Tal como o “Genial! Merci!” que o ator soltou ao ser premiado com o Oscar.

A história de O Artista é construída de forma linear e clássica, com o apogeu, a queda e a ressurreição de Valentim conduzindo a narrativa. Mas Hazanavicius não abre mão do jogo de cena, de recursos da linguagem, como fusões e truques de câmera, para ilustrar o próprio poder do cinema em gerar imagens inspiradas, ao mesmo tempo em que presta homenagem a filmes icônicos de Hollywood – como a rua em que Valentim transita quando vai vender seu paletó, a mesma que vemos em O Garoto, ou a cena em que se encontra na escadaria do estúdio com Peppy Miller, e parece encarnar perfeitamente Clark Gable olhando de soslaio numa cena semelhante em ...E O vento Levou.

Fato é que as referencias são muitas mas em nenhum momento elas se tornam dominantes sobre a história de dois seres que se apaixonam e pertencem a eras diferentes, como no clássico Nasce uma Estrela. E, apesar de filmes clássicos como Cantando na Chuva terem explorado o tema da transição do cinema mudo para o falado, nenhum o fez com tanto domínio e objetividade quanto O Artista, graças a criatividade de Hazanavicius – que escreveu o roteiro original – e a competência de seu casal central, muito inspiradores e humanos.

O Artista mereceu todos os prêmios que levou e, se fosse possível definir em poucas palavras o efeito de assistir a sua projeção e ao desfecho glorioso do enredo – que homenageia musicais como Zigifield Folies e da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers -, caberia aqui um sublime. Ou quem sabe apenas um sentimento de satisfação, já que a combinação de imagens, enquadramentos, olhares e a deliciosa trilha sonora são mais preciosas do que mil palavras.(Lorenna Montenegro)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"FREUD ALÉM DA ALMA" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA DIA 05/03/12


"FREUD, ALÉM DA ALMA"
Original: Freud- EUA,1962
Direção de John Huston
Roteiro de Charles Kaufman.
Elenco: Montgomery Clift,Susannah York, Larry Parks,
Argumento: História do inicio da carreira de Sigmund Freud(1856-1939) , o criador da psicanálise. O roteiro se detém no primeiro caso clinico que ele tratou: o de uma jovem histérica. O texto foi dramatizado para efeito de uma obra cinematográfica, fazendo uma abordagem dos fatos reais.

Importância Histórica : John Huston(1906-1987) queria filmar a vida de Freud e pediu um roteiro a Jean Paul Sartre(1905-1980). O trabalho entregue pelo famoso filosofo francês era extremamente minucioso com relação aos fatos abordados e considerado prolixo. Huston tentou outras fontes e acabou aceitando o que escreveu Charles Kaufman (1904-1991) autor de 18 trabalhos para cinema. O filme foi candidato aos Oscar de roteiro de musica e Huston competiu no Festival de Berlim.

SESSÃO ACCPA/IAP
CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA
"FREUD ALÉM DA ALMA"
AUDITÓRIO DO IAP (INSTITUTO DE ARTES DO PARÁ)
SEGUNDA DIA 05/03/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO E CRÍTICOS DA ACCPA
APOIO : ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"À MEIA LUZ" NA SESSÃO CULT DIA 03/03/12

"À MEIA LUZ"
Original: Gaslight-EUA,1944.
Direção de George Cukor
Roteiro de John Van Druten, Warren Reisch e John L.Balderston baseado na peça de Patrick Hamilton.
Elenco: Ingrid Bergman, Charles Boyer, Joseph Cotten, Angela Lansbury, Barbara Everest.
Argumento: Depois do assassinato da tia na casa onda morava, a jovem Paula(Ingrid Bergman), casada de novo com Gregory(Boyer) vai morar na residência do marido e a partir daí começa a ver imagens estranhas e sons pelos aposentos sem identificar o que seja.
Importância Histórica : O diretor George Cukor tem vasta filmografia e este é um de seus títulos mais prestigiados pela critica, vencedor dos Oscar de atriz e de direção de arte. Ingrid Bergman ganhou também o Globo de Ouro por seu papel, um lento processo de crise psicológica. Cukor((1899-1983) havia sido um dos diretores não credenciados de “...E O Vento Levou” e deixou cerca de 66 filmes . Importante observar que ele, adaptando um projeto vindo do teatro, conseguiu fazer cinema e não peça filmada. É só observar a iluminação a cargo de Joseph Ruttenberg e os closes dos principais interpretes.Uma curiosidade: a peça original havia sido filmada em 1940 por Thorold Dickinson com Diana Wynyar e Anton Walbrook.
SESSÃO ACCPA/CINE LÍBERO LUXARDO
"À MEIA-LUZ"
CINE LÍBERO LUXARDO
SABÁDO DIA 03/03/12
HORÁRIO: 16 H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS
APÓS A EXIBIÇÃO DO FILME, DEBATE ENTRE O PÚBLICO PRESENTE E CRÍTICOS DA ACCPA
APOIO : ACCPA (ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DO PARÁ)

