sábado, 25 de fevereiro de 2012

HUGO CABRET

O cinema nasceu pelas mãos dos irmãos Lumiére em 1895 quando eles criaram o cinematographo, equipamento que podia registrar o mundo como ele é. Mas foi com artistas como Georges Mélies, que esta nova invenção tomou outros rumos ao filmar o mundo como ele poderia ser. Com isso, o cinema mudou o mundo, as pessoas e o sentido da vida. Relembrar e dimensionar este momento histórico em forma de poesia é o objetivo do cineasta Martin Scorsese em “A Invenção de Hugo Cabret”, através do genial roteiro de John Logan baseado em um livro de Brian Selznick..
No filme, a áurea poética deste mundo dos sonhos que o cinema pode e deve criar, surge a partir da história de um menino chamado Hugo que vive na estação de trem de Paris, em busca de uma mensagem que seu pai teria lhe enviado antes de morrer. Esta busca humana, necessária e inevitável do personagem Hugo pelo amor de seu pai acaba se cruzando com outra busca perdida de um personagem chamado George que é dono de uma loja de brinquedos e que tem um passado misterioso. Estes dois personagens têm suas histórias parecidas e ao mesmo tempo diferentes. Ambos buscam algo perdido, mas este velho senhor, dono de uma simples loja de brinquedos, é descrente, amargo, triste pelo que deixou de fazer. Já Hugo é persistente, intuitivo, esperto e aprendeu cedo a lidar com as dificuldades. Acompanhando a odisséia destes dois personagens, vivenciamos seu mundo de buscas, alegrias, tristezas e sonhos.
Hugo, através de um boneco mecânico que seu pai tinha achado e desde então tentava consertar até falecer num incêndio, tenta encontrar uma mensagem de seu pai. Já o velho senhor George, acaba encontrando em Hugo, um elo com seu sonho de vida. Pois ele é o grande George Mélies, cineasta e produtor esquecido numa velha estação de trem depois de ter quebrado financeiramente e perdido todo o seu legado de mais de 500 filmes que encantaram e fizeram milhares de pessoas sonhar. A vida é mais difícil que a arte e Mélies vive agora um presente amargo. Mas ao reencontrar Hugo, ele resgata o seu passado, relembra sua antiga paixão e percebe, de uma forma que somente o cinema pode criar, seus sonhos cruzarem com os sonhos de um menino que ressuscita sua importância, sua finalidade, a finalidade do cinema : sonhar.
Recuperando a memória do grande George Mélies dentro de uma história de sonhos que envolve o amor paterno, ilusões, desilusões, amor, realidae, sonhos e esperança, Martin Scorsese realizou uma das mais belas homenagens ao cinema que já vi até hoje. Afinal, o encontro de Mélies com Hugo, é uma ode a importância da sétima arte dentro da vida de cada um de nós que amamos o cinema e nele, procuramos nosso caminho de sonhos e realidade. E para mostrar que o cinema pode e deve nos emocionar, Scorsese utiliza com sensibilidade a tecnologia do 3D, criando sequências fantásticas que mais do que mostrar a evolução dos efeitos visuais, mostra a poesia que estas imagens revelam para todos os espectadores que ficam basicamente encantados pela forma como a Scorsese trabalha tantos sentimentos e emoções próximos de todos nós.
“A Invenção de Hugo Cabret” é um raro exemplo de emoção, tecnologia e poesia no cinema moderno. Além disso, homenageando o cinema, Scorsese resgatou a importância de George Mélies, um artista que desde cedo viu na sétima arte a força do sonho e da felicidade, provando que a tecnologia pode e deve estar a serviço da criatividade, sensibilidade e emoção. Quem ama o cinema, certamente vai se apaixonar por “A Invenção de Hugo”. Ainda envolvido emocionalmente com o filme, imagino a emoção que meu pai Alexandrino Moreira teria ao ver este filme. Ele que era um homem apaixonado pelo cinema e que me ensinou a amar esta arte da mesma forma intensa e verdadeira, para sempre. Ele teria adorado “A Invenção de Hugo Cabret”. Por isso, dedico esta crítica ao meu pai, lembrando de todos nós que amamos o cinema (como meus queridos amigos Pedro Veriano e Luzia Álvares que também se emocionaram com o filme) e citando um trecho de uma canção composta pelo grande Egberto Gismonti (música) em parceria como João Carlos Pádua (letra) chamada “Mais que a Paixão”. Aqui, a referência da letra é com a música mais certamente, usando uma certa liberdade poética, digo que a mensagem serve perfeitamente para toda arte, em especial, o cinema.
“Não espere encontrar numa canção, nada além de um sonho. Nada além de uma ilusão. Talvez quem sabe a verdade, a infinita vontade de arrancar de dentro da noite a barra clara do dia”
(Marco Antonio Moreira)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MEU CINEMA FAVORITO

