terça-feira, 13 de março de 2012

"ESTADO DE SÍTIO" NA SESSÃO CULT DIA 17/03/12


“ESTADO DE SÍTIO”
Direção : Costa Gavras
Ano de Produção : 1973
Com Yves Montande, Renato Salvatori.
Sinopse : Em Montevidéu, Philip Michael Santore, um funcionário americano da entidade AID, é raptado por um grupo de guerrilha urbana de extrema-esquerda autodenominado Tupamaros. Mais duas autoridades são raptadas no mesmo dia, o cônsul Campos, do Brasil, e um outro, sendo que esse consegue escapar. Durante o interrogatório pelos captores encapuzados, Santore se diz um simples técnico mais é confrontado com evidências de que sua missão real é instruir políciais de vários países sul-americanos, ensinando métodos questionáveis tais como tortura, intimidação e assassinatos sem julgamento.
Importância Histórica: Costa Gavras (realizador de "Z" e "A Confissão") é um dos diretores mais importantes do cinema político europeu dos anos 60 e 70. “Estado de Sítio” é um dos melhores exemplos deste tipo de cinema, revelando uma trama baseada em fatos reais. O filme foi proibido no Brasil na época de seu lançamento mundial devido às referências diretas a política militar brasileira. Baseado no livro de Franco Solinas, o filme tem como destaque a atuação do grande ator Yves Montand e a música de Mikis Theodorakis.
SESSÃO ACCPA/CINE LÍBERO LUXARDO
SESSÃO CULT
"ESTADO DE SÍTIO"
CINE LÍBERO LUXARDO
DIA 17/03/12
HORÁRIO : 16H
ENTRADA FRANCA
APOIO : ACCPA

domingo, 11 de março de 2012

"TRANSEUNTE" DE ERYK ROCHA NO CINE OLYMPIA


MOSTRA ERYK ROCHA
De 06 à 18/03 – "TRANSEUNTE "
Sinopse: "Transeunte" o primeiro longa-metragem assinado pelo cineasta Eryk Rocha. A trama narrada em preto e branco conta a história de Expedito, interpretado por Fernando Bezerra. Ganhador da categoria Melhor Ator no 43º Festival de Brasília em 2010, o intérprete dá vida a um aposentado de 65 anos que passa os dias vagando pelas ruas do Rio de Janeiro sem ser percebido pela maioria das pessoas. Como o protagonista não tem família ou qualquer pessoa que possa notar sua ausência, ele transmite uma sensação de isolamento que o faz ser apenas mais um anônimo, atento aos conflitos alheios. O filme foi eleito o melhor filme brasileiro de 2011 pela ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

"TRANSEUNTE"
CINE OLYMPIA
DE 06 À 18/03/12
EXIBIÇÃO DE TERÇA À DOMINGO
SESSÃO ÀS 18:30 H
ENTRADA FRANCA

sábado, 10 de março de 2012

"O GAROTO DA BICICLETA" NO CINE ESTAÇÃO EM ÚLTIMOS DIAS

O pequeno Cyrill não se conforma em ficar retido num orfanato sabendo que tem pai vivo. Mas o pai não quer saber dele. Num consultório médico, ao procurar o apartamento onde o pai morava, ele vai esbarrar em Samantha, uma cabeleireira que passa a se dedicar ao seu problema e acabar assumindo a condição de sua tutora. Por causa do menino ela estremece a relação com o namorado e começa a viver um pesadelo quando sabe que o protegido se meteu com marginais e está cometendo pequenos delitos.
“O Garoto da Bicicleta”(Le Gamin au Veio) é um filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne e não o primeiro em que eles vêem a infância (há “Le Fils” e “A Criança”). Fugindo das armadilhas melodramáticas, mas sem desprezar as lições do neo-realismo que consagrou cineastas como De Sica, eles procuram tratar um drama social adentrando numa linha introspectiva, tentando com pouca musica incidental (apenas em um momento a 5ª de Beethoven) e câmera na mão dimensionar o garoto do titulo, apegado à sua bicicleta como presente do pai que não lhe ama e o relicário de seus dias menos dramáticos. Claro que o pequeno interprete, Thomas Doret, dá o seu show. Mas as honras eu acho que devem ser divididas com Cecile De France, aquela bela atriz que Clint Eastwood botou num tusiname em seu “Além da Vida”. Ela compõe a mulher decidida que prefere vestir a roupa de desamada a deixar escapar a chance de fazer alguém feliz (ou menos infeliz).
Um filme bonito, de linguagem acessível a todos, e com a quota de emoção perfeita para se sentir no cinema sem chegar ao choramingas de tantos dramas parecidos. (Pedro Veriano)