"OSCAR" AO CINEMA MUDO

Cinema é a imagem projetada que se apóia numa ilusão de ótica. O filme falado foi uma conquista técnica que acabou inaugurando a verborragia e o barulho. “O Artista” veio lembrar as origens dessa arte que eu, desde criança, admiro ao nível da paixão. Só esta premiação correta da Academia de Hollywood (perdôo a marginalização de “A Árvore da Vida” porque não é filme industrial) fez-me dormir às 1,30 de 2ª.Feira (quando dormiria normalmente às 22,00 de domingo).Cheguei a temer que “Os Descendentes” ganhassem a estatueta majoritária. George Clooney, na platéia, era sorrisos. Felizmente os eleitores do Oscar esqueceram a homenagear os cornos(tema do filme). Foram vasculhar os deuses em seu crepúsculo como a Gloria Swanson do filme de Billy Wilder. Por sinal que o tipo vivido pelo ótimo Jenan Dujardin é bem o John Gilbert, galã que Greta Garbo quis manter convidando-o para ser o seu par em “Rainha Cristina” mas um prejuízo para a Metro porque os fãs do Gilbert mudo não concebiam a sua voz de falsete.
“O Artista” lembra “Cantando na Chuva”. Até por virar musical. É um tipo de cinema que encanta dizendo como foi em criança. Por isso seu diretor,Michel Hazanavicius, dedicou o prêmio a Chaplin. E não é à toa que Chaplin é símbolo do cinema.
Também foi gol do Oscar o “Separação”iraniano e o “Rango” de animação. Idem o velho Chris Plummer embora se maldiga (“fui um canastrão”) pelo Barão Von Trapp de “A Noviça Rebelde”. Triste é que Max Von Sidow vai sobrar sempre. E Glenn Close periga nesse sentido. Enfim, Maryl Streep foi o ferro que faltou no filme sobre Maggie Thatcher. E como a festa foi da França, até Woody Allen na sua declaração de amor por Paris ganhou a sua fatia. Não foi receber, pois nunca deu bola ao Oscar. Quando a entrega era na 2ª,Feira ele alegava que era seu dia no clarinete num bar. E o Cirque Du Soleil brilhou mais do aqueles números musicais soporíferos que ajudavam a aumentar o horário da festa no tempo em que Edwaldo Martins ligava para minha casa dando a sua impressão. Por sinal que o Didi sonhava em ver de perto a entrega dos Oscar.Atendendo a ele escrevi em uma ocasião para Frank Capra. O diretor de “A Felicidade Não se Compra” me respondeu dando o seu aval para viagem . Mas tinha de pedir licença ao Harry Stone,embaixador da Motion Picture no Brasil. Apesar de casado com uma paraense o homem botou tantos obstáculos que cancelei a pretensão. Capra não gostou, mas não teve jeito. Eu dificilmente iria, pois sou comodista nato. Mas eu penso no Edwaldo vendo estrelas na terra. Afinal só as viu no céu.(Pedro Veriano)

CINEMA DE MESTRE

A cinemagia é mais que um fator estético, é um estado de sentimento que reluz de uma tela branca. Scorcese, mestre ativo do cinema , sabe disso e faz sua mais completa tradução. Em “A invenção de Hugo Cabret”, vai a Mélies, ao cinema mudo, ao mágico, a literatura pra falar sobre amor a sétima arte. Nele há os plots de gênio deste que é o maior cineasta de sua geração, que inventa e reinventa. No filme, os olhos do menino-personagem são os olhos do diretor que nos faz ver com nossa retina que cinema é combustão para o mundo dos sonhos, sem que nele possamos nos perder do real. Nunca o 3D esteve tão magistral a serviço do cinema. Genial e para sempre! (Ismaelino Pinto)

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