Quando eu comecei a escrever comentários de filmes, isto por volta de 1947 num jornalzinho que eu datilografava para circular em casa, fazia questão de frisar que era opinião de um espectador, era um comentário de um fã não de um critico. E quando passei a manter coluna sobre cinema em jornal (1953/1966) dizia-me simplesmente colunista. Mesmo assim, assumi a herança de amigos que fundaram a Associação Paraense de Críticos Cinematográficos(APCC). Nunca dei muita bola para adjetivos que implicavam numa sensibilidade gélida, o avesso do meu modo de ver cinema. Se não suportava os melodramas mexicanos com os boleros que eu gostava de ouvir (e gosto) e se detestava filme-cabeça como o que começou a surgir com a “nouvelle vague” de Godard (não de Truffaut, que era um fã como eu), nem por isso deixava de observar o que me parecia bom cinema (e mau cinema). Li e fiz bastante na área. Mas nunca separei o coração da mente.
“Inquietos”(Restless/EUA,2011) de Gun Van Sant me tocou embora eu saiba que não é um bom filme. Mesma coisa “Menino de Ouro”, “A Invenção de Hugo Cabret”, “O Artista”, e alguns titulos que tenho visto recentemente em casa ou na rua. Filmes que podem ganhar prêmios e loas dos colegas jornalistas. Ou resenhas furiosas, como no caso do filme de Van Sant onde se achou mel, embora em favo de aço.
Martin Scorsese acha no seu “Hugo” –e nas entrevistas que deu- o cinema dos sonhos que lhe fez seguir a carreira de diretor na área (e preservacionista de películas). O lembrado Georges Méliès também achava. No filme 3D de Scorsese a construção de um sonho ganha forma que exalta o animo de quem vê cinema como, minha mãe já dizia:“válvula de escape”. OK não se deve fugir deste mundo. Mas igualmente não se deve mergulhar numa piscina poluída por prazer. O distanciamento é uma forma de evitar o estresse e de continuar de bem com a vida enquanto se sente vivo. Permaneço médico quando me receito isso. E prossigo comentando cinema do meu jeito. “Hugo” é o cinema que eu aprendi a gostar visto numa forma de cinema que hoje admiro (sem achar que a tecnologia é tudo – ou, ao contrário, que todos os bons filmes já foram feitos como disse Peter Bogdanovich). Imaginação é a arma da criação. Numa frase de uma sci-fi B dos anos 50: “Os desejos dos homens são suas preces, o que está ao alcance da imaginação está ao alcance da realidade”.O filme: “Caminhos das Estrelas”(Riders to the Stars/1954) de Richard Carlson & Ivan Tors(produção).(Pedro Veriano)