Mais um olhar dos irmãos Dardenne (Jean-Pierre e Luc) para a criança é o que se vê em “O Garoto da Bicicleta”(Le Gamin au Veio> Belgica,2010). Eles viram, antes, menores desamparados em “O Filho” e “A Criança”. A vez agora é de Cyril (Thomas Doret), abandonado pelo pai a quem adora sem ao menos um adeus. Inconformado, procura sair de qualquer forma do orfanato onde foi parar, em busca desse pai que para ele ainda está num velho endereço. Mas não é bem sucedido. E, na busca, esbarra numa cabelereira (Cecile De France) que espera uma consulta médica. O encontro é para o bem de Cyrill. A jovem chega a abandonar uma relação amorosa para conviver com o garoto rebelde por se sentir abandonado. E a opção mostra-se gradativamente sofrida quando ela sabe que ele encontrou um pequeno ladrão que se apossa de sua ingenuidade e agilidade. Diferente dos outros filmes, os Dardenne, desta vez, mostram-se otimistas. Entre muitas situações dramáticas eles abrem espaço para um caminho a seguir para o pequeno personagem. O último plano não fecha o destino dele, mas é promissor.
Garoto da bicicleta posto que o veículo é um elo de ligação com a imagem paterna. Cyrill encontra o objeto que o pai lhe dera e depois tomara (vendera) como chega a acha-lo na cozinha de um restaurante. Mas o papel desse pai se esvoaça quando o menino procura-o para dar a ele um dinheiro roubado. Não há nem mesmo uma repreensão pelo fato. O homem diz apenas: “-Não me procure mais”. A narrativa opta pela câmera manual com insistência, e prefere os planos próximos. Essa, aliás, é a métrica de uma linguagem introspectiva. E para isso exige bastante dos interpretes. Todos afinam com um trabalho exemplar que emociona sem apelar para clichês ou pieguice. Um filme excelente a ser visto e, certamente, aplaudido.(Luzia Álvares)

segunda-feira, 5 de março de 2012

"O GAROTO DA BICICLETA" NO CINE ESTAÇÃO

O cinema dos irmãos Dardenne é emotivo sem ser dramático, sensível sem ser apelativo e realista ao abordar temas tão comuns as pessoas. Seus filmes tem um estilo aparentemente distante e/ou frio do tema apresentado maIs na realidade os diretores procuram revelar aos espectadores uma densidade e profundidade da história de uma forma realista, provocadora e reflexiva. Em “A Criança”, seu primeiro grande filme, eles já tinham abordado um tema humanista sobre o mundo em que vivemos e o resultado foi brilhante. Em “O Garoto da Bicicleta” vemos a relação de uma criança com um mundo que ela não entende. Aqui, o pequeno Curyll não entende porque seu pai repentinamente o abandonou. Incansável na busca do pai e de uma resposta, este menino passa por uma transformação que não o permite perceber as relações e emoções que o envolvem. O único momento de paz e conforto deste menino é quando está na bicicleta dada pelo seu pai. E neste confronto/conflito que ele vive com as pessoas, coisas, mundo e finalmente com seu próprio pai após o reencontro, ele se transforma novamente. O mundo frio e calculista que se apresenta, é confirmado. Seu pai o abandona. Ponto final. E o que fazer com isso? Como viver com isso? Como mudar as poucas relações afetivas que o mundo nos apresenta? Como amar sem ser amado pelo próprio pai? Como seguir em diante? Estas são algumas das perguntas levantas neste belo filme que conquista o espectador aos poucos e nos aproxima de um drama comum ao ser humano, que através dos olhos e sentimentos de um menino, causa emoção e reflexão ao seu final. Excelente trabalho que já é um dos melhores filmes exibidos este ano. (Marco Antonio Moreira)

"AS IRMÃS DIABÓLICAS" DE BRIAN DE PALMA NO CINE SARAIVA

"AS IRMÃS DIABÓLICAS"
Original: Sisters – EUA/1973
Direção : Brian de Palma
Elenco : Margot Kidder, Charles Durning.
Sinopse : Irmãs siamesas, criadas por freiras num orfanato, são finalmente separadas depois de vários anos vivendo literalmente unidas. Mas a separação causa um transtorno irreparável e as irmãs passam a rivalizar uma com a outra. É nesse cenário que surge um assassinato, e uma das gêmeas está diretamente ligada ao crime. Primeiro filme do diretor Brian de Palma (Os Intocáveis/Vestida para Matar/Um Tiro na Noite/Redacted) com influência direta do estilo do mestre do suspense Alfred Hitchcock.