O CINEMA SOBRE CINEMA

George Mèliés morreu em 1938 como morrem muitos gênios: na merda. A magia do cinema que ele levou ao pé da letra fazendo filmes de truques, ou mágicos (ele era mágico e empresário de mágico) simplesmente o esqueceu. Penso melhor: nos seus primórdios o cinema não era levado a sério. O público suspirava por uma Pola Negri ou ria de Chaplin mas pouco se dava que David Griffith mexia a câmera, aproximava-a dos olhares das estrelas e/ou Eisenstein fazia da propaganda encomendada uma obra de arte. Nunca se cultuava um filme como um quadro ou um livro. E nem precisa ir muito longe: nas diversas modalidades artísticas nem sempre se chegou a louvar seus autores quando ainda transitavam neste mundo.
O filme “A Invenção de Hugo Cabret” coloca Mèliés no trono a que fazia jus e jamais sentou. Mas a ficção o tira do ostracismo e leva-o a esse trono. Tudo através da idéia de um Selznick, membro da família do produtor de cinema que fez “...E O Vento Levou”(e o bando de gente que dirigiu o filme foi sob ordens rigorosas dele) e patrocinou “Rebeca”,trazendo Hitchcock de sua Londres para Hollywood, e mandou na RKO por algum tempo. Este roteirista de agora, Brian Selznick, deu chance a Martin Scorsese de fazer cinema sobre cinema em grande estilo. Scorsese, quem é cinéfilo sabe, é doido por esta arte de fabricar sonhos (se bem que tenha feito filmes de pretensão realista com excesso de violência). É o grande restaurador de peliculas nos dias de hoje. E quando leu o livro de Selznick não hesitou em pagar para ver na tela grande. E pensou certo: Mèliés adoraria filmar em 3D, realçando seus truques. Fez “A Invenção de Hugo Cabret”(Hugo)nessa técnica que exumou uma das muitas investidas da industria cinematográfica contra a televisão nos idos de 1950. Convocou seus auxiliares doutros carnavais, Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo para desenhar a Paris “belle époque” que serviria de palco às aventuras do garoto órfão o Hugo do titulo, não percorrendo salões litero-musicais como fez Woody Allen na sua meia noite parisiense, mas no ponto em que poderia encontrar o autor de “Voyage dans la lune”(1902) e acabasse por conseguir que se desse a ele em vida a homenagem que fazia jus.
O filme é uma beleza para a vista e o coração. Emocionou-me. Até porque eu vejo cinema assim, como o fabricante de sonhos, a arte de se decolar desse mundo e se correr por espaços totalmente irreais, um coquetel de idéias/imagens onde a gente se sinta (bem ou nem tanto).
Curioso é que “Hugo”(nome original) chega no ano de “O Artista” outro filme sobre a infância da industria cinematográfica. Os dois são candidatos a Oscar: “Hugo” a onze, “Artista” a dez. Se perderem para coisas como “Descendente” eu sinceramente, vou deixar de ver essa festa pela TV daqui em diante. Mesmo que se tratem os prêmios de Hollywood como peças de indústria para indústria os primórdios dessa mesma indústria em obras excelentes merecem o reconhecimento e jamais venham a ser preteridas por melodramas que abençoem os cornos com a cara de George Clooney.(Pedro Veriano)

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

Afinal o que é o cinema? A arte das imagens em movimento, mas, a partir daí, o estimulo aos sonhos, à fantasia. Quando se pensa que o cinema espelha a realidade, e no caso há o “cinema verité” que se fez nos anos 70 por Edgar Morin e Jean Rouch é preciso reconhecer que esta arte conviveu, antes, sem rótulos, por quem imaginou uma personalidade da câmera, ela atuando como atriz na concepção que se chamou de “câmera olho”. Até aí o real passa pelo olhar de quem está dominando a objetiva, ou seja, vê-se aquele olhar que está conduzidno a filmagem. Quer dizer, a análise da narrativa tem que levar em conta que há subjetividade nas imagens filmadas, haja vista o reconhecimento de alguém que está “por trás da câmera”. As imagens não são ingênuas. (Quem estudar a teoria do filme vai chegar a essas conclusões e/ ou aqueles que reconhecerem na linguagem godardiana esse vértice da invenção).
Esse preâmbulo é para tratar da mais recente dádiva de Martin Scorsese à cinemagia – “A Invenção de Hugo Cabret” (Invention of Hugo Cabret, EUA, 2011, 127 min. 3D). Ele se encontrou no livro “Hugo”, de Brian Selznick, um descendente do famoso produtor David O. Selznick. Embora Scorcese não tendo sido um menino como Hugo (Asa Butterfield), sempre foi um cinéfilo como René Tabarg (Michael Stuhlbarg ), no filme, o personagem que descobre George Méliès em sua casa, escondido da fama a que faz jus por ter sido um dos inventores da linguagem cinematográfica.
A história acompanha o menino de rua, órfão de pai, vagando pela estação ferroviária onde maneja os relógios e busca peças para consertar um autômato deixado inacabado pelo pai. Este menino vive fugindo do inspetor local (Sacha Baron Cohen) e conhece a garota Isabelle (Cholë Grace Moretz), justamente a afilhada de George Méliès (Ben Kingsley). Através dela toma contato com o velho cineasta que dirige uma banca de brinquedos e se mantêm em casa, amargurado por sua arte não ter sido devidamente reconhecida.
A imagem da lua atingida por um foguete e fazendo careta é o elo de ligação entre Hugo e George a partir de um desenho do robô. Através de Isabelle ele vê que esta imagem é de um filme antigo e na companhia de René vai levar a obra ao seu autor, uma das raras que o pioneiro da Sétima Arte deixou preservar quando, na crise de depressão destruiu quase toda a sua base de material filmográfico.
Realizado em 3D “A Invenção de Hugo Cabret” refaz a Paris dos anos 1920 de forma a que o espectador se sinta dentro do cenário. E a trama fora dos filmes mudos é muito semelhante com o que esses filmes mostravam: do artesanato ao tema que se pode achar “clichê”. Tudo é cinema-sonho, a culminar com a homenagem a Méliès que, na verdade, jamais se deu. O criador de “Voyage dans la lune”(1902) morreu pobre e esquecido. Só muito depois de sua morte, acontecida em 1938, é que ele ganhou reconhecimento publico em documentários e coletâneas de seus filmes curtos.
Na sequencia inicial do filme onde um microcosmo é criado no pátio de uma estação de trem de Paris com a circulação de pessoas, de vários tipos reconhecidos como figuras essenciais numa cidade, vertebrados numa síntese social urbana vê-se a chegada de um trem – uma analogia aos primeiros filmes dos irmãos Lumière. Ou seja, ao nascimento do cinema que se compartilha com o percurso de Hugo, garoto solitário, escondido da Lei para não ser levado para o orfanato, praticando pequenos furtos para sobreviver, mas sempre na trilha de um sonho. Este convite faz Scorcese ao público que vai assistir ao filme, desdobrado nas aventuras do garoto, mas compartilhado com a do velho George que seduz Hugo pelos inventos à venda em seu estande. Nesse turbilhão de sincronias com a história do cinema, nada é perdido, tudo tem objetividade, mostrando a sobrevivência do próprio cinema nas pegadas das desconfianças de que saisse do burburinho dos cafés e das feiras para novas e sofisticadas engrenagens usando os truques como uma invenção mágica fugindo da realidade dando cunho à fantasia.
Ao seguir o garoto e as multiplas artimanhas para sobreviver naquele mundo de descobertas e finalizar seu pequeno robô, a câmera nos leva aos primeiros anos do cinema. Nos sonhos de Hugo podem ser capturados os pequenos filmes que saiam dos estudios, as “vistas naturais”. A condição de ser um visionário e de reconhecer que num dos desenhos situavam-se sensações, não dão explicações ao garoto que precisava de um interlocutor. Só mais tarde é que os bloqueios se desfazem ao acreditar em Tabarg, o pesquisador do “primeiro cinema” e descobrir toda a trama encoberta à carreira de Meliès.
No trabalho de Scorsese uma direção de arte primorosa deixa impresso o tempo da ação, e a fotografia endossa essa imagem do passado. Nada se perde no filme. É um trabalho minucioso que usa o cinema em toda a sua plenitude. Homenageando o mágico (foi agente do famoso Houdini) criador de efeitos visuais, homenageia, naturalmente, esta “fabrica de sonhos”(tratada de forma explicita) ao incorporar ao filme outro truque, o do 3D.
Um excelente filme que surge candidato a 11 Oscar. Dificilmente sairá da festa do próximo domingo sem ser reconhecido.(Luzia Álvares)