SESSÃO ACCPA/SARAIVA
“AS IRMÃS DIABÓLICAS”
ESPAÇO BENEDITO NUNES (LIVRARIA SARAIVA - BOULEVARD SHOPPING)
QUINTA-FEIRA DIA 08/03/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS

"AMOR BRUXO" DE CARLOS SAURA NO CINE SESC


"AMOR BRUXO"
Original : El Amor Brujo – Espanha/1986
Direção : Carlos Saura
Elenco: Antonio Gades, Cristina Hoyos e Laura Del Sol.
Sinopse: As tradições ciganas que tanto marcaram a cultura espanhola são retratadas neste último filme da trilogia do diretor que inclui ''Carmen'' e ''Bodas de Sangue".

SESSÃO ACCPA/SESC
“AMOR BRUXO”
CINE SESC BOULEVARD
QUARTA-FEIRA DIA 07/03/12
HORÁRIO : 19H
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS

"TÃO FORTE, TÃO PERTO"

Os norte-americanos ainda não expiaram a dor sentida com as perdas de tantos parentes e amigos no atentado ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. O livro de Jonathan Safran Foer trata disso e o filme de Stephen Daldry ,ora em cartaz, endossa. No caso, é o que sente esposa e especialmente o filho, de um executivo que morre num dos prédios abalados por aviões manobrados por terroristas. No caso do filme, o personagem central, Oskar Schell (Thomas Horn), um pré-adolescente muito ligado ao pai, não se conforma com o acontecimento, ainda mais por ter estado perto do telefone quando o pai tentava falar com ele ou com a esposa(ausente) sem que tivesse a coragem de atender.
“Tão Forte e Tão Perto”(Extremely Loud and Incredible Close/EUA,2011) pode parecer um melodrama que exalta valores nacionais (norte-americanos) e se detém num portador da Síndrome de Asperger (dificuldades em processar e expressar emoções), menino genial que fala muito, gesticula muito e pensa em resolver todos os problemas que lhe apareçam.
Depois de saber da morte do pai, Oskar resolve mexer no armário dele. A mãe/esposa(Sandra Bullock) havia mantido intacto, tudo o que o marido deixou ao sair de casa. No meio das roupas e caixas o menino acha um vaso azul, que inadvertidamente quebra, e deixa ver um envelope com uma chave em seu interior e neste a inscrição “Black”. É o começo de uma missão do filho inconsolável: descobrir quem é o dono da chave, quem é Black o destinatário, visitando as familias com esse sobrenome em uma megalope como Nova York.
É evidente que a chave é uma metáfora. A busca é mais complexa, mais abrangente. O menino quer achar o motivo de ter perdido o pai a quem era tão ligado. E o papel aparentemente passivo da mãe acaba se mostrando a sombra desse menino, percorrendo sem ele saber os meus lugares por onde ele anda atrás do nome-simbolo de suas buscas e encontrando as mesmas pessoas que de alguma forma sentem, como ela (e ele), o drama provocado pelo cruel atentado.
O diretor Daldry é homem de teatro e como tal privilegia o contato com atores. Por isso, o novato garoto Thomas Horn ganha quase todas as seqüências do filme. E muitos closes. Para isso, a exigência a um ator praticamente amador é imensa. E Horn se sai bem. Suas palavras: “Meu personagem evidentemente vive uma situação muito emocional (....), seu pai era 95% de seu foco no mundo. Tenho por sorte uma família incrível sem nenhuma perda significativa na vida, mas tentei muito entender esse personagem. O que eu fazia era ir a um pequeno quarto e pensar como o personagem se sentiria. Passava cinco, dez, quinze até trinta minutos para me preparar para uma cena”.
Horn ganhara um concurso do quis show “Jeopardy” e isto valeu para que lhe pedissem um teste em video de atuação. O teste agradou e o garoto contratado para o ambicioso papel de Oskar, no filme o filho único dos personagens de Tom Hanks e Sandra Bullock- além de neto de Max Von Sidow. Com tão ilustre companhia, o novato apresentou uma exemplar performance. E não exagerou, como alguns viram. Desempenha bem o papel de quem tenta superar uma perda e aceita um desafio para isso.
Há espaços vazios que impedem um resultado melhor, mas não chegam a desmerecer um bom trabalho de diretor e elenco (apenas Sandra Bullock surge sem oportunidade e exibindo com insistência uma expressão de choro). O que deve ser observado em “Tão Forte e Tão Perto” ou “Extremamente ruidoso e incrivelmente próximo” é a questão do abalo sentido por uma população, a partir do enfoque de uma família, com uma tragédia inesperada. Pode parecer tardio (são 10 anos), mas a dor persiste e o cineasta de “As Horas” aposta que sim. Certo ou errado seu filme não fez muito sucesso de publico ou de critica apesar de ter concorrido ao Oscar de filme e ator coadjuvante (Sidow). Ignoraram o jovem Horn. Mas ele deve ressurgir, embora não tenha nada programado até agora. E não sei (pois não vi) se ele estava na platéia da entrega dos prêmios no domingo passado. (Luzia Álvares)

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