SCORSESE E O SONHO DE MÉLIES

Scorsese e o sonho de Méliès
No começo do século passado, um homem assistiu a uma exibição de um trem, que parecia sair da tela para esmagá-lo, e teve a ideia de construir sonhos. Ele era ilusionista, e criou a magia do cinema. Seu nome era Méliès, e em aproximadamente 15 anos, ele realizou 500 filmes como diretor e ator e desenvolveu a sétima arte. Quase um século depois, seu legado é a força motriz do filme que pode consagrar Martin Scorsese nos Oscars – o genial diretor concorre a 11 estatuetas no próximo dia 26.Mas o que Méliès tem a ver com Hugo (Asa Butterfield), um garoto orfão, que, em 1931, mora na Estação Central de Paris, onde trabalha dando corda nos relógios?
A obra literária de Brian Selznick (neto do produtor David O. Selznick) que inspirou A Invenção de Hugo Cabret, já era em parte, uma homenagem aos primórdios do cinema através da (re) descoberta do legado de Méliès, e parte de uma estrutura que se assemelha a de um roteiro. Essa, digamos, ‘facilidade’ na hora de adaptar para a telona não teria resultado positivo se não fosse a junção do talento do roteirista John Logan com a genialidade de Martin Scorsese, que utilizou a tecnologia 3D totalmente a serviço de sua obra e não como um recurso supérfluo.
Ao longo da narrativa, nós, através dos olhos de Hugo, somos apresentados ao cinema de Méliès e o vemos por dentro – como as produções, os efeitos e os enredos oníricos eram criados pelo francês. A base da criação era situada num estúdio envidraçado – para permitir que a luz do sol penetrasse e fosse utilizada como iluminação – onde, ao lado da companheira e musa Jeane D’Alcy, ele dava asas a imaginação.
Méliès foi o primeiro a utilizar storyboards (desenhos) para projetar suas cenas , inventou a trucagem, ou seja, criou os efeitos especiais filmando em alta ou baixa velocidade e tentando diferentes maneiras de expor o negativo. Chaplin o chamou de o alquimista da luz e o americano D.W.Griffith disse que tudo o que tinha feito devia a ele, que teve como sua obra mais emblemática Le voyage dans la Lune (1902). Com a chegada da guerra, seus filmes, que envolveram em fantasias crianças e adultos, haviam perdido o sentido. E o pioneiro do cinema, acabou esquecido.
É o encontro dele com Hugo – certamente inspirado no sofrido David Cooperfield, que ganha uma citação no filme – um menino que herdou do pai o ofício de relojoeiro, que vai mover as engrenagens da história. Hugo alimenta a esperança de consertar seu único bem, um brinquedo. O brinquedo em questão é um boneco prateado, um autômato, o único bem que possui. E é roubando peças do relojoeiro da estação, Papa Georges (Bem Kinsgley), que Hugo pretende consertar o boneco, mas falta uma coisa: uma chave em forma de coração.
Esse grande mistério, que irá começar a se desnudar perante os olhos inocentes de menino e da nova amiga, Isabele (Chloe Moretz). Para o menino, o autômato irá revelar uma mensagem do pai (Jude Law), que morreu num incêndio no museu. A partir das peças do quebra cabeças que vão encontrando, os dois mergulham numa incrível aventura, onde conhecerão, através do livreiro (Christopher Lee), a biblioteca da cinemateca francesa e os tesouros escondidos por lá.
Mas as histórias da família Cabret e do mágico cineasta se interligam através do brinquedo, que fará as crianças descobrirem a sétima arte, numa jornada emocionante. E quem melhor do que, no mundo real, um cineasta apaixonado por filmes e artistas como Buster Keaton, Douglas Fairbanks, Clara Bow para contar, de uma forma onírica e fabulosa, essa história em forma de imagens?
Howard Shore constrói uma trilha sonora inspiradora. Emocionante, aventuresca nos momentos de grande apreensão, e encantadora quando Hugo e Isabelle mergulham no mundo do cinema. Scorsese, disse em diversas entrevistas reconhecer muito de si próprio em Hugo, uma criança cuja vida ganhou mais significado após encontrar todas as peças que faltavam, após ter contato com o cinema, com as possibilidades de uma vida menos ordinária e mais mágica.
“De que matéria são feitos os sonhos?” Hugo pergunta, em certo momento. Para dar mais dinamismo à trama, ele é perseguido pelo guarda da estação (Sacha Baron Choen), que numa – outra – homenagem chapliniana, morre de amores pela florista (Emily Mortimer), mas não tem coragem de se declarar por conta da perna defeituosa, cujas engrenagens que a sustentam vivem fazendo um barulho horrível.
Ele próprio, um órfão, persegue Hugo para que ele possa ter ‘uma família’. E esse filme é sobre descobertas tão caras, que é impossível contar as lágrimas. Scorsese construiu uma magnífica obra sobre o poder da arte como matéria dos sonhos e sua capacidade de transformar destinos. E mesmo que a academia hollywoodiana não premia essa obra em detrimento de outro filme que celebra o cinema (O Artista), as platéias de todo o mundo estão aceitando o convite de Scorsese para apreciar e viver essa fábula fascinante.(Lorenna Montenegro)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"O GAROTO DA BICICLETA" EM MARÇO NO CINE ESTAÇÃO


No mês de março, o Cine Estação das Docas exibe ‘O Garoto da Bicicleta’, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes em 2011, juntamente com ‘Era Uma Vez na Anatólia’, de Nuri Ceylan.
Os irmãos Dardenne são conhecidos do público do Cine Estação pelo filme ‘A Criança’, exibido em 2006 e laureado com a Palma de Ouro em Cannes. ‘O Silêncio de Lorna’, exibido no projeto Moviecom Arte em 2009, é um poucos exemplares da filmografia dos irmãos Dardenne exibido no circuito alternativo, que ainda espera exibir títulos inéditos como ‘O filho’ (2002), ‘A promessa’ (1997) e o premiado ‘Rosetta’ (1999).
Em ‘O Garoto da Bicicleta’, a história de Cyril (Thomas Doret), um garoto de 11 anos abandonado pelo pai (Jeremie Renier), é marcada pela reflexão sobre os relacionamentos familiares, em que os cineastas belgas dão um toque muito próprio de dirigir atores, que camufla as emoções e destaca a ação humana.
O mote da história é a presença da cabelereira Samantha (Cécile de France) que desenvolve uma relação com o revoltado garoto. Ela, como tutora e ele, como seu aprendiz, desenvolvem uma relação de cooperação mútua, que se mantém frágil devido ao comportamento explosivo de Cyril. Cécile de France, que trabalhou com Clint Eastwood em ‘Além da vida’ (2010), explora mínimos movimentos para compor uma espécie uma madrinha de contos de fadas que intercepta o desvio de Cyril em direção à delinqüência. Em um momento do filme, a bicicleta de Cyril parece ser a única ligação entre os dois.
O roubo da bicicleta, nos moldes do realismo social francês, pode até fazer referência ao clássico ‘Ladrões de Bicicleta’, pilar do neo-realismo italiano sob a direção de Vittorio de Sica; mas o século é outro, assim como as motivações dos personagens, apesar dos procedimentos estéticos como o não uso de atores profissionais. Neste filme, os cineastas optam por incluir trilha sonora (recurso não observado nos filmes anteriores), câmera na mão em movimento quase permanente e pouquíssimas tomadas paradas.
O cinema dos irmãos Dardenne mostra personagens desamparados numa Europa em questão, seja pelo desemprego, pelo crime ou pela orfandade.
O filme foi produzido por produtoras cinematográficas da Bélgica, França e Itália, sendo indicado ao European Film Awards nas categorias melhor filme, diretor e atriz, vencendo como melhor roteiro. Foi também indicado na categoria de melhor filme estrangeiro ao Globo de Ouro.

Serviço
O Garoto da Bicicleta (França, 2011)
Direção e roteiro: Jean-Pierre e Luc Dardenne
Com Cécile de France e Thomas Doret. 14 anos. 1h 27
Dias de exibição em março:
1º (quinta), às 18h e 20h30
02 (sexta), às 18h e 20h30
04 (domingo), às 10h, 18h e 20h30
08 (quinta), às 18h e 20h30
09 (sexta), às 18h e 20h30
e 11(domingo), às 10h, 18h e 20h30

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"ESTE OBSCURO OBJETO DO DESEJO" NO CC ALEXANDRINO MOREIRA DIA 27/02/12


Original: Cet Obscure Objet Du Désir- França,1977
Direção de Luís Buñuel
Roteiro de Jean Claude Carrière e Luis Buñuel
Elenco: Fernand o Rey,Carole Bouquet,Angela Molina.
Argumento: Um homem de meia idade, aparentando um cavalheiro, surpreende na todos, em um trem, quando atira água sobre uma jovem que aparenta conhecer. Interpelado por um passageiro que se revolta com a atitude de quem parecia extremamente calmo,m o homem conta a sua história. E em longo flash-back vê-se o relacionamento tumultuoso dele com a garota por quem se apaixona e que mantém dupla personalidade.
Importância Histórica: É o último filme de Luis Buñuel, espanhol que se tornou um dos pioneiros do surrealismo no cinema fazendo com o pintor Salvador Dali o clássico “Um Cão Andaluz”. Neste seu filme francês ele volta ao surrealismo focalizando o lado dramático e ao mesmo tempo pitoresco da vida de um casal com expressiva diferença de idade entre homem e mulher. Procurando sempre se atualizar e com a colaboração de Carriére, seu roteirista preferido, ele focaliza o mundo moderno. Foi candidato ao “Oscar” de roteiro e de filme estrangeiro.

SESSÃO ACCPA/IAP
"ESTE OBSCURO OBJETO DO DESEJO"
CINECLUBE ALEXANDRINO MOREIRA
SEGUNDA DIA 27/02/12
HORÁRIO : 19H
APÓS O FILME, DEBATE ENTRE CRÍTICOS DA ACCPA E O PÚBLICO PRESENTE.
ENTRADA FRANCA
INADEQUADO PARA MENORES DE 12 ANOS

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